domingo, 21 de junho de 2015

Animais Mantidos Cativos em Zoológicos e Santuários: você é a favor ou contra?

Série Ensaios: Ética Animal

Por Thaís Krauss Ortiz
Bióloga e aluna do curso de especialização em Conservação da Natureza e Educação Ambiental

“Três ararajubas são furtadas do Zoológico Municipal de Curitiba”, este fato aconteceu na madrugada do dia dois de maio de 2015, onde as telas do recinto foram arrombadas e, das cinco aves, que são consideradas vulneráveis pelo Ministério do Meio Ambiente, só restaram duas.







Há cinco mil anos os egípcios, em suas viagens e batalhas, capturavam animais selvagens como pequenos gatos, babuínos e leões, e os mantinham em cativeiro nos seus templos como símbolo de força e poder. Este costume estendeu-se por milênios firmando-se entre os séculos XVI a XVIII, marcando o início da concepção de zoológicos. O primeiro zoológico moderno foi o Imperial Menagerie, em Viena, 1752. A partir daí vários zoológicos foram inaugurados na Europa (em Paris, 1793 e em Londres, 1826), tendo o seu início no Brasil, em 1882, com o Museu Emílio Goeldi, em Belém do Pará, seguido de outros no Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Brasília.
Os recintos e as jaulas desses primeiros zoológicos eram elaborados pensando no visitante, proporcionando o melhor ângulo de visão, sem se preocupar com as condições dos animais. Porém, no final do século XIX e início do século XX, a preocupação não só com o público, mas também com o ambiente do animal, passou a ter importância (no “Stellingen Zôo”, na Alemanha, os animais passaram a ter recintos mais apropriados, maiores, simulando um pouco o seu ambiente natural), nesse momento começam as preocupações com o bem-estar animal.
O “bem-estar animal” é o estado físico e psicológico de um animal diante de suas tentativas de lidar com o ambiente. Com o avanço das pesquisas em etologia animal, passou-se a acreditar cada vez mais na presença de uma consciência e sentimentos nos animais vertebrados. Assim, os animais passaram a ser encarados como seres “sencientes” (que sente, tem sensações) e os zoológicos, que não se preocupavam com o bem-estar animal, passam a desempenhar funções muito mais importantes, visando não somente a exposição de animais, mas também, a pesquisa científica para a conservação de espécies e a educação ambiental. Atualmente os zoológicos desenvolvem programas de enriquecimento ambiental, que visam atender às necessidades etológicas e psicológicas dos animais, estimulando os comportamentos naturais de cada espécie, melhorando o bem-estar, evitando comportamentos estereotipados e possibilitando uma futura reintrodução na natureza.
Para certificar o bem-estar físico e psicológico dos animais, a legislação brasileira para zoológicos deve ser atendida, conforme a lei nº 7.173, de 14 de dezembro de 1983 e a instrução normativa do IBAMA 169, de 20 de fevereiro de 2008. Porém, muitos zoológicos não atendem às condições mínimas para manutenção dos animais, gerando diferentes opiniões quanto à polêmica questão sobre a verdadeira função dos jardins zoológicos. Basta colocar no google a palavra zoológico para encontrarmos as mais variadas notícias e opiniões acerca desta instituição. São notícias como a do tigre Hu, no zoológico de Cascavel, que atacou um menino de 11 anos; do menino Maddock que escorregou do colo da mãe e caiu sobre a grade onde ficavam os cães selvagens em Pittsburgh; Gu Gu, o panda de Pequim que já atacou três pessoas que entraram em sua jaula. Todos esses casos com certeza nos sensibilizam e levam a questionar: o que levou a estes acidentes? Porque estes animais estão lá, enjaulados, apenas para a diversão humana?
Há quem seja totalmente contra os zoológicos, com opiniões muitas vezes radicais e sem embasamento teórico e prático sobre o assunto, assim como há depoimentos de pessoas que tentaram entender um pouco desta realidade e tiveram a decepção e o azar de encontrar uma instituição com condições precárias. O que não faltam são argumentos contra e a favor, por exemplo, há quem defenda dizendo que essa exposição e aproximação pode motivar o homem à proteção dos animais; os zoos salvam espécies ameaçadas com programas de reprodução de espécies; muitos seguem padrões exigentes para o tratamento dos animais (SBZ); um bom zoológico oferece enriquecimento ambiental; são um momento de lazer para a família que permite o reestabelecimento do contato homem versus natureza. Ao mesmo tempo, para os que se manifestam contra, os animais em cativeiro sofrem de stress, tédio e confinamento; os recintos são empobrecidos e pequenos; há a reprodução de filhotes para atrair o público; a prática da eutanásia em animais excedentes; acidentes entre os animais e tratadores e até mesmo com o público e etc.
Infelizmente, a realidade de cada zoológico é única. Por exemplo, na Dinamarca, o zoológico Givskud passará por reformas que custarão 200 milhões de dólares para melhorar a experiência dos visitantes e dos animais e será chamado de Zootopia. Casos de sucesso como no Zoológico Nacional Smithsonian, com o nascimento do filhote de panda Bao Bao, espécies como o bisão europeu, o cavalo-de-przewalski, o condor da Califórnia, os remanescentes antílopes órix-cimitarra e ádax no norte da África, o mico-leão-dourado na América do Sul ou o abutre-barbudo no centro e no sul da Europa, nenhuma dessas espécies existiriam se não fosse graças ao trabalho de conservação e manutenção de espécies realizado nos zoológicos. Muitos dos animais que vão parar nos zoológicos são apreendidos do tráfico de animais, sem contar a perda e degradação dos ambientes naturais para suprir as necessidades humanas (indústrias, agricultura, pastagens).
“Quase 60% dos zoológicos são municipais, o que significa que grande parte não cobra entrada. Ou seja, os zoológicos não têm financiamento e, sem dinheiro, não há melhorias e investimentos e quem controla e fiscaliza essas organizações é o governo, que não tem sequer um diagnóstico de sua situação”, relata Yara Barros, presidente da Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil (SZB). Cerca de 700 milhões de pessoas vão aos 1.300 zoológicos de todo o mundo. No Brasil infelizmente são raros os zoológicos que chegam ao seu ideal, de serem centros de conservação, pesquisa, lazer e educação para proteger a natureza. No âmbito dessa questão, atualmente, surgem os santuários animais, que são instituições e/ou pessoas que mantêm animais sob sua custódia, nas melhores condições possíveis e pelo tempo de suas vidas, mas não permitem sua reprodução (exceção para santuários de animais silvestres, que podem reproduzir animais para a conservação da espécie) e não exploram esses animais de forma alguma, sendo que alguns santuários permitem a visitação de público externo, com o propósito de trabalhar a educação ambiental e a conscientização do público para que não comprem animais silvestres nem exóticos.
Eu como bióloga acredito que, a polêmica dos zoológicos sempre terá os dois lados, dos defensores versus os repudiantes, a questão é que está instituição está longe de acabar. Seus objetivos (bem-estar animal, educação ambiental e conservação de espécies) nunca serão atingidos sem o devido apoio financeiro e a fiscalização por parte dos órgãos competentes. O público quer entretenimento e infelizmente a educação ambiental está longe de ser o ponto forte dos zoológicos. Desta forma, nossa legislação deve ser melhorada, atualizada, e principalmente, cumprida. Os zoológicos ruins, que denigrem sua imagem, devem ser fechados. Sorte dos animais que conseguem ser acolhidos por santuários, porém esses locais novamente remetem à questão financeira, pois julgar é muito fácil, quando na verdade o que precisamos são de soluções e principalmente pessoas, governos, bem intencionados, que realmente se preocupem com o bem-estar animal e a manutenção da biodiversidade.

O presente ensaio foi elaborado para disciplina de Ética no Uso de Animais e Bem-Estar Animal, tendo como base as seguintes referências:
http://www.givskudzoo.dk/
http://www.szb.org.br/legislacao.html
http://www.gramadozoo.com.br/sobre-o-zoo

Senciência de Plantas como parâmetro moral para Éticas Biocêntricas

Série Ensaios: Ética Animal


por Bianca Kalinowski Canestraro
Acadêmica do Curso de Especialização em Conservação da Natureza e Educação Ambiental

           
Quem já não brincou com uma dormideira (Mimosa sensitiva) só para ver a planta recolher seus folíolos como uma resposta automática ao toque? Mas alguém já suspeitou de que a resposta talvez não seja tão automática assim? Será que planta pode distinguir um predador real de um estímulo inofensivo? E quanto a memorizar a ação da ameaça e responder diferentemente a cada estímulo? Este ensaio pretende sensibilizar e gerar reflexão no leitor sobre um tema bastante curioso: a senciência de plantas.
Notavelmente as plantas reagem a diversos estímulos físicos e biológicos de forma incrível. É possível citar alguns exemplos como a sincronização da fenologia às estações do ano; a diversificação das síndromes de dispersão de propágulos e de polinização; o movimento das plantas em direção à luz; o mimetismo com animais como estratégia reprodutiva ou contra a predação e o desenvolvimento de estruturas de proteção como espinhos, látex e toxicidade; a adaptação extrema de plantas de solos pobres a nutrição através de insetos, protozoários ou qualquer outro animal que fique preso nas armadilhas de plantas “carnívoras” entre outros. Mas vamos voltar à pergunta inicial: plantas tem sentimentos? A primeira impressão esta pergunta soa estranha ou por vezes ilógica para a maioria das pessoas. Contudo, nas últimas cinco décadas estudos vem apresentando resultados positivos a este questionamento.
         
   Tudo começou com um experimento curioso de Cleve Brackster ligando uma dracena a um galvanômetro. Ele registrou que a planta reagiu a ameaças imaginárias como a ideia de Cleve incendiar uma folha e a ameaças reais como o fogo, o corte de uma folha ou a morte. Obviamente, Cleve ficou intrigado com a possibilidade da planta demonstrar medo e detectar ameaças imaginárias. Outro experimento separou fisicamente em duas salas uma dracena ligada a um galvanômetro de um dispositivo contendo camarões vivos e, em baixo deles, água fervendo. Estando o experimento gravado e sincronizado e o Cleve distante do laboratório, em um determinado momento o recipiente dos camarões foi derramado na água fervente. Subitamente a reação da planta foi intensa e chocante, como se houvesse uma ligação entre ela e os crustáceos, que sofreram até a morte. A mesma reação foi relatada quando Cleve comeu iogurte natural com lactobacilos, jogou água quente no ralo matando bactérias. Cleve chamou esta fantástica ligação entre seres de variados grupos evolutivos de “harmonia fundamental entre seres vivos”. Como essa ligação entre seres vivos de diferentes grupos biológicos é possível?
            As Plantas são capazes também de soar um alarme quando ela ou suas vizinhas estão em perigo. Um estudo usou o som de uma lagarta devorando as folhas de uma planta para testar a reação de outra. O resultado foi positivo, a planta foi sensível ao som, assim como diversos processos de morte celular vegetal, humana, animal ou protista. Além disto as plantas apresentam uma ligação emocional e uma percepção mental com seus donos, podendo até ler suas intenções e emoções.
            Um estudo da Universidade de Bonn na Alemanha utilizou um microfone a laser para detectar a liberação do gás etileno pela planta sob estresse. Quando uma planta foi danificada, ela liberou etileno por toda sua superfície, este sinal foi emitido em forma de ondas e captado pelo microfone. A reação foi comparada a um choro. Em geral, quanto maior o estresse, maior o sinal captado pelo dispositivo. Em comunidade, esse gás é uma forma de comunicação com demais plantas. Logo, plantas apresentam vida social e se comunicam através de sinais de alerta, alegria e outras emoções.
      
      Plantas também podem aprender e memorizar. A Mimosa pudica, a sensitiva, foi perturbada diversas vezes com o gotejamento sincronizado de água. No início a planta fechava seus folíolos em resposta a ameaça, mas depois de aprender que o estímulo não era prejudicial, parou de responder às gotas. No entanto isso não foi capaz de deixá-la sem reação aos demais estímulos, pois o pesquisador a sacudiu e ela voltou a se encolher. Um outro experimento muito curioso de Cleve Brackster revolucionou a ciência dos anos 60 e 70. Dentre cinco candidatos ele sorteou apenas um para matar uma dracena. Do lado desta havia outro indivíduo ligado ao galvanômetro. Depois do assassinato, os candidatos passaram em frente à testemunha e ela apontou firmemente qual deles foi o culpado. Isso prova que plantas são inteligentes e capazes de sentir, ouvir,comunicar-se com outros seres, aprender, lembrar e reagir!
Partindo deste princípio, as plantas são seres sencientes, ou seja, são capazes de expressar sensações ou impressões do meio. Elas apresentam percepções primárias que são capazes de sentir e responder a emoções e pensamentos humanos. As plantas são também conscientes, elas sabem o seu lugar no espaço e reagem tanto a ameaças, estímulos positivos quanto a barreiras físicas. A inteligência, dentre seus diversos aspectos, contempla a capacidade de resolução de problemas. Plantas conseguem sentir barreiras mecânicas no solo antes mesmo de suas raízes tocá-las e são capazes de desviar do obstáculo. Assim, não há dúvidas que plantas são seres inteligentes, diferentemente de animais mais derivados, porém em nível mais simples e semelhante a animais mais basais. As correntes éticas biocêntricas pregam o respeito a seres vivos pelo simples fato de serem seres vivos e terem o direito de viverem no mesmo planeta que nós. Então porque não respeitar as plantas também?
            Mas o que o código ético diz respeito à senciência de plantas?! O código é baseado em seres que sentem dor física e mental. Inicialmente apenas mamíferos derivados e humanos estavam incluídos no código, contudo, pesquisas mostraram que invertebrados como crustáceos, insetos e moluscos também são capazes de sentir dor. Mas e quanto aos vegetais? Sabemos que eles são sensíveis a estímulos ambientais e de diversas formas de vida, mas existe fundamentação moral e ética para defendê-los? Até que ponto estamos certos em manipular indiscriminadamente as plantas para o cultivo intensivo, para fins de pesquisa, para a indústria farmacêutica e para a supressão vegetal em larga escala em virtude de um grande empreendimento? Há interesse em criar medidas para reduzir a dor dos vegetais semelhante ao abate humanitário de bovinos?
Como Bióloga e Botânica, eu acredito que dificilmente esse tema é discutido em comitês de ética, pois para pesquisas científicas apenas os animais e humanos são alvo de reflexão. Porque não refletir na dor e senciência vegetal? Porque não expandir os horizontes da bioética para TODOS os seres vivos? Incluo aí desde bactérias, protozoários, algas (grupo polifilético), até animais basais e derivados e, claro, as plantas. Afinal, na história evolutiva, nós somos os recém-chegados, os calouros. Ainda temos muito a aprender sobre suas complexas relações intraespecíficas.
O presente ensaio foi elaborado para a disciplina de Ética no uso de animais e bem estar animal do curso de especialização em Conservação da Natureza e Educação Ambiental da PUCPR, tendo como base as obras:

Experimento de CleveBrackster com a dracena e camarões
Pesquisa da Universidade da Alemanha sobre uso de microfone a laser para captar gás etileno exalado pelas plantas em estresse.
CleveBrackster e a senciência de plantas, bactérias, lactobacilos e leucócitos isolados do corpo humano.
Cleve Brackster e Discovery Science.
Vídeos do Smithsonian sobre senciência e demais temas vegetais.

Matéria da veja sobre senciência das plantas.

Nossa Participação na II Epram - Encontro Paranaense de Malacologia

O caramujo Gigante Africano: uma questão para Bioética Ambiental?

Marta Luciane Fischer - marta.fischer@pucpr.br
 Resumo: A Bioética ambiental se propõe a intermediar a resolução de conflitos envolvendo questões globais, plurais e complexas, cujos aspectos morais e legais locais não são capazes de resolver. Atuação essa que cabe nas questões envolvidas com caramujo gigante africano Achatina fulica, uma vez que além de compor uma das cem piores espécies invasoras em âmbito mundial há mais de um século, o estabelecimento de suas populações em muitos locais desencadeia impactos na saúde pública, economia e ambiente, além de gerar incongruências entre os interesses sociais, de gestão pública e principalmente nas condutas éticas direcionadas aos animais. A Bioética ambiental visa a promoção do diálogo entre os atores envolvidos e o balizamento para tomadas de decisões que sejam justas para todos. O problema desencadeado com a invasão desse caramujo exótico é fundamentado com princípios éticos da responsabilidade, precaução cuidado e diálogo, uma vez que engloba agentes vulneráveis, principalmente a natureza, que sofre impactos decorrentes da atuação do homem, ao promover a dispersão de espécies para fora da região de endemismo. Assim como a própria população local, que se angustia do eminente risco de contaminação com nematoides causadores de doenças e da falta de informações precisas, objetivas e claras que subsidiem a compreensão da magnitude do problema e do real seu papel. A sociedade pode sofrer ainda com a perda econômica e material e com desconforto diante da presença do animal e da pressão para que assuma a responsabilidade em evitar a invasão, além de se ver obrigado à exterminar os animais, para os quais todavia não há uma recomendação de como fazer com o menor prejuízo econômico e desconforto ético. Desta forma, diante de uma problemática aparentemente insolúvel consequencia da sua amplitude, complexidade e desfechos possíveis, se propõe uma reflexão mais profunda buscando nos balizamentos éticos elementos para promoção do debate e busca de uma solução consensual e efetiva.         
 Palavras–chave: Achatina fulica, Espécies exóticas invasoras, populações vulneráveis, pragas urbanas, saúde pública 



Avaliação da aplicabilidade do muco dos caramujos

Larissa Juliana Azevedo Pimentel¹; Luana Grazielle Lavandoski Good²; Patrícia Stuep Campelo³; Marta Luciane Fischer. - larissa.pimentel@pucpr.br
 Resumo
  
  O muco dos caramujos vem ganhando destaque nas aplicações medicinais, terapêuticas e principalmente nas cosméticas por todo o mundo. Questiona-se quais estudos conduzidos com o muco dos caramujos, os componentes isolados e as finalidades para qual está sendo direcionado. Partindo-se da grande diversidade de moluscos no Brasil, procura avaliar o potencial da exploração do muco do Megalobulimus paranaguensis. O objetivo foi analisar os conteúdos dos textos científicos e de sites de divulgação a respeito das propriedades do muco, sua aplicação científica e comercial. Foram realizadas análises documentais e dosagem preliminar no muco do M. paranaguensis, resultou em 92% água, 15% carboidratos e 2% proteínas. A análise documental resultou 10 trabalhos que citavam a composição do muco de 10 espécies; 26 artigos de outras investigações com muco e sites que apresentavam produtos com extrato de muco. Conclui-se que o muco possui grande potencial para a indústria clinico-farmacêutica, principalmente como antibacteriano e cicatrizantes, apesar disso, são necessários muitos estudos completares. 
 Palavras-chave: antibacteriana, composição, cosmético, Megalobulimus.


Elaboração de armadilha atrativa para controle do caramujo gigante africano: influência de variáveis individuais na atratividade

Luana Grazielle Lavandoski Good 1, Larissa Juliana Azevedo Pimentel 2, Francisco de Assis Marques3, Marta Luciane  Fischer 4. -  lglgood1@hotmail.com

Resumo: O Caramujo Gigante Africano Achatina fulica (Bowdich, 1822) é uma espécie invasora de grande importância mundial. Levando-se em consideração que a comunicação química em A. fulica é fundamental para diferentes mecanismos biológicos e ecológicos, acredita-se que variáveis individuais possam estar afetando a atratividade. O presente trabalho teve como objetivo avaliar a influência das variáveis individuais de jovens e filhotes de A. fulica quanto à atratividade de matrizes orgânicas e compostos químicos. A atratividade foi testada em olfatômetro de escolha binaria de design clássico em forma de Y, testando filhotes e jovens diante da matriz de origem animal, o leite, e de seu composto. Foram realizados 120 testes, utilizando 30 animais, dentre estes 60 testes foram realizados com a exposição à matriz orgânica e 60 com a exposição aos compostos. Nos testes iniciais apenas quatro animais foram responsivos à matriz e cinco ao composto e após o período de repouso apenas um animal foi atraído pela matriz e um pelo composto. O comportamento exibido com maior frequência foi o indiferente, apresentado em quase todas as variáveis. Os resultados obtidos demostram que o leite não apresentou um potencial atrativo, não suportando a hipótese inicial. Acredita-se que haja limitação no equipamento utilizado na percepção dos animais, uma vez que a alta sensibilidade do animal pode ser afetada pelo fluxo de ar. Ressalva-se que as análises dos padrões comportamentais evidenciaram que o atrativo era imediatamente percebido, porém logo em seguida o animal deixava de responder, caracterizando o predomínio de indiferença diante do estímulo testado. Devem ser considerados como fatores limitantes para as respostas positivas: o manuseio, a indução do forrageio em qualquer hora do dia e a falta de contato dia-a-dia com a isca. Esses fatores, juntamente com o uso de iscas vegetais, podem ser determinantes para a elaboração de planos de controle e manejo destes animais. Estudos futuros em campo e laboratório devem ser realizados afim de uma melhor compreensão dos alimentos e mecanismos que desencadeiam a atração desses animais.
Palavras-chave: Achatina fulica, Armadilhas, Espécies invasoras, Manejo.

Análise da viabilidade da inclusão de parâmetros do solo e da composição da concha no protocolo de diagnóstico e monitoramento das populações de Achatina fulica

Luana Grazielle Lavandoski Good 1, Larissa Juliana Azevedo Pimentel 2, Maria Luiza Antunes3, Silvia Schmidlin Keil4, Marta Luciane  Fischer 4.
 Resumo: A espécie Achatina fulica, popularmente conhecida como Caramujo Gigante Africano, é uma espécie invasora que vem há mais de um século causando impactos ambientais, econômicos e de saúde pública. O solo é um dos agentes potenciais na delimitação das ocorrências das espécies, através da interação com outros agentes ambientais, principalmente por prover umidade, alimento, proteção mecânica, camuflagem e sítios para ovoposição. A elevada quantidade de cálcio no solo, juntamente com a umidade e a granulometria dos solos onde há ocorrência de A. fulica podem ser os fatores que favorecem a colonização. O estudo buscou avaliar a possibilidade da inclusão de parâmetros do solo a da quantidade de cálcio da concha destes moluscos no protocolo de diagnóstico e monitoramento das populações de A. fulica no litoral paranaense. Os municípios pesquisados foram Guaraqueçaba (sede e Ilha das Peças), Guaratuba, Morretes, Paranaguá e Pontal do Paraná. Os resultados demonstraram que apenas a inclusão dos parâmetros do solo são viáveis no protocolo, pois a quantificação de cálcio necessita de equipamentos específicos para sua realização. Os parâmetros do solo avaliados podem ser os principais fatores que influenciam na densidade e resistência dos animais nos locais estudados. A análise do solo pode servir como ferramenta para prever a possibilidade da invasão em locais sem a presença da espécie, sendo determinante também para a elaboração de planos de controle e manejo destes animais direcionados pela realidade de cada local. A avaliação dos parâmetros do solo são dados importantes que auxiliam na aplicação do protocolo de diagnóstico e monitoramento de populações de A. fulica. Esses fatores são determinantes para a elaboração de planos de controle e manejo destes animais direcionados pela realidade de cada local.

  Palavras-chave: caramujo africano, controle, manejo, Paraná.

ELABORAÇÃO DE ARMADILHA ATRATIVA PARA CONTROLE DO CARAMUJO GIGANTE AFRICANO: INFLUÊNCIA DE VARIÁVEIS INDIVIDUAIS DE FILHOTES NA ATRATIVIDADE
Arthur Takeshi Venturin Ishikawa, Marta Luciane Fisher1, Acir Jose da Silva Franco2 -  arthurishikawa@hotmail.com
 Resumo: O Caramujo Africano Achatina fulica é uma espécie invasora de importância mundial, causando impactos ambientais, econômicos e de saúde pública. Diferentes países tentaram controlar suas populações, dispendendo gastos no controle, principalmente através da coleta manual, uma vez que em muitos locais o controle químico é proibido.  Uma das alternativas para o controle é a utilização de iscas atrativas em armadilhas seletivas. Ressalva-se que a atratividade química em A. fulica fundamental foi comprovada pela equipe do Laboratório Núcleo de estudos de Comportamento animal, por diferentes matrizes in natura e por extratos destas matrizes. Desta forma, o presente estudo se propôs testar modelos de armadilhas que viabilizassem a captura dos animais sem a necessidade de morte e visando avaliar a influência da presença de co-específicos, uma vez que estudos anteriores atestam que os animais têm uma sensibilidade olfativa que os capacita a reconhecer parentes e animais do mesmo grupo, sendo que odores familiares atraem e odores estranhos repelem. Os caramujos capturados no litoral paranaense foram mantidos em quarentena por duas semanas, separados em quatro grupos de adultos e jovens, marcados e numerados. A primeira armadilha foi baseada no pitfall e um covo, utilizando uma caixa de plástico de 30x20x10cm com abertura lateral, sua parte superior foi cortada em círculo e encaixada o terço superior de uma garrafa pet, cortada em cerdas verticais. Na segunda, foi utilizada uma garrafa pet inteira septada em duas partes (1/3 e 2/3), a menor parte, equivale a parte da boca da garrafa, foi cortado verticalmente originando cerdas, introduzida ao contrário dentro da parte maior. Os resultados evidenciam que em 24 horas os jovens foram os únicos que se encontraram dentro das armadilhas, sendo as iscas que tiveram êxito foram a de flor e a de folhas. Em 48 horas adultos e jovens foram registrados dentro da armadilha. A diferença de distância entre adultos e jovens evidenciou que adultos tiveram uma tendência a se afastar, enquanto os jovens tiveram a propensão aproximar-se no decorrer do experimento. Os resultados preliminares apontam para a possibilidade de elaboração de uma armadilha efetiva e seletiva.
 Palavras–chave: Moluscos, Armadilha, Controle



quinta-feira, 18 de junho de 2015

Roubando de uns para dar a outros. Afinal qual o preço de uma vida?

Série Ensaios: Ética Animal

Por GUILHERME MACHADO GONÇALVES

Biólogo e Acadêmico do Curso de Especialização em Conservação da Natureza e Educação Amabiental

Em São Paulo, dia 18 de Outubro de 2013, ativistas invadiram o instituto Royal, visando resgatar animais que estavam sendo usados como cobaias. Entre os animais resgatados, encontravam-se cães da raça beagle, coelhos e camundongos.


Este fato despertou no Brasil o debate sobre o uso de cobaias para fins de pesquisa. Pois, até então, não se tinha interesse por parte da mídia em se divulgar este tipo de questão. O que poucos sabem é que para criação de novos medicamentos, estes animais são submetidos a diversos métodos invasivos, como: cirurgias, mutilação de órgãos ou membros, ingestão de substâncias, entre outros. A fim de obter os quadros clínicos dos mais variados e assim testar as novas drogas para o mercado. Porém, não é de hoje que esta prática vem sendo realizada. No século XVIII o iluminismo foi um marco na história da humanidade, pois, foi nesta época que começaram os grandes avanços da tecnologia. No entanto, a busca por essas tecnologias levou o homem a deixar de lado o seu conhecimento acerca de si mesmo. Até então os animais eram tratados como máquinas, pois, acreditava-se que eles apenas existiam com a única finalidade de servir ao homem.
 Durante a Segunda Guerra Mundial o homem passou a utilizar os animais para produção em grande escala: tanto para alimentação, quanto para vestuário, trabalho, pesquisa, na indústria e no entretenimento. E foi nesta época surgiu certa preocupação com o “bem-estar dos animais”, termo este que só veio a ser inventado e conhecido pelo mundo a partir do livro “Animal Machines” de Ruth Harrison em 1964. Este livro colaborou para a criação de comissões que visavam avaliar o bem-estar dos animais de produção e propor melhorias. 
A forte busca pelo desenvolvimento tecnológico e financeiro, procurando prolongar a vida, despertou nas indústrias farmacêuticas a necessidade da descoberta e de maior uso dos recursos naturais, como a utilização dos remédios produzidos através dos animais dos quais podemos destacar: materiais construídos por eles (casulos ou ninhos) produtos do seu metabolismo ou partes do próprio corpo do animal, para o tratamento ou prevenção de doenças (COSTA-NETO, 2011).  Ao utilizar estes animais, mesmo havendo uma legislação, os pesquisadores e as indústrias acabam não pensando no bem-estar dos animais utilizados.
Ao longo da história algumas pesquisas, obtiveram sucesso na criação de vacinas ou tratamentos de doenças, mais nem todas tiveram bons resultados, mesmo com os testes em animais, há exemplo disso podemos citar o caso da talidomida, que, embora testado durante três anos em ratos, provocaram cerca de mais de 10 mil deformações congênitas em crianças, após o uso desta substância por durante a gestação (Menezes, 2013). 
O desenvolvimento dos medicamentos está estritamente ligado aos seus consumidores, que comumente não se interessam pela forma com que esses produtos são elaborados, apenas se interessando pelo resultado que obterão com o uso destes. Felizmente há uma crescente preocupação com o bem-estar animal, levando hoje a busca por novas e promissoras tecnologias que visem à erradicação do uso de cobaias para produção de medicamentos como: novas tecnologias para ensaios In vitro e interações moleculares em computador (FAFESP, 2015). Um grande passo para esse “futuro promissor” foi a Resolução Normativa 17, adotada pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) em 2014, que aponta 17 métodos alternativos para substituição de animais em experimentos, levando em consideração o princípio dos 3Rs que representam os conceitos de substituição (replacement, em inglês), redução (reduction) e refinamento (refine), visando a substituição dos animais sencientes, redução do número de cobaias, sem alteração da confiabilidade da pesquisa e diminuição da incidência ou severidade nos testes que utilizam os animais (MCTI, 2014). Segundo o MCTI (2014), os métodos de substituição de animais por testes in vitro podem ser classificados em: potencial de irritação e corrosão da pele; potencial de irritação e corrosão ocular; potencial de fototoxicidade; absorção cutânea; potencial de sensibilização cutânea; Toxicidade aguda e Genotoxicidade.
Eu, como biólogo, acredito que embora ainda seja necessária a utilização de cobaias para testes de medicamentos, do ponto de vista ético e biológico, nada justifica a dor e sofrimento provocado a estes animais. Sendo assim, a sociedade tem por obrigação a criação de novas leis e tecnologias, para deixar esta prática de lado. 


Esse ensaio foi elaborado para a disciplina Etologia tendo base nas obras:
http://www.mcti.gov.br/visualizar/-/asset_publisher/jIPU0I5RgRmq/content/laboratorios-tem-cinco-anos-para-adotar-17-metodos-alternativos;jsessionid=2F0AC4A6502955BE897F2811B68A2A58 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232011000700100 http://agencia.fapesp.br/testes_em_animais_sao_reduzidos_com_novos_ensaios_in_vitro_e_simulacoes/20928/
http://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2013/11/necessidade-do-uso-de-animais-em-testes-gera-divergencias-entre-ativistas-e-pesquisadores/
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/10/conheca-testes-que-ja-nao-exigem-cobaias-e-aqueles-em-que-sao-necessarias.html
http://www.portaldosfarmacos.ccs.ufrj.br/atualidades_animais.html

Vídeos Relacionados:
https://www.youtube.com/watch?v=MXJPdvrxNOk
https://www.youtube.com/watch?v=103LMkGdreI
https://www.youtube.com/watch?v=PPbtvthWf30
https://www.youtube.com/watch?v=dJT-BZv_rTs
https://www.youtube.com/watch?v=D2BApyJnfYA
https://www.youtube.com/watch?v=-9u2W_8WlL4
https://www.youtube.com/watch?v=hOUSpXcAClI

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Coleções didáticas e vivissecção: ética e/ou pesquisa?

Série Ensaios: Ética no Uso de Animais
Por Vanessa Vlnieska
Bióloga e Aluna de Pós-Graduação do Curso de Especialização em Conservação da Natureza e Educação Ambiental

Há cerca de mais ou menos1 ano, o tema de experimentação animal foi fortemente veiculado na mídia através de uma notícia em que dezenas de ativistas invadiram um laboratório do Instituto Royal, em São Roque, localizado a 59 km de São Paulo. Eles levaram dezenas de cachorros da raça Beagle que estavam no complexo do Instituto de Pesquisa, motivados pelas suspeitas de que os bichos sofriam maus-tratos no local. Os animais eram usados em pesquisas com medicamentos, e o Instituto possuía autorização do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal para a realização de seu trabalho. Este fato suscitou uma série de questionamentos de grupos a favor e contra o uso de animais para pesquisas. Grupos defensores dos direitos dos animais se posicionaram a favor dos ativistas enquanto grupos de profissionais que trabalham com pesquisa se mostraram contrários às reivindicações e ao fato ocorrido.

O uso de animais para a realização de estudos laboratoriais sempre causou polêmica entre diversos grupos, por isso, existe a necessidade e uma importância de se discutir deliberadamente esse tema. A prática da vivissecção, principalmente em estudos cientifico-pedagógicos, caracteriza-se de fato como experimentação animal. Porém, o termo "vivissecção" é geralmente usado com uma conotação mais negativa, referindo-se mais ao que implica em tortura, sofrimento e morte, e é preferido por àqueles que se opõem à estes métodos de estudo. Cientistas normalmente usam o termo "experimentação animal", mas na realidade as duas expressões referem-se ao mesmo método. Os testes em animais, também conhecidos como "experimentação animal, pesquisa com animais e ensaios in vivo", referem-se à utilização de animais não humanos em experiências.
O uso de animais em pesquisas vem desde a antiguidade. Grandes pesquisadores em séculos passados já relacionavam o aspecto de órgãos humanos doentes com o de animais, com finalidades claramente didáticas. Anatomistas, em meados de 300 a.C., também realizavam vivissecções animais com o intuito de observar as estruturas do organismo e assim formular hipóteses sobre o funcionamento associado à estas. Ainda posteriormente, Galeno (129-210 d.C.), médico e filósofo em Roma, foi um dos primeiros a realizar vivissecção com objetivos experimentais, ou seja, de testar variáveis através de alterações provocadas nos animais (Goldim & Raymundo, 1997).
Ainda debatendo sobre o uso de animais, porém para outro fim, as coleções didáticas também são motivo de questionamentos quando se trata do meio ético. Para esse fim ainda, sabe-se da importância dos exemplares no papel gerador de conhecimento. Nos dois casos, os animais são utilizados com objetivo científico/didático, com o intuito de possibilitar a descoberta de novos conhecimentos ou comportamentos sobre aquele “exemplar”, extrapolados muitas vezes para outras espécies, e isto de fato, é de extrema importância, pois todo o conhecimento que hoje temos em termos biológicos para a grande maioria das espécies, foi pautado nestes procedimentos. O “x” da questão está na consideração do bem-estar do animal, dos princípios éticos que todos esses procedimentos norteiam, e a análise de que apesar de à princípio não terem consciência, são seres vivos, além de tudo sencientes, e como tais são dignos de respeito e têm direito à vida.
No Brasil, a Lei n° 11.794 de 8 de outubro de 2008 regulamenta o uso de animais, estabelecendo os procedimentos para o uso científico, com o auxílio da criação do CONCEA – Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal, o qual tem competência para reger todas as normas que norteiam esses procedimentos. É importante ressaltar que as questões éticas são de extrema relevância, levando-se em consideração todos os aspectos biológicos dos seres vivos, e até por isso, esses procedimentos e critérios de utilização devem ser rigorosamente cumpridos, porém, é preciso lembrar também que se não fossem estes métodos, provavelmente não teríamos o conhecimento que temos hoje e seria difícil trabalhar no sentido de inúmeros avanços, sejam para benefícios do próprio homem – no aspecto da medicina, como também para benefícios de todas as outras espécies – no aspecto de conservação. Existem ainda outros métodos alternativos à estes procedimentos, porém ainda muito contestáveis e duvidosos, principalmente pela ciência. Eu, como bióloga, acredito que o ideal seria trabalhar com exemplares artificiais que reproduzissem exatamente as condições de um ser vivo, porém, isto é um desafio bem complicado de se resolver exatamente porque os comportamentos não esperados não poderiam ser reproduzidos de forma artificial, já que não se teria conhecimento para isso. Enquanto uma solução para esta questão não é encontrada, só resta tentar agir da forma mais ética possível.


O presente ensaio foi elaborado para a disciplina de Ética no Uso de Animais e Bem-Estar Animal, baseando-se nas fontes:
GOLDIM J.R., RAYMUNDO M.M. Pesquisa em Saúde e os Direitos dos Animais. 2 ed. Porto Alegre: HCPA, 1997.
ETOLOGIA NO DIA A DIA. Disponível em: <http://etologia-no-dia-a-dia.blogspot.com.br/> Acesso em 26/05/2015.
EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL. < http://g1.globo.com/sao-paulo/sorocaba-jundiai/noticia/2014/10/invasao-ao-predio-do-instituto-royal-em-sao-roque-completa-um-ano.html>
BEAGLE.
USO DE ANIMAIS. https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=77037
COLEÇÕES DIDÁTICAS. https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=77037
BEM-ESTAR ANIMAL. C:\Users\User\Downloads\4057-8683-1-PB.pdf