sábado, 11 de abril de 2026

Fechamento da 4a turma da m Avaliação do Comportamento e sua Aplicação no Bem-estar Animal

 

Nos dias 8, 9 e 10 de abril de 20206 ocorreu o enceramento da 4ª turma da especialização em Avaliação do Comportamento e sua Aplicação no Bem-estar Animal  marcado por uma sequência de apresentações que evidenciaram densidade analítica, diversidade temática e forte potencial de aplicação prática e científica. Os trabalhos demonstraram  domínio técnico, criatividade metodológica e capacidade de transpor os resultados para diferentes contextos profissionais, especialmente no aprimoramento da relação entre tutores e animais de companhia, com foco na qualificação da comunicação e na promoção do bem-estar animal. A programação teve início na quarta-feira com a abordagem das relações interespecíficas em contextos domésticos. Catarina Peixoto da Silva analisou o vínculo entre caninos e felinos em famílias multiespécie, evidenciando dinâmicas de convivência e estratégias de mediação comportamental. Na sequência, Ligia do Amaral Fernandes e Vitória Kimie apresentaram os efeitos de uma intervenção baseada em reforço positivo em cães, demonstrando a eficácia de protocolos estruturados na modificação comportamental e na melhoria da qualidade de vida. Na quinta-feira, os trabalhos avançaram sobre dimensões clínicas, sociais e aplicadas do comportamento animal. Bianca Santana da Silva discutiu os transtornos de vínculo em cães, destacando implicações para o manejo e a intervenção. Clara Freitas Cordeiro e Brenda Caroline de Melo exploraram o enriquecimento ambiental como estratégia para mitigar a ansiedade de separação, articulando diagnóstico e intervenção. 

 Maria Paula Mansur Mäder e Áurea Aragão Caribé Dias analisaram a dinâmica comportamental e a competência social canina, ampliando a compreensão das interações intraespecíficas realizando uma linda comparação entre a relação de crianças e cães docimciliados e comunitários em Curitiba e no interior da Bahia. Rafaela Nigri Silveira Duarte e Rafaela Oliveira Cardoso de Miranda enfatizaram a importância da capacitação de monitores para o manejo eficiente em creches de cães, evidenciando a interface entre comportamento agressivo em cães e a experiência e capacitação técnica de monitores, contribuindo para a interpretação funcional de padrões frequentemente negligenciados. Encerrando a noite, Isabelle Louise Aliganchuki trouxe uma análise comportamental de um gato do mato cativo de Herpailurus yagouaroundi sob diferentes níveis de visitação no Zoológico Municipal de Curitiba, articulando comportamento, estresse e manejo em contexto de cativeiro. A sexta-feira concentrou estudos voltados majoritariamente à espécie felina, além de uma abordagem com equinos, ampliando o espectro taxonômico e aplicado. Louise Caroline Bonfim Silva Casara apresentou a construção de um etograma de gato doméstico, fornecendo base sistematizada para análises futuras. Jessica Thompson de Oliveira investigou o comportamento social e lúdico em gatos, destacando sua relevância para o bem-estar. Monik Oprea abordou um comportamento incomum de tosse em felinos, contribuindo para a interface entre comportamento e clínica. Erika Cristina Paul analisou o comportamento de gatos em um abrigo na Noruega, trazendo uma perspectiva comparativa e contextual e levando reflexões a partir de uma experiência vivencial única e de muita dedicação. Paula Wolfgan Cieslinski Wendling discutiu o comportamento de gatos em tratamento de esporotricose, integrando aspectos sanitários e comportamentais. Por fim, Laís Honorato Rezende apresentou a análise do comportamento de equinos internados em hospital universitário em Sorocaba, evidenciando desafios e possibilidades de intervenção em ambiente clínico. O conjunto dos trabalhos evidencia uma formação que ultrapassa a dimensão técnica, alcançando maturidade analítica e compromisso ético com a transformação das realidades investigadas. As produções apresentadas demonstram elevado potencial de desdobramento em publicações científicas e no desenvolvimento de produtos e protocolos aplicáveis, capazes de qualificar práticas profissionais e promover melhorias concretas na vida dos animais. O encerramento desta turma ocorre com satisfação e reconhecimento pela consistência, competência e sensibilidade dos especialistas formados, evidenciando a maturidade alcançada na área de comportamento e bem-estar animal. 

A 5ª turma já está confirmada e ainda estamos recebendo inscrições. Nosso time de professores atuantes nas mais diversas áreas do bem-estar-animal convidam aos interessados para conhecerem mais de suas trajetórias e também a proposta do curso  no endereço: https://estudenapuc.pucpr.br/pos-graduacao/cursos/avaliacao-do-comportamento-e-sua-aplicacao-no-bem-estar-animal-curitiba/

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Aranha-marrom: 30 anos de estudos biológicos, epidemiológicos e sociais

 Por Marta Luciane Fischer


É com muita alegria e com um orgulho imenso que anuncio que em breve irmos lançar a publicação mais importante da minha vida: Aranha-marrom: 30 anos de estudos biológicos, epidemiológicos e sociais. O livro é uma convergência entre a trajetória a minha trajetória de vida e o processo científico que permitiu o conhecimento de uma espécie intrigante e apaixonante: a Loxosceles intermedia. O livro mostra como fazer ciência no Brasil diante de uma emergência ambiental e com nenhum conhecimento sobre o agente. Além disso, soma-se o fato de se tratar de uma aranha, um animal estigmatizado e intensificador de vulnerabilidades que precisam ser mitigadas. A obra sistematiza três décadas de investigações desenvolvidas a partir de um fenômeno emblemático observado em Curitiba, onde o loxoscelismo foi reconhecido oficialmente em 1993 como questão relevante de saúde pública. Foram registrados milhares de acidentes anuais, uma situação atípica não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro. Ao longo desse período, foram conduzidas dezenas de pesquisas que articularam dimensões biológicas, ecológicas, epidemiológicas e sociais, além de intervenções junto à população e à formação de novos pesquisadores. Parte expressiva desse conhecimento tem sido publicada por diferentes grupos de pesquisa, especialmente do Brasil, mas o livro também resgata dados inéditos e análises que permaneceram fora dos circuitos acadêmicos formais, agora revisitados à luz de novos referenciais. Na verdade, a ideia do livro se consolida quando me dou conta da quantidade enorme de dados que eu tinha guardado, fruto de 30 anos de pesquisas minhas e em colaboração com meus estudantes de biologia da Pontifica Universidade Católica do Paraná. Naquele momento passei a considerar imoral guardar dados de interesse público nos meus armários e decidi processá-los e reuni-los em uma obra única. A narrativa evidencia que o sucesso adaptativo da aranha-marrom resulta de uma interação complexa entre características da espécie, como o fato de ser generalista, resistente e capaz de explorar ambientes antrópicos, com condições ambientais favoráveis e práticas sociais que, muitas vezes, ampliam a exposição ao risco. Além disso, depois de 30 anos pesquisando essa aranha impar e peculiar, acredito que merece um espaço para ela.
A L. intermedia foi registrada em outros países como a Argentina e também ocorrem em outras localidades do Brasil, mas foi em Curitiba que mostrou seu maior potencial. Apesar do acúmulo de conhecimento científico, a persistência de milhares de acidentes anuais revela um descompasso entre produção de conhecimento e sua efetiva incorporação em estratégias de prevenção e manejo. Assim, o livro desloca a discussão para além da biologia, ecologia e comportamento da espécie e propõe uma reflexão crítica: por que, após 30 anos, o problema permanece? A população está mais preparada ou mais vulnerável? A aranha-marrom tornou-se parte da paisagem urbana? Tais questões conduzem o leitor a uma abordagem bioética que integra saúde,  ambiente e sociedade, propondo a construção de uma convivência ética e viável com a fauna sinantrópica. Outro eixo central da obra é a dimensão formativa e humana da ciência. A trajetória narrada revela uma rede extensa de colaboração entre instituições como a Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a Universidade Federal do Paraná e o Instituto Butantan, além de órgãos de saúde pública. Essa rede foi além das Instituições, envolveu mais de 68 pessoas, que contribuíram para os dados acontecerem, e talvez milhares de outras que não estão nos agradecimentos formais, mas que sem elas não haveria estrutura, base, eixo, para história acontecer e o livro de consolidar. São pessoas que conviveram no ambiente profissional e pessoal que vejo entrelaçadas em tudo que construí.   Ao incorporar, mais recentemente, aportes da bioética ambiental e da perspectiva de saúde global, a obra amplia o escopo da análise. A relação entre humanos e aranhas passa a ser compreendida também sob dimensões emocionais, culturais e éticas, incluindo temas como biofobia, bem-estar de invertebrados e autocuidado coletivo. O enfrentamento do loxoscelismo deixa de ser apenas uma questão técnica e passa a demandar educação, diálogo e corresponsabilidade social. A preocupação em popularizar a ciência, levar esse livro para a sociedade em uma linguagem diversa, acessível e interativa viabilizou a construção de uma ferramenta de comunicação que antecedeu a publicação do livro, mas que caminham juntas nessa busca.
O canal @aranha.marrom, traz os experimentos realizados pelos estudantes do Laboratório Núcleo do Comportamento Animal, componente do Grupo de Pesquisa Bioética Ambiental. Ali além de conteúdos associados diretamente com o conteúdo do livro, é possível acompanhar como se faz pesquisa com  animais de interesse médico, especialmente na busca por um controle ético da aranha-marrom e um convívio mais consciente e conectado da população com a natureza, especialmente em Curitiba, uma cidade inteligente reconhecida nacional e internacionalmente por sua grande área verde que comporta plantas, mas também muitos animais. Séculos de urbanização, conduziram as pessoas a se desconectarem da natureza, e a volta da vida às cidades, trouxe coisas excelentes, mas também novos problemas, como se reconectar com os elementos naturais, como respeitar os espaços, como identificar o que de fato é risco. É assim, que essa obra finaliza, buscando contribuir para cidades biofílicas! Mais do que um balanço científico, o livro constitui um convite à reflexão crítica e à ação. Ao evidenciar que acidentes potencialmente evitáveis ainda resultam em sofrimento e perdas, a obra convoca pesquisadores, gestores e cidadãos a revisitar práticas, valores e políticas. A expectativa é que o conhecimento acumulado não apenas descreva o problema, mas contribua efetivamente para a redução de vulnerabilidades e para a construção de uma relação mais equilibrada entre sociedade e natureza. O lançamento desta obra representa, portanto, um marco não apenas para a aracnologia ou para a saúde pública, mas para a própria Bioética Ambiental aplicada ao cotidiano, ao evidenciar que compreender a vida  em todas as suas formas  é condição indispensável para preservá-la.  Em breve irei informar o dia do lançamento e espero encontrá-los para um abraço e conexão nessa rede que dá sentido a tudo isso.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Entre galhos e raízes: sobre o modo como escolhemos pensar

 

por Cristiano Chiaramonti 

Mestre em Sustentabilidade, Mestrando em Bioética


A modernidade consolidou um modo de pensar orientado pela fragmentação, pela especialização e pela busca por respostas rápidas e eficientes. Esse paradigma simplificador, ancorado na racionalidade técnico-científica, permitiu avanços significativos nas diversas áreas do conhecimento, ao mesmo tempo em que instituiu separações entre sujeito e objeto, natureza e sociedade, ciência e filosofia. Uma forma de refletir que se acredita inteira, mas nasce estreito. Ele cresce rapidamente para fora, busca o sol, as estrelas, repete fórmulas, desvela certezas, projeta soluções, organiza respostas e, em grande parte, é eficiente, funcional e produtivo. Resolve antes de escutar, simplifica antes de compreender, confunde celeridade com profundidade. Esse modo de pensar expande-se como galho, visível, afirmativo, exposto ao tempo. Mas todo galho depende de algo que não se vê.

De forma complementar, o pensamento complexo propõe uma rearticulação entre os saberes, reconhecendo que os fenômenos não se deixam apreender fora das tramas que os constituem, de seus contextos e de suas múltiplas dimensões. Trata-se de um convite à ampliação do olhar, não para alcançar uma totalidade fechada, mas para habitar a incompletude, acolher a incerteza e reconhecer o entrelaçamento como condição que sustenta a vida. Conhecer deixa de ser separar para tornar-se relacionar. Um modo de pensar, menos ruidoso, menos imediato, que reconhece o tempo como condição da vida, que pondera e medita. Um pensamento que não se apressa em responder porque compreende que nenhuma pergunta nasce isolada. Cada questão carrega histórias, contextos, pertencimentos, memórias e futuros possíveis. Pensar de forma mais ampla exige reconhecer que o conhecimento não é linha reta, ele é tecido, é relação, é enraizamento. A árvore pensa com o corpo inteiro, suportando os seus galhos que competem entre si e que, em suas divergências, se espalham e coexistem em suas próprias verdades, sem que isso rompa a unidade que as sustenta.

Pensar de forma complexa implica deslocar o foco da linearidade para a teia de relações que constitui a vida, reconhecendo que toda forma de conhecimento emerge de contextos históricos, sociais, políticos e ambientais que a permeiam. A interação entre fragmentação e complexidade não se restringe ao campo epistemológico, mas desdobra-se nas formas de viver, decidir e se relacionar com os outros, humanos e não humanos, indicando que compreender não é apenas explicar, mas sustentar as interações, os vínculos e as interdependências que tornam a existência possível. Enquanto o galho busca respostas e mede resultados, a árvore sustenta perguntas e percebe os contextos. O galho fala alto, a árvore escuta o silêncio, o solo, os fungos, a água subterrânea, os outros vivos que a perpassam sem pedir licença. Há uma ética implicada nesse modo de pensar como a árvore. Uma ética que não se coloca no centro, mas em relação, que compreende que existir é conviver, que reconhece que humanos e não humanos participam do mesmo entrelaçamento de mundo.

Quando se opera apenas pela lógica da fragmentação, produzem-se soluções funcionais e, não raro, contextos adoecidos. Quando se amplia o horizonte da escuta, torna-se possível sustentar contradições, acolher divergências e reconhecer que ordem e desordem não se anulam, mas se entrelaçam. Talvez o desafio contemporâneo para as universidades, laboratórios, salas de aula e espaços de mentoria não consista em acelerar ainda mais o crescimento dos galhos, mas em fortalecer o enraizamento que sustenta o conjunto. Não se trata de abandonar a especialização, a técnica ou o rigor. Trata-se de reconectá-los à complexidade da vida que os torna possíveis. Entre galhos e raízes pode residir o futuro do pensamento, não aquele que cresce mais rápido, mas aquele que aprende a permanecer vivo. Que se cultivem modos de pensar que incluam, escutem e permaneçam.

terça-feira, 24 de março de 2026

Lançamento on-line do livro "Blue University: a Universidade e a justiça das águas"

 



O lançamento on-line do livro Blue University e a justiça das águas foi realizado no dia 23 de março de 2026, às 19 horas, por meio da plataforma Zoom, reunindo diversos participantes entre docentes, pesquisadores, estudantes e representantes institucionais. A atividade configurou-se como um espaço ampliado de difusão científica e articulação interinstitucional, alinhado à celebração do Dia Mundial da Água e à consolidação da agenda da justiça hídrica no âmbito acadêmico. O evento foi conduzido pelos organizadores, Prof. Dr. Elias Wolff e Profa. Dra. Marta Luciane Fischer, que apresentaram a proposta da obra, destacando seu caráter coletivo e interdisciplinar, bem como sua inserção no movimento global Blue Community e na perspectiva das Blue Universities. o Coordenador do Programa de Pós Graduação em Teologia Dr. Rudolf Eduard Von Sinner proferiu uma importante fala sobre a trajetória do programa na temática, sendo enfatizada a compreensão da água como direito humano universal, bem comum e elemento estruturante de justiça socioambiental. Na sequência, autores presentes contribuíram com a apresentação de seus capítulos e experiências, enquanto aqueles que estiveram presentes durante o lançamento presencial foram apresentados pela Dra. Marta. O Prof. Gilberto Coelho compartilhou a trajetória da Universidade Federal de Lavras, evidenciando práticas institucionais consolidadas em gestão hídrica, eliminação de plásticos descartáveis e adaptação às mudanças climáticas. A deputada Leninha trouxe a dimensão política da temática, destacando sua atuação em defesa da água como direito fundamental, a resistência à privatização e o desenvolvimento de tecnologias sociais em comunidades, especialmente em contextos rurais.  A Profa. Vera Catalão apresentou uma reflexão sensível e analítica sobre a água em sua dimensão simbólica, relacional e poética, ampliando o debate para além dos aspectos técnicos e aproximando-o das experiências humanas e culturais. A Profa. Marta Luciane Fischer, ao apresentar resultados de pesquisas em bioética ambiental, evidenciou lacunas no entendimento institucional sobre o conceito de Blue University e destacou a necessidade de fortalecer processos de letramento hídrico e engajamento da comunidade acadêmica. Também foram abordadas as investigações conduzidas por Thierry Lummertz, relacionadas ao reconhecimento do rio Belém como sujeito de direito, articulando ciência, ética e participação social. O Prof. Dr. Elias Wolff reforçou o papel da universidade como agente de transformação diante da crise hídrica contemporânea, destacando a certificação da PUCPR como Blue University e a responsabilidade institucional na promoção de práticas sustentáveis e de justiça hídrica. Sua fala enfatizou a necessidade de superar a lógica da mercantilização da água, reafirmando-a como dom, bem comum e direito. O evento integrou ainda a abordagem do tema “Água e gênero”, com a participação da Profa. Dra. Andréia Cristina Serrato, que apresentou a água como lugar teológico, articulando dignidade, gênero e justiça na perspectiva ecofeminista. Sua exposição evidenciou como a crise hídrica afeta de forma desigual mulheres e meninas, destacando a sobrecarga associada ao acesso à água e a necessidade de transformação dessas estruturas por meio de abordagens críticas e interdisciplinares. A interação entre os participantes favoreceu a construção de um ambiente de diálogo e troca de experiências, permitindo a articulação de encaminhamentos voltados à divulgação da obra, ao fortalecimento de parcerias e ao desenvolvimento de ações educativas e institucionais. O lançamento on-line consolidou-se, assim, como um espaço estratégico de circulação de conhecimento e fortalecimento de redes, reafirmando o papel da universidade na construção de respostas coletivas frente aos desafios contemporâneos relacionados à água e à justiça socioambiental.

Agradecimento aos autores 

 


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Repercussão:  

segunda-feira, 23 de março de 2026

Dia internacional da água 2026: Salve-se quem puder? ou Me ajuda a te ajudar? qual é o seu movimento?

 


Na continuidade da programação do Dia Mundial da Água 2026, destacou-se a ação conduzida pelo Clube da Água da PUCPR, sob a liderança de seu presidente, Tierry Lummertz, que assumiu o papel simbólico do “Potter do Futuro” para mobilizar a comunidade acadêmica em torno da justiça hídrica. A iniciativa teve como objetivo convocar a juventude universitária para uma concentração coletiva, com vistas a marcar presença em âmbito nacional e internacional, reafirmando o compromisso com o acesso universal à água potável para todos os seres vivos, a não mercantilização da água e a interrupção do uso de plásticos de uso único.

A concentração ocorreu no dia 23 de março, às 11 horas, em frente à Biblioteca da PUCPR, reunindo especialmente estudantes do curso de Ciências Biológicas. Após um momento inicial de acolhimento e contextualização sobre o significado do Dia Mundial da Água, o grupo foi conduzido para um espaço arborizado, onde a atividade foi organizada de forma a favorecer a participação coletiva. 
 
Nesse ambiente, iniciou-se a dinâmica conduzida pelo “Potter do Futuro”, com a apresentação das orientações e dos dois polos de escolha: “me ajuda a te ajudar”, representando a ação coletiva e a responsabilidade compartilhada, e “salve-se quem puder”, associado à inércia e à individualização das respostas frente à crise hídrica.

As primeiras rodadas evidenciaram um reconhecimento comum da importância da cooperação, com os participantes se posicionando majoritariamente em favor da ação coletiva. A partir dessa resposta, a condução da atividade avançou para um nível mais aprofundado de reflexão, no qual o “Potter do Futuro” passou a instigar o grupo a problematizar como esses princípios podem ser efetivamente incorporados no cotidiano. Esse movimento permitiu deslocar a dinâmica de um plano de concordância conceitual para um espaço de construção de sentido e de possibilidades concretas de ação.

Ao longo das rodadas, fundamentadas em dados científicos sobre a crise hídrica, saneamento, desigualdades sociais, mudanças climáticas e poluição por plásticos, os participantes foram convidados a relacionar conhecimento e posicionamento ético, transformando informação em decisão. A atividade foi gradualmente intensificando o envolvimento dos estudantes, promovendo um ambiente de escuta, reflexão e engajamento, no qual emergiram questionamentos sobre responsabilidade individual e coletiva, bem como sobre caminhos possíveis para atuação prática.

A condução do “Potter do Futuro” incorporou a apresentação de alternativas e soluções, contribuindo para aproximar os participantes de estratégias concretas de engajamento. A experiência favoreceu um processo de sensibilização crítica, no qual os conteúdos mobilizados ultrapassaram o plano informativo, estimulando a internalização dos princípios discutidos e sua potencial tradução em ações futuras.

A atividade foi finalizada com a convergência dos participantes para um ponto comum, simbolizando a construção coletiva de respostas frente aos desafios hídricos contemporâneos. A ação do Clube da Água consolidou-se, assim, como uma prática pedagógica inovadora, ao articular ciência, bioética ambiental e participação ativa, fortalecendo o papel da juventude universitária como agente central na promoção da justiça hídrica e na construção de uma sociedade comprometida com a água como direito humano universal.

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