Bioética no dia-a-dia
Blog de discussão e aplicação de conhecimentos científicos no dia-a-dia, destinado para alunos e interessados na Ética Prática, Dialogante e Multidisciplinar própria da Bioética!
terça-feira, 21 de abril de 2026
Pontifícia Universidade Católica do Paraná: Blue Community Exchange
sábado, 11 de abril de 2026
Fechamento da 4a turma da m Avaliação do Comportamento e sua Aplicação no Bem-estar Animal
Nos dias 8, 9 e 10 de abril de 20206 ocorreu o enceramento da 4ª turma da especialização em Avaliação do Comportamento e sua Aplicação no Bem-estar Animal marcado por uma sequência de apresentações que evidenciaram densidade analítica, diversidade temática e forte potencial de aplicação prática e científica. Os trabalhos demonstraram domínio técnico, criatividade metodológica e capacidade de transpor os resultados para diferentes contextos profissionais, especialmente no aprimoramento da relação entre tutores e animais de companhia, com foco na qualificação da comunicação e na promoção do bem-estar animal. A programação teve início na quarta-feira com a abordagem das relações interespecíficas em contextos domésticos. Catarina Peixoto da Silva analisou o vínculo entre caninos e felinos em famílias multiespécie, evidenciando dinâmicas de convivência e estratégias de mediação comportamental. Na sequência, Ligia do Amaral Fernandes e Vitória Kimie apresentaram os efeitos de uma intervenção baseada em reforço positivo em cães, demonstrando a eficácia de protocolos estruturados na modificação comportamental e na melhoria da qualidade de vida. Na quinta-feira, os trabalhos avançaram sobre dimensões clínicas, sociais e aplicadas do comportamento animal. Bianca Santana da Silva discutiu os transtornos de vínculo em cães, destacando implicações para o manejo e a intervenção. Clara Freitas Cordeiro e Brenda Caroline de Melo exploraram o enriquecimento ambiental como estratégia para mitigar a ansiedade de separação, articulando diagnóstico e intervenção.
Maria Paula Mansur Mäder e Áurea Aragão Caribé Dias analisaram a dinâmica comportamental e a competência social canina, ampliando a compreensão das interações intraespecíficas realizando uma linda comparação entre a relação de crianças e cães docimciliados e comunitários em Curitiba e no interior da Bahia. Rafaela Nigri Silveira Duarte e Rafaela Oliveira Cardoso de Miranda enfatizaram a importância da capacitação de monitores para o manejo eficiente em creches de cães, evidenciando a interface entre comportamento agressivo em cães e a experiência e capacitação técnica de monitores, contribuindo para a interpretação funcional de padrões frequentemente negligenciados. Encerrando a noite, Isabelle Louise Aliganchuki trouxe uma análise comportamental de um gato do mato cativo de Herpailurus yagouaroundi sob diferentes níveis de visitação no Zoológico Municipal de Curitiba, articulando comportamento, estresse e manejo em contexto de cativeiro. A sexta-feira concentrou estudos voltados majoritariamente à espécie felina, além de uma abordagem com equinos, ampliando o espectro taxonômico e aplicado. Louise Caroline Bonfim Silva Casara apresentou a construção de um etograma de gato doméstico, fornecendo base sistematizada para análises futuras. Jessica Thompson de Oliveira investigou o comportamento social e lúdico em gatos, destacando sua relevância para o bem-estar. Monik Oprea abordou um comportamento incomum de tosse em felinos, contribuindo para a interface entre comportamento e clínica. Erika Cristina Paul analisou o comportamento de gatos em um abrigo na Noruega, trazendo uma perspectiva comparativa e contextual e levando reflexões a partir de uma experiência vivencial única e de muita dedicação. Paula Wolfgan Cieslinski Wendling discutiu o comportamento de gatos em tratamento de esporotricose, integrando aspectos sanitários e comportamentais. Por fim, Laís Honorato Rezende apresentou a análise do comportamento de equinos internados em hospital universitário em Sorocaba, evidenciando desafios e possibilidades de intervenção em ambiente clínico. O conjunto dos trabalhos evidencia uma formação que ultrapassa a dimensão técnica, alcançando maturidade analítica e compromisso ético com a transformação das realidades investigadas. As produções apresentadas demonstram elevado potencial de desdobramento em publicações científicas e no desenvolvimento de produtos e protocolos aplicáveis, capazes de qualificar práticas profissionais e promover melhorias concretas na vida dos animais. O encerramento desta turma ocorre com satisfação e reconhecimento pela consistência, competência e sensibilidade dos especialistas formados, evidenciando a maturidade alcançada na área de comportamento e bem-estar animal. A 5ª turma já está confirmada e ainda estamos recebendo inscrições. Nosso time de professores atuantes nas mais diversas áreas do bem-estar-animal convidam aos interessados para conhecerem mais de suas trajetórias e também a proposta do curso no endereço: https://estudenapuc.pucpr.br/pos-graduacao/cursos/avaliacao-do-comportamento-e-sua-aplicacao-no-bem-estar-animal-curitiba/segunda-feira, 6 de abril de 2026
Aranha-marrom: 30 anos de estudos biológicos, epidemiológicos e sociais
Por Marta Luciane Fischer
É com muita alegria e com um orgulho imenso que anuncio que em breve irmos lançar a publicação mais importante da minha vida: Aranha-marrom: 30 anos de estudos biológicos, epidemiológicos e sociais. O livro é uma convergência entre a trajetória a minha trajetória de vida e o processo científico que permitiu o conhecimento de uma espécie intrigante e apaixonante: a Loxosceles intermedia. O livro mostra como fazer ciência no Brasil diante de uma emergência ambiental e com nenhum conhecimento sobre o agente. Além disso, soma-se o fato de se tratar de uma aranha, um animal estigmatizado e intensificador de vulnerabilidades que precisam ser mitigadas. A obra sistematiza três décadas de investigações desenvolvidas a partir de um fenômeno emblemático observado em Curitiba, onde o loxoscelismo foi reconhecido oficialmente em 1993 como questão relevante de saúde pública. Foram registrados milhares de acidentes anuais, uma situação atípica não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro. Ao longo desse período, foram conduzidas dezenas de pesquisas que articularam dimensões biológicas, ecológicas, epidemiológicas e sociais, além de intervenções junto à população e à formação de novos pesquisadores. Parte expressiva desse conhecimento tem sido publicada por diferentes grupos de pesquisa, especialmente do Brasil, mas o livro também resgata dados inéditos e análises que permaneceram fora dos circuitos acadêmicos formais, agora revisitados à luz de novos referenciais. Na verdade, a ideia do livro se consolida quando me dou conta da quantidade enorme de dados que eu tinha guardado, fruto de 30 anos de pesquisas minhas e em colaboração com meus estudantes de biologia da Pontifica Universidade Católica do Paraná. Naquele momento passei a considerar imoral guardar dados de interesse público nos meus armários e decidi processá-los e reuni-los em uma obra única. A narrativa evidencia que o sucesso adaptativo da aranha-marrom resulta de uma interação complexa entre características da espécie, como o fato de ser generalista, resistente e capaz de explorar ambientes antrópicos, com condições ambientais favoráveis e práticas sociais que, muitas vezes, ampliam a exposição ao risco. Além disso, depois de 30 anos pesquisando essa aranha impar e peculiar, acredito que merece um espaço para ela. A L. intermedia foi registrada em outros países como a Argentina e também ocorrem em outras localidades do Brasil, mas foi em Curitiba que mostrou seu maior potencial. Apesar do acúmulo de conhecimento científico, a persistência de milhares de acidentes anuais revela um descompasso entre produção de conhecimento e sua efetiva incorporação em estratégias de prevenção e manejo. Assim, o livro desloca a discussão para além da biologia, ecologia e comportamento da espécie e propõe uma reflexão crítica: por que, após 30 anos, o problema permanece? A população está mais preparada ou mais vulnerável? A aranha-marrom tornou-se parte da paisagem urbana? Tais questões conduzem o leitor a uma abordagem bioética que integra saúde, ambiente e sociedade, propondo a construção de uma convivência ética e viável com a fauna sinantrópica. Outro eixo central da obra é a dimensão formativa e humana da ciência. A trajetória narrada revela uma rede extensa de colaboração entre instituições como a Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a Universidade Federal do Paraná e o Instituto Butantan, além de órgãos de saúde pública. Essa rede foi além das Instituições, envolveu mais de 68 pessoas, que contribuíram para os dados acontecerem, e talvez milhares de outras que não estão nos agradecimentos formais, mas que sem elas não haveria estrutura, base, eixo, para história acontecer e o livro de consolidar. São pessoas que conviveram no ambiente profissional e pessoal que vejo entrelaçadas em tudo que construí. Ao incorporar, mais recentemente, aportes da bioética ambiental e da perspectiva de saúde global, a obra amplia o escopo da análise. A relação entre humanos e aranhas passa a ser compreendida também sob dimensões emocionais, culturais e éticas, incluindo temas como biofobia, bem-estar de invertebrados e autocuidado coletivo. O enfrentamento do loxoscelismo deixa de ser apenas uma questão técnica e passa a demandar educação, diálogo e corresponsabilidade social. A preocupação em popularizar a ciência, levar esse livro para a sociedade em uma linguagem diversa, acessível e interativa viabilizou a construção de uma ferramenta de comunicação que antecedeu a publicação do livro, mas que caminham juntas nessa busca. O canal @aranha.marrom, traz os experimentos realizados pelos estudantes do Laboratório Núcleo do Comportamento Animal, componente do Grupo de Pesquisa Bioética Ambiental. Ali além de conteúdos associados diretamente com o conteúdo do livro, é possível acompanhar como se faz pesquisa com animais de interesse médico, especialmente na busca por um controle ético da aranha-marrom e um convívio mais consciente e conectado da população com a natureza, especialmente em Curitiba, uma cidade inteligente reconhecida nacional e internacionalmente por sua grande área verde que comporta plantas, mas também muitos animais. Séculos de urbanização, conduziram as pessoas a se desconectarem da natureza, e a volta da vida às cidades, trouxe coisas excelentes, mas também novos problemas, como se reconectar com os elementos naturais, como respeitar os espaços, como identificar o que de fato é risco. É assim, que essa obra finaliza, buscando contribuir para cidades biofílicas! Mais do que um balanço científico, o livro constitui um convite à reflexão crítica e à ação. Ao evidenciar que acidentes potencialmente evitáveis ainda resultam em sofrimento e perdas, a obra convoca pesquisadores, gestores e cidadãos a revisitar práticas, valores e políticas. A expectativa é que o conhecimento acumulado não apenas descreva o problema, mas contribua efetivamente para a redução de vulnerabilidades e para a construção de uma relação mais equilibrada entre sociedade e natureza. O lançamento desta obra representa, portanto, um marco não apenas para a aracnologia ou para a saúde pública, mas para a própria Bioética Ambiental aplicada ao cotidiano, ao evidenciar que compreender a vida em todas as suas formas é condição indispensável para preservá-la. Em breve irei informar o dia do lançamento e espero encontrá-los para um abraço e conexão nessa rede que dá sentido a tudo isso.sexta-feira, 27 de março de 2026
Entre galhos e raízes: sobre o modo como escolhemos pensar
por Cristiano Chiaramonti
Mestre em Sustentabilidade, Mestrando em Bioética
De forma complementar, o pensamento complexo propõe uma rearticulação entre os saberes, reconhecendo que os fenômenos não se deixam apreender fora das tramas que os constituem, de seus contextos e de suas múltiplas dimensões. Trata-se de um convite à ampliação do olhar, não para alcançar uma totalidade fechada, mas para habitar a incompletude, acolher a incerteza e reconhecer o entrelaçamento como condição que sustenta a vida. Conhecer deixa de ser separar para tornar-se relacionar. Um modo de pensar, menos ruidoso, menos imediato, que reconhece o tempo como condição da vida, que pondera e medita. Um pensamento que não se apressa em responder porque compreende que nenhuma pergunta nasce isolada. Cada questão carrega histórias, contextos, pertencimentos, memórias e futuros possíveis. Pensar de forma mais ampla exige reconhecer que o conhecimento não é linha reta, ele é tecido, é relação, é enraizamento. A árvore pensa com o corpo inteiro, suportando os seus galhos que competem entre si e que, em suas divergências, se espalham e coexistem em suas próprias verdades, sem que isso rompa a unidade que as sustenta.
Quando se opera apenas pela lógica da fragmentação, produzem-se soluções funcionais e, não raro, contextos adoecidos. Quando se amplia o horizonte da escuta, torna-se possível sustentar contradições, acolher divergências e reconhecer que ordem e desordem não se anulam, mas se entrelaçam. Talvez o desafio contemporâneo para as universidades, laboratórios, salas de aula e espaços de mentoria não consista em acelerar ainda mais o crescimento dos galhos, mas em fortalecer o enraizamento que sustenta o conjunto. Não se trata de abandonar a especialização, a técnica ou o rigor. Trata-se de reconectá-los à complexidade da vida que os torna possíveis. Entre galhos e raízes pode residir o futuro do pensamento, não aquele que cresce mais rápido, mas aquele que aprende a permanecer vivo. Que se cultivem modos de pensar que incluam, escutem e permaneçam.
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por Marta Luciane Fischer A Declaração Universal dos Direitos dos Rios surgiu de movimentos globais preocupados com a relação da humanidade...
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por Adrielle da Silva, Nathalia Alice de Almeida e Tenoch Yakecan Duanetto de Sousa Formandos em biologia Durante os debates políticos ...
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por Marta Luciane Fischer Meu corpo ainda reverbera tudo que vivemos ontem, dia 28 de novembro de 2025, nas comemorações dos 50 anos do Prog...











