segunda-feira, 8 de junho de 2026

Participação no I Fórum de Sustentabilidade e Meio Ambiente - PUCPR

 


A Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), os Hospitais Universitário Cajuru e São Marcelino Champagnat promoveram, no dia 8 de junho, o I Fórum de Sustentabilidade e Meio Ambiente, um evento que reuniu especialistas, gestores, pesquisadores e representantes de diferentes setores para discutir os desafios e as oportunidades da sustentabilidade diante das transformações ambientais contemporâneas. Realizado em formato presencial e online, o fórum teve como objetivo fortalecer o diálogo entre ciência, gestão, saúde, educação e sociedade, abordando temas estratégicos como mudanças climáticas, descarbonização, transição energética, gestão hídrica e gestão de resíduos. A programação foi aberta com uma reflexão sobre espiritualidade e cuidado com a vida, seguida da cerimônia oficial de abertura conduzida por representantes do Grupo Marista e da PUCPR. Participaram da mesa de abertura Carmem Murara, Diretora de Relações Institucionais e Governamentais do Grupo Marista, Dr. Álvaro Quintas, Diretor-Geral da Área de Saúde do Grupo Marista, e Vidal Martins, Vice-Reitor da PUCPR. A primeira conferência do evento foi ministrada pela infectologista Dra. Viviane Dias, que abordou os impactos das alterações climáticas sobre a saúde humana, destacando os desafios emergentes relacionados à disseminação de doenças, eventos extremos e vulnerabilidades socioambientais. Na sequência, o painel sobre redução das emissões de gases de efeito estufa discutiu caminhos para a descarbonização nos setores da saúde e da educação. Camila Farhate apresentou oportunidades para a implementação de práticas sustentáveis em organizações, enquanto Mauricy Kawano debateu os desafios e estratégias para acelerar a transição para modelos produtivos de baixo carbono. Durante a manhã, também foi realizada a conferência sobre a certificação ISO 14001, conduzida por Roberto Jovan da Silva, que destacou como sistemas de gestão ambiental estruturados podem impulsionar a eficiência organizacional e fortalecer a responsabilidade socioambiental das instituições.

No período da tarde, as discussões avançaram para a sustentabilidade empresarial, com apresentações sobre descarbonização, Agenda 2030 e governança corporativa sustentável. A programação incluiu ainda uma conferência sobre transição energética, ministrada pela professora Luisa Nastari, da Copel, que apresentou perspectivas e desafios relacionados à transformação da matriz energética brasileira. Um dos momentos de destaque do evento foi o painel "Gestão Ambiental: Eficiência Hídrica", que reuniu diferentes experiências voltadas à proteção e à gestão sustentável da água. Representando a PUCPR, os professores Elias Wolff e Marta Fischer apresentaram a palestra "A PUCPR e a Justiça das Águas: Blue University", compartilhando a trajetória da universidade no movimento internacional Blue Community e os avanços institucionais na promoção da água como direito humano e bem comum. A apresentação destacou resultados de pesquisas desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa em Bioética Ambiental da PUCPR, que vêm investigando as dimensões éticas, sociais, políticas e educacionais relacionadas à água. Foram apresentados dados que evidenciam o potencial transformador das universidades na construção de uma cultura de justiça hídrica, bem como os desafios para ampliar o engajamento da comunidade acadêmica em ações voltadas à proteção da água. A fala ressaltou que a proposta de uma Blue University ultrapassa questões técnicas de gestão hídrica, constituindo-se como um compromisso ético e político com a defesa da água como bem comum, direito humano e elemento essencial para todas as formas de vida. Também foram apresentados projetos de ensino, pesquisa e extensão que vêm contribuindo para fortalecer essa agenda na universidade, incluindo iniciativas relacionadas à Bioética Ambiental, aos Rios como Sujeitos de Direitos e à formação de uma cidadania ambiental mais participativa.
O painel foi complementado pela apresentação de Fernando Lira, da Santa Casa da Bahia, que compartilhou experiências sobre gestão hídrica eficiente em ambientes hospitalares, evidenciando a água como um ativo estratégico para a sustentabilidade das instituições de saúde. Encerrando a programação técnica, o painel sobre gestão de resíduos reuniu representantes da PUCRS, da Prefeitura de Curitiba e da Universidade Federal do Paraná, promovendo uma ampla discussão sobre os desafios da gestão de resíduos sólidos, educação ambiental e indicadores de sustentabilidade. Ao longo de todo o dia, o I Fórum de Sustentabilidade e Meio Ambiente consolidou-se como um importante espaço de diálogo interdisciplinar, reforçando a necessidade de integrar conhecimento científico, inovação, responsabilidade social e compromisso ético na construção de respostas aos desafios socioambientais contemporâneos. Mais do que discutir sustentabilidade, o evento evidenciou que enfrentar as mudanças climáticas, proteger os recursos naturais e promover justiça ambiental exige ações coletivas, cooperação institucional e o fortalecimento de uma cultura comprometida com o cuidado da vida em todas as suas dimensões.



Engajamento universitário: o campus como território político e educativo de uma Blue University



Quando se aborda a crise da água, a percepção comum frequentemente se restringe à escassez. Contudo, a complexidade da questão é muito maior, posicionando a água como um dos principais focos de disputa no século XXI. Essa disputa abrange interesses econômicos, justiça social, sustentabilidade ambiental e direitos humanos. Nesse cenário, emergiu o movimento internacional Blue Community, que advoga pela água como direito humano e bem comum. Desse movimento, derivou o conceito de Blue University, uma certificação concedida a instituições de ensino superior que assumem um compromisso ético e político com a proteção da água. Uma Blue University fundamenta-se em três pilares essenciais: o reconhecimento da água e do saneamento como direitos humanos, a defesa da gestão pública da água e o incentivo a alternativas ao consumo de água engarrafada. Mais do que um mero selo, representa uma transformação cultural institucional que integra ensino, pesquisa, extensão e gestão. Essa proposta surge como uma resposta direta à crescente mercantilização da água. Apesar de a Organização das Nações Unidas ter reconhecido, em 2010, o acesso à água e ao saneamento como direitos humanos fundamentais, milhões de pessoas ainda enfrentam dificuldades para obter água segura. Paralelamente, intensifica-se a pressão para converter a água em uma mercadoria, sujeita às leis de mercado. Nesse contexto, as universidades desempenham um papel estratégico. Elas não são apenas centros de produção de conhecimento, mas também ambientes capazes de formar cidadãos críticos e engajados na transformação social. Uma das razões que tornam a universidade um espaço crucial para a construção de uma Blue University é sua função como um verdadeiro laboratório vivo de transformação social. A universidade concentra, em um único território, três dimensões fundamentais que raramente são encontradas em outros ambientes: a gestão de uma infraestrutura complexa, comparável à de uma pequena cidade; a produção de conhecimento científico por meio do ensino e da pesquisa; e a interação contínua com a sociedade através da extensão universitária. Na dimensão da infraestrutura e gestão, as decisões relativas ao abastecimento de água, saneamento, compras institucionais e consumo diário podem ser convertidas em exemplos práticos de sustentabilidade e justiça hídrica. No âmbito do ensino e pesquisa, a universidade gera evidências científicas, desenvolve tecnologias, capacita profissionais e constrói conhecimentos que podem subsidiar soluções para os desafios hídricos contemporâneos. A extensão e a relação com a comunidade, por sua vez, permitem que experiências, valores e boas práticas transcendam os limites do campus, contribuindo para a formação de uma cidadania ambiental mais crítica e participativa. A intersecção dessas três dimensões transforma a universidade em um laboratório vivo, onde princípios éticos, como o reconhecimento da água como direito humano e bem comum, podem ser traduzidos em práticas concretas, avaliadas cientificamente e compartilhadas com a sociedade. Em outras palavras, a universidade é o local ideal para uma Blue University porque reúne a capacidade de gerir recursos, produzir conhecimento e formar cidadãos, convertendo o campus em um ambiente onde a justiça hídrica pode ser experimentada, avaliada e replicada para a sociedade. Diversos estudos demonstram que as instituições de ensino superior podem contribuir significativamente para a sustentabilidade hídrica ao articular educação ambiental, participação comunitária, pesquisa aplicada e gestão responsável dos recursos naturais. Entre os exemplos internacionais, destaca-se a Universidade de Berna, na Suíça, a primeira Blue University do mundo. No Brasil, a Universidade Federal de Lavras tornou-se uma referência internacional em sustentabilidade hídrica, e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) passou a integrar oficialmente o movimento em 2023. Essa transformação se inicia muito antes da certificação, exigindo a criação de uma cultura institucional baseada no cuidado com a água e na compreensão de que esse recurso é vital para todas as formas de vida. A autodeclaração de uma instituição como "Azul" — vinculada à rede global blue-community.net — oferece uma série de vantagens estruturais que alinham a gestão de recursos hídricos à responsabilidade socioambiental. Esse posicionamento se consolida por meio de seis pilares fundamentais que impactam tanto a operação interna quanto o alcance externo da organização. Em primeiro lugar, a instituição ganha em Coerência Institucional, estabelecendo um alinhamento prático e verificável entre seu discurso de sustentabilidade e sua infraestrutura real. Essa postura é impulsionada por uma Qualificação da Governança, que promove a articulação entre diferentes setores e integra o tema "água" às tomadas de decisão centrais, retirando-o de nichos técnicos isolados. Como resultado direto dessa gestão estratégica, observa-se uma significativa Redução da Pegada Ecológica, caracterizada pela otimização do consumo hídrico e por uma queda drástica no volume de resíduos plásticos gerados no cotidiano. Além dos benefícios operacionais e ecológicos, o selo "Azul" gera um forte impacto educativo e político. No âmbito acadêmico, há o fomento à Inovação Pedagógica, onde o próprio campus se torna conteúdo curricular e um espaço ativo para o exercício da cidadania. Essa atuação local ganha escala por meio da Internacionalização, que conecta a instituição diretamente a uma rede global de especialistas, governos e líderes comprometidos com a causa. Por fim, todo esse arranjo fortalece a Defesa do Interesse Público, consolidando uma posição técnica e ética rigorosa frente às pressões privatizantes e assegurando o entendimento da água como um bem comum. Com o objetivo de compreender o potencial de engajamento da comunidade acadêmica, a PUCPR desenvolveu uma pesquisa de Iniciação Científica para mapear o conhecimento, os valores e a disposição de engajamento de sua comunidade acadêmica em relação à proposta da Blue University. A pesquisa envolveu 151 estudantes de 33 cursos de graduação e pós-graduação, com predominância das áreas de tecnologia, ciências humanas e ciências da saúde, além de 38 entrevistas com professores e colaboradores de diferentes unidades da instituição. Os resultados revelaram um paradoxo significativo. Apenas cerca de 10% dos estudantes conheciam o conceito de Blue University, associando-o principalmente à gestão da água e a ações práticas sustentáveis. Entre docentes e colaboradores, o cenário foi ainda mais crítico, com apenas um entrevistado reconhecendo o selo, e mesmo assim de forma superficial. A maioria dos estudantes associa o tema de forma vaga à sustentabilidade e ao meio ambiente, com termos amplos e pouco situados do ponto de vista político e crítico. Cerca de um terço apresentou respostas incorretas ou irrelevantes, indicando uma fragilidade formativa importante: a educação ambiental universitária ainda opera no registro da conscientização difusa, não da transformação real. No entanto, quando apresentados aos três pilares da Blue University, os estudantes demonstraram abertura cognitiva e sensibilidade ética surpreendentes. Mesmo sem conhecimento prévio formal, reconheceram os princípios com facilidade e indicaram alta disposição para ações cotidianas, como evitar água engarrafada, reduzir o uso de plásticos descartáveis e denunciar situações de inacessibilidade à água potável. Esses gestos, aparentemente simples, carregam um significado simbólico importante: são atos de resistência à lógica da mercantilização da água. Por outro lado, o engajamento diminui de forma expressiva quando se trata de ações que exigem presença constante e exposição mais direta, como participar de ligas acadêmicas, audiências públicas ou dialogar com a gestão institucional. Esse afastamento da ação política reflete uma cultura formativa ainda marcada pela neutralidade e pela evasão de conflitos, onde a universidade atua mais como transmissora de conteúdo do que como espaço de formação para a cidadania ativa. Um caso emblemático que ilustra o potencial dessa formação foi o de uma estudante do ensino médio integrada ao projeto de Iniciação Científica Júnior. Sem conhecer formalmente o conceito de Blue University, ela demonstrou compreensão intuitiva e alinhada com seus princípios, selecionou corretamente os pilares e revelou disposição proativa para o engajamento, especialmente na redução de plásticos e na integração do tema em trabalhos acadêmicos. Sua trajetória mostra que a lacuna de informação não limita a capacidade transformadora quando há sensibilização e pertencimento. A pesquisa também mostrou que a inserção da temática da água em disciplinas, projetos de pesquisa e ações de extensão favorece significativamente o engajamento dos estudantes. A experiência da PUCPR aponta que a transversalidade é o caminho mais potente. Integrar a água como eixo estruturante em disciplinas, pesquisas e práticas extensionistas dissolve as fronteiras entre técnica, ética e ecologia. A disciplina interprofissional sobre “Rios como Sujeitos de Direitos”, os ensaios de pós-graduação em Bioética Ambiental e o Blog Bioética no Dia a Dia — com mais de 3 mil acessos e 564 comentários — são exemplos concretos de como essa agenda pode atravessar os muros da universidade e conectar a instituição às comunidades e territórios que dependem da água. Além disso, iniciativas como blogs, oficinas, seminários, projetos de iniciação científica e atividades interprofissionais ampliaram o alcance das discussões e aproximaram a universidade das comunidades e dos territórios onde os conflitos relacionados à água acontecem. Essas experiências mostram que a água pode atuar como um eixo integrador capaz de conectar ciência, ética, política, cultura e responsabilidade social. A principal conclusão é que uma Blue University não é construída apenas por meio de infraestrutura ou certificações. Ela depende da formação de uma cultura institucional capaz de reconhecer a água como bem comum, promover a participação social e fortalecer a justiça hídrica. Construir uma universidade azul significa formar profissionais que compreendam que a defesa da água não é apenas uma questão técnica ou ambiental, mas uma questão ética, política e civilizatória. A experiência apresentada demonstra que existem desafios importantes, especialmente no fortalecimento do engajamento político e da participação institucional. No entanto, também revela um enorme potencial transformador presente na comunidade universitária. Se a água é condição para toda forma de vida, sua proteção não pode ser responsabilidade de poucos; ela precisa ser assumida coletivamente. Por isso, uma Blue University é mais do que um selo. É um convite para repensarmos o papel da universidade na construção de sociedades mais justas, sustentáveis e comprometidas com o bem comum. Porque, no fundo, falar sobre água é falar sobre vida, dignidade, democracia e futuro. E as universidades têm a responsabilidade — e a oportunidade — de liderar essa transformação.

sábado, 30 de maio de 2026

Aranha -Marrom... e lá se vão 30 anos! o Dia do Lançamento!

 

Agradeço imensamente a presença de quem pode ir me dar um abraço, mas também a todos aqueles que não puderam estar presentes, mas que comemoraram comigo essa jornada iniciada há mais de 30 anos. O tempo contribuiu para a pluralidade de atores se que se entrelaçam e que contribuíram direta ou indiretamente para os achados científicos que permitiram escrever a biografia da aranha-marrom, mas também aquelas que contribuíram direta ou indiretamente para escrever a biografia da Marta Fischer que também protagoniza essa obra. Seria impossível nominar cada uma dessas pessoas que me deram suporte emocional, estrutural e intelectual para hoje ver um sonho de uma estudante de biologia se concretizar. Procurei imagens que representasse esses encontros que foram projetadas na intenção de materializar um longo abraço de gratidão. Escolhi para representar meu agradecimento individual a cada um de vocês, minha família formada pelos meus pais, irmã, sobrinhos e pelo Nando que participaram ativamente em todas as etapas desta jornada, e meus pais além possibilitarem a vida biológica e social, se envolveram diretamente nas pesquisas me dando suporte. Inclusive a foto na capa desse livro, foi um dos primeiros registros do meu pai nas pesquisas de campo de mestrado.

 



Em um primeiro momento a intenção dessa obra foi congregar as dezenas de investigações científicas, intervenções sociais e formação de gerações de pesquisadores. Entrelaçar os conhecimentos alcançados até então, entre eles e com a literatura científica, bem como resgatar análises e dados inéditos que devido às demandas do ‘universo acadêmico’ acabaram ‘engavetados’. Dados que espero que sejam incorporados em novas hipóteses, interpretações e propostas a fim de diminuírem e mitigarem vulnerabilidades. Que sejam apropriados olhares inovadores, para que possam somar na compressão de um fenômeno peculiar de Curitiba, mas plausível de ser acometido em qualquer localidade e com qualquer outra espécie, até então desconhecida. Espera-se que a ocorrência de milhares de acidentes todos os anos não sejam mais toleráveis, uma vez que além de fragilizarem a saúde, interrompem atividades laborais e sociais, comprometem as emoções a ponto de interferir na relação com a natureza. Essa obra também tem a intenção mostrar a jornada científica, como a pesquisa surge, como o caminho é construído, como as hipóteses testadas geram mais perguntas, como a network fortalece e incorpora o conhecimento. O livro mostra a trajetória que começou na graduação em Biologia da PUCPR e interligou muitas instituições como o MHNCI, o Instituo Butantan, a UFPR, o CPPI, SMMC e a aracnologia brasileira, com meus eternos e mais amorosos agradecimentos ao meu padrinho na aracnologia e na etologia dr. Cesar Ades. 
A obra também traz uma relação com nossa cidade, que me enche de orgulho. Há 30 anos os curitibanos se deparavam com novo perigo no local que deveria trazer conforto e segurança, suas casas! A aranha-marrom predominou durante muito tempo nas pautas jornalísticas, que permearam uma geração de curitibanos que cresceu em um mundo em que a aranha-marrom sempre fez parte. O que mudou nessas três décadas? Por que todo conhecimento acumulado não foi o suficiente para acabar com os acidentes? A sociedade está mais empoderada para o enfrentamento do risco ou as pessoas que se formaram nesse cenário são mais temerosas? Trinta anos depois, a aranha-marrom se incorporou na paisagem da cidade? Entrando na Teia - O ponto de partida da trilha é a PUCPR - Curso de Ciências Biológicas - 1990, meu espaço de existência de toda uma vida. A minha conexão com as aranhas, se deu no 1º ano quando o prof. Estefano Jablonski pediu para escolher, diante de todos os animais presentes no Museu de Zoologia, qual deles eu gostaria de trabalhar no meu estágio ele me conduziu ao autoaprendizado na sistemática e a conexão com o meu 1º orientador Júlio Cesar de Moura-Leite (MHNCI) e meu padrinho Emanuel Marques-da-Silva da Secretaria do Estado da Saúde do Paraná (SESA-PR) que me inseriu na questão da aranha marrom em 1992 quando foi detectada uma anormalidade no registro de acidentes e na constatação de uma infestação jamais registrada. Foi instaurada oficialmente uma comissão para estudar o loxoscelismo em 1993 que buscava entender se a resposta do “Por que Curitiba?” estava na alteração do ambiente com desmatamento e eliminação de um provável predador natural; no Cinturão verde da cidade; Tipo de iluminação pública; Característica das construções (porão, tijolo sem reboco); Hábitos e costumes da população e, então, estabelece-se diferentes frentes de enfrentamento voltadas nas medidas preventivas, profiláticas, controle e obviamente pesquisa básica.
Passo 1: A identificação espécies de aranha-marrom presentes na cidade foi a primeira lacuna que precisou ser preenchida, apoiada pelo meu pai, que ficou me esperando no carro enquanto eu estagiava com a Dra. Sylvia Lucas no Instituto Butantan, em São Paulo. Minha primeira pesquisa foi atrelada ao meu TCC com a orientação do Júlio com o levantamento das espécies do gênero Loxosceles presentes em Curitiba. Esse foi mais um momento em que pude contar com uma rede de apoio de colegas que me traziam aranhas de toda Curitiba para que eu pudesse mapear a distribuição das espécies, dos quais muitos estão aqui e agradeço publicamente e especialmente aos meus professores Carlos e Silvia Gomes. O capítulo que abre a obra é um panorama da sistemática do gênero e embora o percurso literário tenha permitido agregar o conhecimento sobre inúmeras espécies presentes em diferentes partes do mundo, a personagem principal é a espécie L. intermedia.
Caracterizada por uma coloração de marrom em tons avermelhados, é tradicionalmente descrita como possuindo um abdome que lembra uma azeitona. Mello-Leitão foi muito feliz quando denominou a espécie de intermedia, pois em vários aspectos se apresenta com características morfológicas, biológicas e comportamentais intermediárias entre as demais espécies do gênero. A origem da espécie continua a ser um mistério, embora tenha uma distribuição limitada ao sul da América do Sul, especialmente Argentina, no Brasil foram registradas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e alguns outros estados do sudeste. Até então se apostava na sua endemia, contudo a fala de registros da ocorrência em ambientes naturais, dificultam a reconstituição do seu percurso até a colonização das casas. A espécie não apresenta nenhuma característica especial que a distingue substancialmente de outras espécies, sendo inclusive menor e com uma toxina menos potente, se demonstra mais sensível para alguns fatores ambientais. Então, o que empodera a L. intermedia a ponto de se sobrepor em 90% a ocorrência de L. laeta em Curitiba, e estar presente em mais de 80% das edificações inspecionadas, foi o questionamento que motivou os mais de 30 anos de pesquisas conduzidas por mim, em parceria com muitos pesquisadores com expertises em diferentes áreas e com muitos estudantes que desenvolveram suas competências em pesquisa científica. Passo 2: Quem é L. intermedia? Após o mapeamento das espécies em Curitiba com a constatação do predomínio de L. intermedia, o segundo passo foi aprofundar o conhecimento a respeito de uma espécie praticamente desconhecida pela ciência. A entrada no programa de mestrado de Zoologia da UFPR em 1994 foi o segundo desafio, com o apoio da Dra. Setuko Masunari e do prof. Luís Amilton Forster. Ressalvo que toda essa caminhada não seria possível sem o apoio do meu orientador João Vasconcellos-Neto, que abriu as portas do departamento de zoologia da UNICAMP e ao Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa em Animais Peçonhentos (Lilape), instalado na UFPR, que sob a coordenação do prof. Oldemir Mangili. Além disso tudo, nesta época fundei
com a Paula Batista dos Santos o Instituto de Pesquisa de Guaraqueçaba (IPG) e ingressei na Faculdade de Artes do Paraná (FAP), foi um período intenso de conexão com outras perspectivas de vida e de possibilidades para ampliar minha visão para além dos muros técnicos da academia e poder ilustrar o livro.Durante meu mestrado desenvolvi cinco pesquisas sendo que os aspectos da biologia básica como comportamento copulatório, reprodução, crescimento e longevidade compõe o capítulo 3 e a descrição de aspectos ecológicos básicos como flutuação populacional do longo do ano, alimentação, competidores e predadores compõe o capítulo 4. A parte experimental foi realizada na UFPR e a de campo em eucaliptos presentes no SMCC (meu agradecimento ao prof. João Carlos Jaszerski que abriu as portas do SMCC) seu Francisco Fischer me acompanhava em visitas semanas ajudando a carregar e segurar uma escada de 7 metros, a marcar e registrar as aranhas. No ambiente antrópico foi acompanhada uma população presente em entulhos presentes na casa da bióloga Iris Trochimczuk, cuja família gentilmente, deixou de fazer o manejo e não eliminou as aranhas por um ano. Passo 3: Por que L. intermedia? Ambiente ou aranha? Os resultados obtidos no mestrado foram estruturados em experimentos e teste de hipóteses que resultaram na tese de doutorado iniciada em 1997 na zoo da UFPR.
Agora munida de informações sobre morfologia, biologia e ecologia de L. intermedia, meu desafio era entender o que havia em Curitiba que fazia com que L. intermedia obtivesse tanto sucesso, enquanto L. laeta, a única espécie com quem compartilha a cidade, mantinha as proporções registradas em outras localidades. Com a mesma equipe de orientadores e com a ideia de aprofundar na experimentação ecológica montei um percurso de oito pesquisas, sendo algumas delas publicadas de forma inédita nessa obra, envolvendo a caracterização dos nichos, a seleção, colonização e distribuição, temperatura letal e o comportamento agonístico e de captura de presas. A parceria com a SESA-PR foi essencial, especialmente com a bióloga Giselia Rubio e Dra. Marlene Entres. A perspectiva ambiental se deu por meio do desenvolvimento de um protocolo de diagnóstico desenvolvido para caracterização das populações de L. intermedia demonstrando ausência da aranha-marrom na natureza, a caracterização população, foram replicados e validados em outras localidades (RBS, União da Vitória, Ibirama) e aplicado em Curitiba novamente depois de 10 anos. Os experimentos foram realizados no CPPI, com apoio além do Emanuel, também do Rubens Gusso e João Minozzo. Minhas pesquisas tiveram o apoio dos técnicos Milton, Joel, Luís, Jorge e Emília, e ajuda de todos os estagiários, para utilização do espaço físico e, principalmente, na captura de mais de 5.000 aranhas destinadas apenas para os experimentos da dissertação.

Passo 4: Onde tem uma espécie não tem outra? Foram realizados inúmeros experimentos no doutorado e após o doutorado testando preferência por substrato, deslocamento, interações, estratégias reprodutivas. Embora tenham sido realizados alguns poucos estudos sobre epidemiologia, o capítulo 2 foi usado mais como caracterização do início do percurso. Ressalvo que o início dos anos 2000 representou um novo marco na minha jornada, o retorno à PUCPR, agora como professora de Zoologia pelas mãos do prof. Rubens Vianna e da profa. Leny Cristina Miléo Costa e apoio dos coordenadores Waldemar Enz e Ana Greca, criamos o Laboratório Núcleo de Estudos do Comportamento Animal (NEC-PUCPR), onde pudemos contribuir com a formação profissional de um número mais expressivo de estudantes, ampliando as perspectivas de estudos para outras espécies de aranhas e outros animais, como o caramujo gigante africano, o aruá do mato, os escorpiões, baratas, tenébrios, répteis, aves e mamíferos e, até animais humanos, cuja a vivência no ambiente do laboratório e os vínculos criados também contribuíram para essa obra. Foram inúmeras pesquisas em que se confrontou o hábito generalista e especialista avaliando efeito da alimentação no crescimento e na constituição bioquímica e entre hábitos mais ou menos agressivos a partir de interações entre adultos, jovens e filhotes, ressalto a contribuição da Lays Parolim como aluna hj é minha colega colaborando em outras dimensões do comportamento animal. O estudo das estratégias reprodutivas que foi o maior investimento de pesquisa congregando diferentes perspectivas, desde as estruturas morfológicas, os mecanismos de comunicação, comportamento da fêmea e comportamento agonístico de machos.Aponto também os projetos desenvolvidos com Fontanta, Eduardo e Tic, e meu pós-doutorado no Departamento de Química da UFPR.

Passo 5: Qual a relação com as outras aranhas? A aplicação do protocolo de diagnostico indicou a relação entre a grande população da aranha-marrom com pequena presença de outras aranhas sinantrópicas. Essa evidencia se conecta com a minha entrada no Comitê de Ética no uso de animais conduzido pelo Pro. Mario Sanches e pela Dra. Maria Antônia Prado que mudou totalmente a minha visão sobre bem-estar animal especialmente de invertebrados e que consolidou com minha entrada no PPGB frente do Grupo de Pesquisa em Bioética Ambiental e abrindo uma nova página no meu percurso profissional. Então comecei a pensar na possibilidade de um controle ético. Investi em pesquisas buscando compreender a relação entre as espécies, realizamos muitos experimentos especialmente com a treme-treme e a aranha vermelha. Os experimentos apontavam para uma eficiência da treme-treme como predadora, mas para tal seria necessário investir no conhecimento da relação das pessoas com as aranhas e o desafio de como promover um engajamento social e a superação da aversão às aranhas.
Passo 6: O que a sociedade sabe? Tecnologia Social e Bioética - A perspectiva da bioética deslocou o foco exclusivamente o controle e passou a incluir educação, diálogo e sustentabilidade. A questão das aranhas foi então inserida no campo da biofobia, evidenciando que o problema não é apenas biológico, mas também cultural. O deslocamento ampliou a compreensão das vulnerabilidades, que não se restringem à espécie ou aos acidentes, mas incluem dimensões sociais, ambientais e institucionais. Nesse contexto, a relação com a aranha-marrom passa a ser entendida dentro de uma perspectiva de saúde global, fortalecimento do autocuidado ambiental e o reconhecimento de que problemas comuns demandam decisões compartilhadas. Então fomos a campo, ouvir as pessoas, entender aspectos biológicos e sociais associados a biofobia, especialmente a aracnofobia. As cidades estão se re-enverdecendo, mas junto com as arvores vêm também a fauna. As pessoas desaprenderam a se relacionar com a natureza, a cidade sempre foi estéril, elas são sabem identificar e se proteger do risco real. Então, o que precisamos para reconectar e reeducar as pessoas a natureza. 
Passo 7. Popularizar para convivência – foi nosso último projeto, buscando uma integração social elaboramos um experimento que avaliasse a efetividade da treme-treme como predadora da Aranha-marrom através do acompanhamento de como se distribuem pelo ambiente, ao mesmo que pudesse mostrar para sociedade os bastidores da pesquisa. Foram várias turmas de estagiários e quatro Pibits que juntos resultaram na última publicação do grupo. Nesta foto é possível visualizar a casa da aranha, uma simulação lúdica de um ambiente de uma casa onde se avaliou a distribuição das aranhas. E aqui eu apresento o canal @aranha.marrom, que foi criado para informar sobre a aranha marrom, trazer enquetes, engajamento. Quando começamos o projeto da casa da aranha passamos também a postar em tempo real o resultado os experimentos. O grande crescimento do canal se deu com a entrada do Kaz Born no projeto e popularização da ciência, que antecedeu o livro, mas a intenção foi a partir de diferentes ferramentas de comunicação mostrar o percurso de uma pesquisa científica que levou décadas e principalmente engajar o público. Como interlocutor criamos uma aranha de crochet, feita pelo Felipe um aluno da biologia, e que passou a ser o personagem que permeava a história para entender o pq foi batizada de Loxosceles crochet. Tivemos postagens que abordaram todos os temas do livro, lives com especialistas, depoimento de ex-pesquisadores, entrevista com Dr. Valdemiro Gremink, o post que falava da predação pela aranha treme-treme foi nosso maior alcance com mais 400 mil acessos e principalmente o que validou nossa pesquisa, pois pudemos acessar aqui a reação espontânea do publico engajamento com o reconhecimento e adesão ao controle ético, além de relatos de terem presenciado a predação em suas próprias casas. Uma das postagens foi comentada pelo biólogo Henrique, Ibest em Ecologia e sustentabilidade que elogiou o experimento e foi visualizado por mais de um milhão de pessoas, com comentários também muito gratificantes. Enfim, é um rico material que traduz esse livro para outras formas de comunicação e que levou a aranha-marrom até as crianças em duas escolas, uma privada, 1ª série e outra pública aqui na comunidade Torres. Convido a conhecerem, se inscreverem e divulgarem nosso canal, assim como explorarem nosso livro, dando sentido a esses 30 anos de conexão, comprometimento e perseverança, em um futuro factível para todos! 
Passo 8. Afinal Por que Curitiba? O Último capítulo traz uma luz ao desafio lançado pelo prof Oldenir há 33 anos. A alta densidade de Loxosceles intermedia em Curitiba não pode ser explicada por um único fator. Ela resulta de uma convergência entre características da espécie e condições do ambiente urbano. Trata-se de uma espécie altamente errante, que responde com deslocamento a estímulos sutis de variações de temperatura, disponibilidade de alimento ou perturbações no refúgio. Isso significa que ela está constantemente explorando o ambiente e ampliando sua ocupação dentro das edificações. Mas essa capacidade, por si só, não explica pq Curitiba. Curitiba combina alta umidade e instabilidade térmica, o que torna o ambiente natural hostil, ao contrário das construções urbanas que oferecerem abrigo estável, proteção contra intempéries, disponibilidade de microambientes ideais como caixas de papelão, quadros, telhas oferecem estrutura, isolamento térmico e locais seguros para reprodução. Outro fator é a menor pressão de competidores ecológicos. Portanto, o que explica Curitiba é uma combinação: uma espécie altamente adaptável inserida em um ambiente urbano que potencializa sua permanência e multiplicação. O estudo sobre a aranha-marrom não se finda em si, o panorama apresentado, mostra que toda uma rede de apoio é estabelecida para responder uma pergunta específica, consequentemente, é possível e necessário ampliá-la para resolver a relação da humanidade com a natureza. É necessário empoderar o cidadão para o protagonismo crítico e comprometimento com a coletividade. Essa perspectiva estará inserida em cada mistério desvendado, do dia a dia da existência de uma espécie espetacular, cujos ensinamentos podem e devem ser transpostos para o todo. Essa obra tem uma representação complexa, intensa e completa na minha jornada profissional e pessoal, o que sou hoje, indubitavelmente traz agregado o que aprendi com a L. intermedia, suas estratégias, fraquezas e fortalezas. Mas principalmente as potencialidades advindas da superação de ser um ‘problema’ para ser uma ‘inspiração’. No início da jornada se questionava: ‘o que fazer para acabar com a aranha-marrom?’, enquanto havia um esforço na busca de um tratamento e uma aspiração em um controle eficaz, eu ia na contramão, queria saber: quem era Ela. O estigma da aranha vilã era incompatível com aquelas aranhas que vi nascer, que alimentei semanalmente, limpei suas casas, ofereci o melhor ambiente que podia e estive presente até o dia de suas mortes. Promovi encontros ‘amorosos’, admirei suas estratégias, vibrei com quando superaram suas limitações, me culpei por isolado e ter realizados experimentos cruéis. Foram 30 anos! Uma vida inteira, completa, preenchida. Hoje findar, o que espero ser a primeira fase desse percurso, promove uma mistura de sentimentos de alegria, gratidão e satisfação. Escrever esse livro, foi muito significativo por relembrar que minha jornada até aqui foi muito rica e que nunca estive sozinha. Não tem como não fechar os olhos agora e lembrar daquela garota, recém-formada, proferindo uma palestra no anfi 10 do politécnico, com tão poucas informações, e se sentindo desafiada diante da pergunta da mídia, da sociedade e da academia: ‘Porque Curitiba?’ e hoje poder oferecer essa obra para cidade que me acolheu e acolheu uma espécie admirável: L. intermedia, uma cidadã Curitibana! E antes que me perguntem... nunca fui picada por uma aranha. 
 
 
 
  
 
 
 
Compartilho também as falas da minha Gestora a Coordenadora do Curso de Ciências Biológicas da PUCPR
 

É uma grande satisfação participar deste momento tão significativo: o lançamento do livro sobre Aranha-Marrom, fruto de três décadas de dedicação acadêmica, científica e humana da professora Marta Luciane Fischer. Celebrar esta obra é, antes de tudo, celebrar uma trajetória construída com rigor, persistência e compromisso com a sociedade. A professora Marta é egressa do curso de Ciências Biológicas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, e isso torna este momento ainda mais especial. Sua caminhada representa aquilo que toda universidade deseja inspirar em seus estudantes: a transformação da curiosidade em conhecimento, do conhecimento em pesquisa, e da pesquisa em impacto social. Ao dedicar 30 anos da vida acadêmica ao estudo das aranhas-marrons, a professora Marta foi muito além da investigação biológica de uma espécie. Seu trabalho ampliou o entendimento científico sobre esses animais, mas também lançou luz sobre aspectos epidemiológicos — especialmente relacionados à ocorrência de acidentes, aos impactos na saúde pública, à distribuição dos casos e às formas de prevenção — além de questões sociais ligadas à relação entre ciência, medo coletivo e educação. A aranha-marrom, muitas vezes lembrada apenas pelo temor que desperta, tornou-se, nas mãos da pesquisadora, uma oportunidade de diálogo entre diferentes áreas do saber. Isso demonstra algo extremamente relevante no cenário científico contemporâneo: os grandes desafios da sociedade exigem abordagens interdisciplinares, capazes de conectar biologia, educação, comunicação, ética e saúde. Este livro também possui um valor simbólico importante. Ele materializa anos de pesquisa, orientação, observação e construção coletiva do conhecimento. Um livro acadêmico não nasce apenas de dados e experimentos; ele nasce da persistência diante das dúvidas, das limitações e da constante busca por respostas melhores. Por isso, esta obra representa não apenas uma contribuição científica, mas também um legado. E talvez um dos aspectos mais inspiradores desta trajetória seja justamente a capacidade de transformar um tema que poderia parecer restrito ao laboratório em um assunto de interesse social amplo. Ao estudar a aranha-marrom, a professora Marta contribuiu para a conscientização da população, para o enfrentamento de desinformações e para a valorização da ciência como instrumento de cuidado com a vida. Em tempos nos quais a ciência frequentemente é questionada ou simplificada, lançar uma obra construída ao longo de 30 anos é um ato de resistência intelectual e de compromisso com o conhecimento sério, ético e socialmente responsável. Para os estudantes e jovens pesquisadores aqui presentes, esta trajetória deixa uma mensagem poderosa: a ciência exige tempo, profundidade e dedicação. Não existem grandes contribuições construídas na pressa. O conhecimento sólido nasce da continuidade, da disciplina e da paixão pelo que se pesquisa. Por isso, este lançamento não é apenas a apresentação de um livro. É o reconhecimento de uma vida acadêmica comprometida com a produção de conhecimento relevante para a universidade e para a sociedade. Que esta obra inspire novas pesquisas, novos olhares sobre a biodiversidade e, principalmente, novas gerações de cientistas comprometidos com a transformação social por meio da ciência. Parabéns à professora Marta Luciane Fischer por sua extraordinária contribuição à Biologia, à PUCPR e à ciência brasileira.

Muito obrigado.

 
 
 
 
Meu agradecimentos à Equipe que compôs parte desse percurso...

João Carlos; Estefano Jablonski; João Carlos Jaszczerski; Emanuel Marques-da-Silva; Júlio Cesar de Moura-Leite; Francisco Fischer Filho; Sylvia Lucas; Carlos; Silvia Gomes; Claudia Staudacher; Florinda Tomé; Marcia Czulik; Iris Trochimczuk; Luiz Cesar Machado; Cesar Ades; Ricardo P. da Rocha; Antônio Brescovit; Alexandre Bonaldo; Hilton Japyassú; Jorge Rodolfo Lima; Eduardo Ramires; Setuko Masunari; Luís Amilton Foerster; João Vasconcellos-Neto; Oldemir Carlos Mangili; Paula Batista dos Santos; Giselia Rubio; Marlene Entres; Rubens Gusso; João Minozzo; Milton; Joel; Luís; Jorge; Emília; Patrícia; Denis; Érica; Santa Ineide Forti Fischer; Rubens Vianna; Leny Cristina Miléo Costa; Waldemar Enz; Alexandre Dalabona; Janael Riceti; Adriana Monteri; Aline Gonçalves; Areli; Amanda; Andressa Ricetto; Bruna Lemos; Carolina Rodrigues; Caroline Granzoti; Cesar Marquioro; Cleide Santos; Diego Freitas; Emanuelle Francisco; Eslei Xavier; Fernanda Shinaider; Helena Wohlke; Gabriela; Gabriel Cadenas; Giovana Casagrande; José Renato Rebelo; Jussara Bittencurt; Karin Wolanski; Lays Parolin; Felipe Andrade; Felipe Neves; Flávia Krechemer; Flavia Gabardo; Guilherme Lisboa; Katie Silva; Kaz Rolim de Moura Born; Lenira Ferreira; Massao Itou; Maria Fernanda Caneparo; Monyka Wanto; Munique Zeni; Rafaela Puglia; Rafaela Freitas; Renate Schuartz; Robiran Santos-Jr; Rodrigo Granzoti; Tatiane Lozano; Taje Lanzoni; Thalita Vieira; José Domingos Fontana; Francisco Assis Marques; Mario Sanches; Antônia Maria do Prado; Juliana Z Santos; Marina Farias; Ana Laura Furlan; Caroline Filla Rosaneli; Maria Fernanda Palodeto; Tuany Burda; Maicon Oliveira; Isabella Ricca

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Talkshow: A contribuição da Pós-Graduação para a excelência do ensino

 

No dia 27 de maio de 2026, as Faculdades Pequeno Príncipe, em Curitiba (Paraná), promoveram durante o XII Fórum de Metodologias Ativas – o Talkshow “A contribuição da Pós-Graduação para a excelência do ensino”, um espaço de diálogo sobre os desafios contemporâneos da formação docente da área médica, das metodologias ativas e da qualificação do ensino nas profissões da saúde. O encontro foi estruturado em formato de talkshow, conduzido de maneira dinâmica, participativa e reflexiva, favorecendo intensa interação entre painelistas e público. A proposta do evento foi discutir como a Pós-Graduação tem contribuído para transformar práticas pedagógicas, fortalecer currículos mais humanizados e ampliar a integração entre ensino, pesquisa, cuidado e responsabilidade social. Participaram do debate a Profa. Dra. Rosiane Guetter Mello, diretora de Pesquisa e Pós-Graduação das Faculdades Pequeno Príncipe e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ensino nas Ciências da Saúde da instituição; a Profa. Dra. Edna Regina Silva Pereira, professora titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás e docente do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde; a Profa. Dra. Marli Gerenutti, coordenadora e docente do Programa Stricto Sensu em Educação nas Profissões da Saúde da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; e a Profa. Dra. Marta Fischer, docente da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e coordenadora do Grupo de Pesquisa Bioética Ambiental, representando a coordenadora Caroline Rosaneli As convidadas promoveram discussões, compartilhando experiências, desafios e percepções sobre formação docente, metodologias de ensino e transformação das práticas educacionais em saúde. As discussões abordaram temas centrais relacionados às transformações promovidas pela Pós-Graduação na prática docente, aos desafios de formar simultaneamente pesquisadores, professores e profissionais da área da saúde, às dificuldades de romper com modelos tradicionais de ensino e às estratégias necessárias para aproximar a formação acadêmica das realidades vividas nas salas de aula e nos serviços de saúde. O formato adotado estimulou a reflexão da plateia sobre suas próprias trajetórias formativas, experiências profissionais e desafios institucionais. A participação da Profa. Dra. Marta Fischer trouxe ao centro do debate a contribuição da Bioética para a formação docente nas profissões da saúde. Em sua fala, destacou que a Bioética atravessa a docência porque ensinar em saúde não se limita à transmissão de conhecimento técnico, mas envolve formar sujeitos capazes de deliberar diante de conflitos morais, reconhecer vulnerabilidades humanas e atuar de maneira ética em contextos sociais cada vez mais complexos. Ao discutir a dimensão ética da formação docente, a professora ressaltou que o profissional da educação em saúde precisa desenvolver sensibilidade ética, responsabilidade social, capacidade reflexiva e maturidade para lidar com sofrimento, desigualdades e impactos das tecnologias emergentes sobre a vida humana. Também enfatizou que, embora a Pós-Graduação tenha avançado significativamente na qualificação científica e técnica, ainda existem desafios importantes para integrar de forma mais profunda aspectos relacionados à humanização, à deliberação ética e à formação moral da prática docente. Outro ponto destacado foi o caráter interdisciplinar do Programa de Pós-Graduação em Bioética (PPGB), entendido como elemento essencial para enfrentar problemas complexos da contemporaneidade. 
A diversidade de áreas presentes no Programa foi apresentada como condição fundamental para ampliar o diálogo entre diferentes perspectivas científicas, humanas e sociais, fortalecendo competências relacionadas à escuta, à mediação de conflitos e à construção coletiva de soluções diante de desafios éticos contemporâneos. A fala também evidenciou que a Bioética oferece ferramentas importantes para reconstrução de espaços de diálogo e responsabilidade compartilhada em um cenário marcado pela fragilização das relações humanas, pelo aumento das desigualdades e pelos conflitos sociais, ambientais, sanitários e tecnológicos. Nesse sentido, o PPGB foi apresentado como espaço de formação científica, ética e humana comprometido com o desenvolvimento de profissionais capazes de atuar criticamente diante das complexidades do mundo contemporâneo.O Fórum evidenciou, assim, a relevância crescente da Pós-Graduação voltada ao ensino e à Bioética como instrumento de transformação da educação superior em saúde, reforçando a importância de formar docentes capazes de articular pensamento crítico, sensibilidade ética, diálogo interdisciplinar e compromisso social em suas práticas profissionais e educativas. 



 


sábado, 23 de maio de 2026

Entre a ciência e a sociedade: 30 anos da aranha-marrom na mídia curitibana


A aranha-marrom volta à mídia curitibana devido o lançamento do livro Aranha-marrom: 30 anos de estudos biológicos, epidemiológicos e sociais. E não poderia ser diferente. Ao longo dessas três décadas, a mídia exerceu um papel fundamental de prestação de serviço social, traduzindo a linguagem científica da academia para uma linguagem acessível à população, orientando sobre prevenção de acidentes e sobre os procedimentos adequados em caso de ocorrência.

Compreendemos que, para chamar atenção para um problema de saúde pública reconhecido oficialmente desde 1993, quando o município de Curitiba criou uma comissão específica para estudar o loxoscelismo, muitas vezes as manchetes recorrem ao impacto e ao sensacionalismo. Entretanto, a condução da informação após a chamada inicial precisa ser pautada pela responsabilidade. Mais do que gerar medo, alarmismo ou distanciamento, é necessário promover comprometimento coletivo, consciência crítica sobre o que representa um risco real e como conviver com ele de maneira adequada. Curitiba representa, de fato, um caso atípico quando comparado aos relatos científicos e epidemiológicos registrados em outras regiões.

A elevada infestação da aranha-marrom, especialmente da espécie Loxosceles intermedia, já foi registrada em pelo menos 80% das edificações avaliadas em determinados períodos, sendo essa espécie responsável por cerca de 90% das ocorrências. Os outros 10% estão relacionados à espécie Loxosceles laeta.  Entender quais características biológicas, ambientais, urbanísticas e sociais contribuíram para esse cenário, estabelecer métodos de mitigação e impedir que outras cidades expressem o mesmo fenômeno compõem parte central da obra que será lançada no dia 29 de maio de 2026, às 16h30, na Arena Digital da Pontifícia Universidade Católica do Paraná
. A publicação, editada pela PUCPRESS e pela Editora da UFPR, representa uma resposta à academia, à cidade de Curitiba e à sociedade. Mais do que apresentar a biografia da aranha-marrom e da sua pesquisadora Marta Fischer, o livro propõe uma reflexão sobre convivência com uma fauna urbana cada vez mais rica, resultado também do reenverdecimento de cidades que buscam se tornar mais ecológicas e sustentáveis. Ao longo desses mais de 30 anos, construímos uma relação de diálogo constante com a mídia curitibana, logo gostaríamos de registrar nosso agradecimento pelo cuidado, respeito e responsabilidade com que nosso grupo de pesquisa foi tratado, ouvido e divulgado.
A mídia possui um papel essencial na aproximação entre pesquisadores e sociedade, especialmente em temas ligados à saúde pública e à educação científica. Em um momento histórico marcado pela rápida circulação de desinformação, frequentemente produzida por influenciadores sem aprofundamento técnico sobre os temas que abordam, fortalecer a comunicação entre ciência e mídia profissional torna-se ainda mais importante. Difundir informação de qualidade é um compromisso coletivo e uma ferramenta indispensável para promover prevenção, pensamento crítico e convivência responsável com a biodiversidade urbana.

Veja algumas publicações e reportagens que marcaram esses 30 anos!

2011

2012



 

2013



2018


 

 

 

2019



 

Outras reportagens Globoplay AQUI  AQUI2  AQUI3

 

2026

  



 Comentário do Biólogo Henrique IBest em Ecologia e Substituibilidade AQUI

 


 

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Divulgação 6 

Divulgação 7 - Paraná Turismo  

Divulgação 8 - Ta na Hora Rede Massa 

Divulgação 9 - PodCast Bem Paraná