sexta-feira, 27 de março de 2026

Entre galhos e raízes: sobre o modo como escolhemos pensar

 

por Cristiano Chiaramonti 

Mestre em Sustentabilidade, Mestrando em Bioética


A modernidade consolidou um modo de pensar orientado pela fragmentação, pela especialização e pela busca por respostas rápidas e eficientes. Esse paradigma simplificador, ancorado na racionalidade técnico-científica, permitiu avanços significativos nas diversas áreas do conhecimento, ao mesmo tempo em que instituiu separações entre sujeito e objeto, natureza e sociedade, ciência e filosofia. Uma forma de refletir que se acredita inteira, mas nasce estreito. Ele cresce rapidamente para fora, busca o sol, as estrelas, repete fórmulas, desvela certezas, projeta soluções, organiza respostas e, em grande parte, é eficiente, funcional e produtivo. Resolve antes de escutar, simplifica antes de compreender, confunde celeridade com profundidade. Esse modo de pensar expande-se como galho, visível, afirmativo, exposto ao tempo. Mas todo galho depende de algo que não se vê.

De forma complementar, o pensamento complexo propõe uma rearticulação entre os saberes, reconhecendo que os fenômenos não se deixam apreender fora das tramas que os constituem, de seus contextos e de suas múltiplas dimensões. Trata-se de um convite à ampliação do olhar, não para alcançar uma totalidade fechada, mas para habitar a incompletude, acolher a incerteza e reconhecer o entrelaçamento como condição que sustenta a vida. Conhecer deixa de ser separar para tornar-se relacionar. Um modo de pensar, menos ruidoso, menos imediato, que reconhece o tempo como condição da vida, que pondera e medita. Um pensamento que não se apressa em responder porque compreende que nenhuma pergunta nasce isolada. Cada questão carrega histórias, contextos, pertencimentos, memórias e futuros possíveis. Pensar de forma mais ampla exige reconhecer que o conhecimento não é linha reta, ele é tecido, é relação, é enraizamento. A árvore pensa com o corpo inteiro, suportando os seus galhos que competem entre si e que, em suas divergências, se espalham e coexistem em suas próprias verdades, sem que isso rompa a unidade que as sustenta.

Pensar de forma complexa implica deslocar o foco da linearidade para a teia de relações que constitui a vida, reconhecendo que toda forma de conhecimento emerge de contextos históricos, sociais, políticos e ambientais que a permeiam. A interação entre fragmentação e complexidade não se restringe ao campo epistemológico, mas desdobra-se nas formas de viver, decidir e se relacionar com os outros, humanos e não humanos, indicando que compreender não é apenas explicar, mas sustentar as interações, os vínculos e as interdependências que tornam a existência possível. Enquanto o galho busca respostas e mede resultados, a árvore sustenta perguntas e percebe os contextos. O galho fala alto, a árvore escuta o silêncio, o solo, os fungos, a água subterrânea, os outros vivos que a perpassam sem pedir licença. Há uma ética implicada nesse modo de pensar como a árvore. Uma ética que não se coloca no centro, mas em relação, que compreende que existir é conviver, que reconhece que humanos e não humanos participam do mesmo entrelaçamento de mundo.

Quando se opera apenas pela lógica da fragmentação, produzem-se soluções funcionais e, não raro, contextos adoecidos. Quando se amplia o horizonte da escuta, torna-se possível sustentar contradições, acolher divergências e reconhecer que ordem e desordem não se anulam, mas se entrelaçam. Talvez o desafio contemporâneo para as universidades, laboratórios, salas de aula e espaços de mentoria não consista em acelerar ainda mais o crescimento dos galhos, mas em fortalecer o enraizamento que sustenta o conjunto. Não se trata de abandonar a especialização, a técnica ou o rigor. Trata-se de reconectá-los à complexidade da vida que os torna possíveis. Entre galhos e raízes pode residir o futuro do pensamento, não aquele que cresce mais rápido, mas aquele que aprende a permanecer vivo. Que se cultivem modos de pensar que incluam, escutem e permaneçam.

terça-feira, 24 de março de 2026

Lançamento on-line do livro "Blue University: a Universidade e a justiça das águas"

 



O lançamento on-line do livro Blue University e a justiça das águas foi realizado no dia 23 de março de 2026, às 19 horas, por meio da plataforma Zoom, reunindo diversos participantes entre docentes, pesquisadores, estudantes e representantes institucionais. A atividade configurou-se como um espaço ampliado de difusão científica e articulação interinstitucional, alinhado à celebração do Dia Mundial da Água e à consolidação da agenda da justiça hídrica no âmbito acadêmico. O evento foi conduzido pelos organizadores, Prof. Dr. Elias Wolff e Profa. Dra. Marta Luciane Fischer, que apresentaram a proposta da obra, destacando seu caráter coletivo e interdisciplinar, bem como sua inserção no movimento global Blue Community e na perspectiva das Blue Universities. o Coordenador do Programa de Pós Graduação em Teologia Dr. Rudolf Eduard Von Sinner proferiu uma importante fala sobre a trajetória do programa na temática, sendo enfatizada a compreensão da água como direito humano universal, bem comum e elemento estruturante de justiça socioambiental. Na sequência, autores presentes contribuíram com a apresentação de seus capítulos e experiências, enquanto aqueles que estiveram presentes durante o lançamento presencial foram apresentados pela Dra. Marta. O Prof. Gilberto Coelho compartilhou a trajetória da Universidade Federal de Lavras, evidenciando práticas institucionais consolidadas em gestão hídrica, eliminação de plásticos descartáveis e adaptação às mudanças climáticas. A deputada Leninha trouxe a dimensão política da temática, destacando sua atuação em defesa da água como direito fundamental, a resistência à privatização e o desenvolvimento de tecnologias sociais em comunidades, especialmente em contextos rurais.  A Profa. Vera Catalão apresentou uma reflexão sensível e analítica sobre a água em sua dimensão simbólica, relacional e poética, ampliando o debate para além dos aspectos técnicos e aproximando-o das experiências humanas e culturais. A Profa. Marta Luciane Fischer, ao apresentar resultados de pesquisas em bioética ambiental, evidenciou lacunas no entendimento institucional sobre o conceito de Blue University e destacou a necessidade de fortalecer processos de letramento hídrico e engajamento da comunidade acadêmica. Também foram abordadas as investigações conduzidas por Thierry Lummertz, relacionadas ao reconhecimento do rio Belém como sujeito de direito, articulando ciência, ética e participação social. O Prof. Dr. Elias Wolff reforçou o papel da universidade como agente de transformação diante da crise hídrica contemporânea, destacando a certificação da PUCPR como Blue University e a responsabilidade institucional na promoção de práticas sustentáveis e de justiça hídrica. Sua fala enfatizou a necessidade de superar a lógica da mercantilização da água, reafirmando-a como dom, bem comum e direito. O evento integrou ainda a abordagem do tema “Água e gênero”, com a participação da Profa. Dra. Andréia Cristina Serrato, que apresentou a água como lugar teológico, articulando dignidade, gênero e justiça na perspectiva ecofeminista. Sua exposição evidenciou como a crise hídrica afeta de forma desigual mulheres e meninas, destacando a sobrecarga associada ao acesso à água e a necessidade de transformação dessas estruturas por meio de abordagens críticas e interdisciplinares. A interação entre os participantes favoreceu a construção de um ambiente de diálogo e troca de experiências, permitindo a articulação de encaminhamentos voltados à divulgação da obra, ao fortalecimento de parcerias e ao desenvolvimento de ações educativas e institucionais. O lançamento on-line consolidou-se, assim, como um espaço estratégico de circulação de conhecimento e fortalecimento de redes, reafirmando o papel da universidade na construção de respostas coletivas frente aos desafios contemporâneos relacionados à água e à justiça socioambiental.

Agradecimento aos autores 

 


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segunda-feira, 23 de março de 2026

Dia internacional da água 2026: Salve-se quem puder? ou Me ajuda a te ajudar? qual é o seu movimento?

 


Na continuidade da programação do Dia Mundial da Água 2026, destacou-se a ação conduzida pelo Clube da Água da PUCPR, sob a liderança de seu presidente, Tierry Lummertz, que assumiu o papel simbólico do “Potter do Futuro” para mobilizar a comunidade acadêmica em torno da justiça hídrica. A iniciativa teve como objetivo convocar a juventude universitária para uma concentração coletiva, com vistas a marcar presença em âmbito nacional e internacional, reafirmando o compromisso com o acesso universal à água potável para todos os seres vivos, a não mercantilização da água e a interrupção do uso de plásticos de uso único.

A concentração ocorreu no dia 23 de março, às 11 horas, em frente à Biblioteca da PUCPR, reunindo especialmente estudantes do curso de Ciências Biológicas. Após um momento inicial de acolhimento e contextualização sobre o significado do Dia Mundial da Água, o grupo foi conduzido para um espaço arborizado, onde a atividade foi organizada de forma a favorecer a participação coletiva. 
 
Nesse ambiente, iniciou-se a dinâmica conduzida pelo “Potter do Futuro”, com a apresentação das orientações e dos dois polos de escolha: “me ajuda a te ajudar”, representando a ação coletiva e a responsabilidade compartilhada, e “salve-se quem puder”, associado à inércia e à individualização das respostas frente à crise hídrica.

As primeiras rodadas evidenciaram um reconhecimento comum da importância da cooperação, com os participantes se posicionando majoritariamente em favor da ação coletiva. A partir dessa resposta, a condução da atividade avançou para um nível mais aprofundado de reflexão, no qual o “Potter do Futuro” passou a instigar o grupo a problematizar como esses princípios podem ser efetivamente incorporados no cotidiano. Esse movimento permitiu deslocar a dinâmica de um plano de concordância conceitual para um espaço de construção de sentido e de possibilidades concretas de ação.

Ao longo das rodadas, fundamentadas em dados científicos sobre a crise hídrica, saneamento, desigualdades sociais, mudanças climáticas e poluição por plásticos, os participantes foram convidados a relacionar conhecimento e posicionamento ético, transformando informação em decisão. A atividade foi gradualmente intensificando o envolvimento dos estudantes, promovendo um ambiente de escuta, reflexão e engajamento, no qual emergiram questionamentos sobre responsabilidade individual e coletiva, bem como sobre caminhos possíveis para atuação prática.

A condução do “Potter do Futuro” incorporou a apresentação de alternativas e soluções, contribuindo para aproximar os participantes de estratégias concretas de engajamento. A experiência favoreceu um processo de sensibilização crítica, no qual os conteúdos mobilizados ultrapassaram o plano informativo, estimulando a internalização dos princípios discutidos e sua potencial tradução em ações futuras.

A atividade foi finalizada com a convergência dos participantes para um ponto comum, simbolizando a construção coletiva de respostas frente aos desafios hídricos contemporâneos. A ação do Clube da Água consolidou-se, assim, como uma prática pedagógica inovadora, ao articular ciência, bioética ambiental e participação ativa, fortalecendo o papel da juventude universitária como agente central na promoção da justiça hídrica e na construção de uma sociedade comprometida com a água como direito humano universal.

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Lançamento presencial do LivroBlue University e a justiça das águas

 

 Blue University: A Universidade e a Justiça das Águas

O lançamento presencial do livro Blue University e a justiça das águas, realizado em 23 de março de 2026, na Arena Digital da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, constituiu um momento de articulação entre produção científica, compromisso institucional e engajamento social em torno da temática da água. A atividade integrou a programação do Dia Mundial da Água 2026, ampliando o alcance do evento ao conectar a difusão do conhecimento acadêmico com a reflexão sobre desafios contemporâneos relacionados à justiça hídrica.

O evento reuniu docentes, pesquisadores, estudantes e autoridades acadêmicas, consolidando-se como espaço de diálogo interdisciplinar. Contou com a presença da Profa. Dra. Caroline Filla Rosaneli, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Bioética, do Prof. Dr. Rudolf Eduard Von Sinner, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Teologia, do decano da Escola de Educação e Humanidades, e do Prof. Dr. César Candiotto e da coordenadora do Curso de Ciências Biológicas da Escola de Medicina e Ciências da vida, cuja atuação fortalece a interface entre filosofia, ética e questões socioambientais. A participação dessas lideranças evidenciou o apoio institucional à consolidação da agenda da água como eixo estratégico de formação, pesquisa e atuação social.

 

A apresentação da obra destacou seu caráter coletivo e interdisciplinar, reunindo contribuições de diferentes áreas do conhecimento e níveis de formação acadêmica. Os organizadores, Prof. Dr. Elias Wolff e Profa. Dra. Marta Luciane Fischer, conduziram a exposição dos principais eixos do livro, evidenciando a inserção do movimento Blue Community em escala global, a experiência de implementação da proposta de Blue University no contexto brasileiro e as análises empíricas sobre a percepção da comunidade acadêmica em relação à água. Na ocasião, estiveram presentes o Dr. Jelson e Dr. Gregori,  o Dr. Elias, Dr. Luiz Bianchini, Dr. Elias Woll, a Dra. MArta Fischer e suas co-autoras Carina Sandrini, Laissa Lara, Nayara Tortato e Caroline Rosaneli; o doutorando e presidente do clube da água Thierry Lummertz e a equipe da infraesturtura representada pela Elaine Kurscheidt, Ana Mos e Jonas Kossar. A fala dos autores presentes reforçou a diversidade temática da obra e a construção colaborativa do conhecimento, articulando dimensões teológicas, bioéticas, educacionais, institucionais e socioambientais. 
Na sequência do lançamento e das falas dos autores, o evento avançou para um momento formativo alinhado ao tema do Dia Mundial da Água 2026, “Água e gênero”. Foi realizada a palestra intitulada A água como lugar teológico: dignidade, gênero e justiça na perspectiva ecofeminista, ministrada pela Profa. Dra. Andréia Cristina Serrato, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Teologia. A exposição abordou a água como categoria teológica e ética, evidenciando sua centralidade na promoção da dignidade humana e na construção de justiça socioambiental, com ênfase nas desigualdades de gênero associadas ao acesso, uso e gestão dos recursos hídricos. A perspectiva ecofeminista permitiu ampliar a compreensão da água como espaço de disputa, cuidado e resistência, articulando dimensões simbólicas, materiais e políticas. 
O evento consolidou-se, portanto, como um marco na trajetória da PUCPR enquanto Blue University, ao integrar produção científica, reflexão crítica e compromisso ético com a água como direito humano universal. A articulação entre o lançamento da obra e a temática do Dia Mundial da Água evidenciou a capacidade da universidade de promover espaços de diálogo qualificado e de mobilizar diferentes saberes na construção de respostas aos desafios socioambientais contemporâneos.
 
 
 


 
 
 
 
Repercussão: 
 Blue Community: https://blue-community.net/2026/03/blue-university-book-launch/
 

sexta-feira, 13 de março de 2026

Workshop internacional discute o conceito de “fome de água” em Moçambique

 No dia 13 de março de 2026, às 10h (horário de Moçambique), realizou-se um workshop internacional dedicado à discussão do conceito de “fome de água” e à organização de um livro coletivo sobre os desafios hídricos enfrentados em Moçambique. O encontro reuniu pesquisadores e profissionais de diferentes áreas com o objetivo de articular conhecimento científico, experiências locais e reflexões éticas sobre a gestão da água no país. A atividade foi organizada pela Professora Marta Fischer, Líder do Grupo de pesquisa Bioética Ambiental, do Programa de Pós-graduação em Bioética, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), em parceria com o pesquisador Trindade Chapare, atualmente em estágio de pós-doutorado sob sua supervisão. O encontro contou com a participação de pesquisadores moçambicanos e colaboradores convidados, que se reuniram para debater os fundamentos conceituais da proposta e estruturar a produção coletiva do livro. Durante o workshop, Trindade Chapare apresentou o conceito de “fome de água”, entendido como uma condição que ultrapassa a simples escassez hídrica. O termo foi discutido como uma expressão das múltiplas formas de privação associadas à água, envolvendo acesso desigual, vulnerabilidade social, limitações econômicas e perda de dignidade humana. A proposta analítica busca compreender como a falta de acesso seguro à água afeta simultaneamente sistemas biológicos, ambientais e sociais, constituindo um fenômeno complexo que exige abordagens interdisciplinares.  A discussão destacou três pilares conceituais centrais da pesquisa em desenvolvimento: direitos humanos, vulnerabilidade e bioética. Nesse contexto, foi enfatizado que a crise hídrica não pode ser compreendida apenas como um problema técnico de infraestrutura ou abastecimento, mas como um desafio ético, político e social, que envolve governança, justiça ambiental e participação cidadã.  O workshop também abordou paradoxos contemporâneos relacionados à água, incluindo desperdício, excesso em determinadas regiões, desigualdade na distribuição e o impacto de tecnologias e modelos de desenvolvimento que intensificam a pressão sobre os recursos hídricos. Foi lembrado que crises recentes, como a pandemia de COVID-19, evidenciaram a fragilidade das sociedades diante de problemas estruturais ligados à segurança hídrica, alimentar e sanitária. Outro eixo central do encontro foi a discussão da bioética ambiental aplicada à gestão da água.
Os participantes destacaram a necessidade de integrar conhecimento científico, saberes tradicionais e mobilização social para enfrentar os desafios associados à proteção dos recursos hídricos. Foi ressaltado que a responsabilidade pela preservação da água não pode recair exclusivamente sobre o Estado ou sobre grandes empresas, exigindo engajamento coletivo e participação ativa da sociedade.  Como resultado do encontro, foi apresentada a estrutura do livro em elaboração, que deverá reunir contribuições de especialistas de diferentes áreas e instituições. A obra será organizada em cinco grandes partes, contemplando a fundamentação histórica e conceitual da problemática da água, as relações entre água e território, as dimensões sociais da crise hídrica, os desafios de governança e justiça hídrica e, por fim, as reflexões éticas relacionadas à água. Entre os temas previstos nos capítulos estão hidrografia de Moçambique, história e colonização, biodiversidade, mudanças climáticas, saneamento, saúde, espiritualidade, turismo e gestão de bacias hidrográficas. Cada capítulo será desenvolvido por especialistas convidados, com o objetivo de construir uma obra que apresente uma visão abrangente e multidisciplinar da relação entre sociedade, ambiente e água no contexto moçambicano.  Durante o workshop, pesquisadores também compartilharam resultados de estudos em andamento. Entre as contribuições apresentadas, destacou-se uma investigação sobre qualidade da água e saúde pública em Moçambique, que revelou problemas associados ao consumo de água canalizada de baixa qualidade e resultou na elaboração de recomendações encaminhadas às autoridades competentes.  As discussões também abordaram dimensões culturais e simbólicas da água. Foi ressaltado que a degradação ambiental, especialmente a poluição de rios e fontes de água, pode afetar não apenas a saúde das populações, mas também identidades culturais, valores espirituais e a autoestima coletiva das comunidades. Ao final do encontro, os participantes reforçaram o compromisso de desenvolver uma obra que valorize vozes moçambicanas na análise da crise hídrica, contribuindo para ampliar o debate internacional sobre justiça ambiental e gestão sustentável da água. Assim, a expectativa é que no próximo semestre já tenhamos uma obra conjunta para ser partilhada com a sociedade internacional.  A iniciativa busca consolidar uma reflexão interdisciplinar que articule ciência, ética e compromisso social, destacando a centralidade da água para a dignidade humana, para a proteção dos ecossistemas e para a construção de futuros mais justos e sustentáveis.