Por Marta Luciane Fischer

O X Colóquio
Hans Jonas e VI Jornada Hans Jonas, realizado em Curitiba entre 8 e 11 de
setembro de 2026, teve como eixo central a reflexão sobre responsabilidade
no Antropoceno, articulando filosofia, bioética, política, direito,
ontologia, educação e tecnologia. A programação percorreu diferentes dimensões
da responsabilidade contemporânea. As discussões de Bioética e
Responsabilidade abordaram as implicações éticas das decisões sobre a vida,
enquanto os debates sobre Política, Direito e Responsabilidade ampliaram
a reflexão para as estruturas sociais e institucionais. A dimensão ontológica
aprofundou a relação entre ser e responsabilidade, e a educação foi
apresentada como espaço fundamental para a formação de sujeitos capazes de
responder aos desafios contemporâneos. A tecnologia ocupou lugar de destaque,
especialmente nas discussões sobre novas neurotecnologias, autonomia e
responsabilidade, evidenciando os desafios produzidos pela ampliação das
capacidades humanas de intervenção. A presença de pesquisadores internacionais,
como Cristian Barros Borgoño, Luca Valera, Angelo Samuel Nunes Milhano e
Hélder Telo, ampliou o diálogo para diferentes perspectivas filosóficas
sobre técnica, ética e responsabilidade. A programação também incorporou
perspectivas sociais e culturais, com a Oficina Abayomi, o Projeto
UBUNTU e a participação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima,
reforçando a relação entre responsabilidade, educação ambiental, diversidade de
saberes e transformação social. De modo geral, o evento colocou em diálogo a
filosofia da responsabilidade de Hans Jonas e os desafios éticos decorrentes da
expansão do poder humano de intervenção sobre a vida, a sociedade, a tecnologia
e o ambiente, procurando compreender como a responsabilidade precisa ser
pensada diante das transformações produzidas pelo Antropoceno. Eu tive a honra
de participar da mesa Bioética e responsabilidade e a tarefa de levar algumas
questões mais recentes para discutirmos no âmbito deste Congresso escolhendo
falar sobre: Entre o poder de agir e o dever de cuidar: a responsabilidade
diante da vida multiespécie. A contextualização
de responsabilidade foi rápida, retomando a ideia que é uma conduta humana
discutida em diferentes níveis e a partir de diferentes abordagens, em
diferentes contextos e áreas do saber. Desde sua origem, a concepção de
responsabilidade está relacionada às consequências das ações de uma pessoa. A
partir dessas consequências, desde a Antiguidade clássica, encontramos
diferentes pensadores refletindo sobre o quanto somos responsáveis por nossas
decisões e sobre quais decisões efetivamente tomamos. Se pensarmos um pouco,
tomamos decisões o tempo todo, desde questões bastante simples, como acordar
cinco minutos mais tarde ou alimentar-se de determinada maneira, até decisões
muito mais complexas. Mesmo aquelas decisões que parecem pertencer
exclusivamente ao âmbito pessoal, quando analisadas com maior profundidade,
revelam uma conexão muito grande com outras pessoas e com outras situações. Grande
parte dessas decisões ocorre em um nível operacional, intermediado por
contextos culturais, aprendizagens e comportamentos automatizados. Em
determinadas situações, entretanto, precisamos interromper essa automatização e
passar por um processo de reflexão sobre as possibilidades existentes. Quando
nos encontramos diante de duas ou mais possibilidades de decisão, fazemos
escolhas com base nos valores e interesses que orientam nossa vida. É
justamente nesse ponto que precisamos refletir sobre as consequências de nossas
ações. Ao longo da história humana, o desenvolvimento tecnológico ampliou o
poder das consequências de nossas decisões, ultrapassando o espaço físico e horizonte
temporal.
Existem decisões cujas consequências podem atingir pessoas que jamais
conheceremos, seja porque vivem em outros lugares geográficos, seja porque
viverão em outro período histórico. Essas consequências podem não ser imediatas
e podem permanecer ao longo do tempo, perpetuando-se de diferentes maneiras. Partimos
da premissa que todos compreendem que a tecnologia potencializou enormemente
essa capacidade, assim como que falar em tecnologia não se refere apenas às
tecnologias contemporâneas, como a inteligência artificial, pois a própria história
foi orientada pelo desenvolvimento tecnológico. A percepção de que o ser humano
poderia alterar o ambiente por meio da produção de ferramentas, como as pedras
lascadas, ampliaram sua capacidade de caçar animais que não conseguiria
capturar apenas com sua estrutura física. O domínio do fogo também representou
uma transformação importante, pois permitiu afastar animais, cozinhar alimentos
e obter maior disponibilidade de energia. Ao mesmo tempo, criou condições para
uma organização social mais ampla, inclusive para sistemas de distribuição dos
alimentos. Posteriormente, o domínio dos metais, especialmente do ferro,
associado à produção de armas cada vez mais potentes e à construção de grandes
templos destinados às divindades, como uma forma de interação com uma natureza
que, até então, era experimentada de maneira horizontal. À medida que a
tecnologia foi sendo aprimorada, a posição do ser humano em relação à natureza
também foi se modificando. A própria conexão com o sobrenatural pode ser
compreendida, nesse período, como uma tentativa de produzir algum tipo de influência
sobre aquilo que permanecia fora do controle humano. O desenvolvimento da
agricultura representa outro momento fundamental dessa transformação. O ser
humano percebe que pode cultivar determinadas plantas e criar determinados
animais e começa, progressivamente, a exercer maior controle sobre os processos
naturais.
A seleção artificial modifica características das espécies, enquanto
a agricultura favorece a fixação das populações humanas em determinados
territórios. Surgem os primeiros assentamentos, as primeiras aldeias, formas
mais estruturadas de organização social e, posteriormente, as primeiras
cidades. A interferência no ambiente também aumenta progressivamente por meio
de projetos de irrigação, desvios de rios, retirada de árvores e intensificação
da produção. O desenvolvimento tecnológico amplia, portanto, a capacidade de
intervenção humana sobre a natureza e, automaticamente, amplia também a
dimensão das consequências pelas quais os seres humanos precisam responder. Já
não estamos diante de uma responsabilidade limitada à consequência imediata de
uma ação. Estudos arqueológicos demonstram que, quando o Homo sapiens
chega a determinados ambientes, pode ocorrer uma alteração significativa na
composição das comunidades animais. Um exemplo bastante conhecido está
relacionado à megafauna australiana, cuja extinção ocorreu em um período
associado à presença humana e às transformações provocadas pela ocupação do
território. Desde os primórdios da nossa história, portanto, já encontramos
interferências importantes sobre os ambientes e consequências que ultrapassam o
momento específico em que determinada ação foi realizada. O surgimento das
cidades e a ampliação desses sistemas culminam posteriormente na Revolução
Industrial, permitindo que o ser humano passasse a exercer um domínio muito
maior sobre processos naturais e consegue manipular recursos em uma escala cada
vez mais ampla, produzindo elementos que ampliam ainda mais sua capacidade de
intervenção. A Revolução Industrial estabeleceu condições para uma
transformação profunda da relação entre produção, tecnologia e natureza e,
posteriormente, esse desenvolvimento tecnológico é mobilizado em uma escala
extraordinária durante as grandes guerras mundiais. Nesse período, observamos
um desenvolvimento tecnológico de enorme magnitude, talvez um dos maiores
processos de aceleração tecnológica da história, envolvendo a corrida espacial,
o desenvolvimento de armas, a energia nuclear, os submarinos, a indústria
bélica, a automação e os primeiros desenvolvimentos relacionados àquilo que
posteriormente chamaremos de inteligência artificial. A mobilização científica
e tecnológica realizada durante as guerras produz também uma profunda
transformação econômica e política. Com o final da Segunda Guerra Mundial,
muitos dos recursos tecnológicos e industriais desenvolvidos para fins
militares passam a ser direcionados para outras finalidades. As indústrias que
haviam sido estruturadas para a produção bélica passam a produzir mercadorias,
equipamentos, tecnologias médicas e diferentes bens de consumo.
O conhecimento
científico produzido naquele período também passa a ser incorporado a novas
áreas. A expansão econômica do pós-guerra encontra, então, uma combinação entre
indústria, tecnologia e publicidade que estimula intensamente o consumo. Os
recursos naturais eram tratados como elementos disponíveis para a produção, e
água, madeira e minérios eram considerados recursos de baixo custo em
comparação com os investimentos necessários para sua transformação industrial.
A publicidade passa a desempenhar um papel importante ao criar e ampliar
necessidades de consumo, estabelecendo uma dinâmica na qual trabalhar,
produzir, consumir e voltar a produzir passam a constituir partes de um mesmo
sistema. Durante as décadas de 1960 e 1970, entretanto, começa a ocorrer também
uma transformação importante na percepção dos limites desse modelo.
Pesquisadores, cientistas, ativistas, ambientalistas e ecologistas passam a
chamar atenção para os efeitos ambientais e sociais do desenvolvimento
tecnológico e industrial. A humanidade havia vivenciado os resultados das
pesquisas realizadas durante o nazismo, conhecia as consequências das armas
nucleares e começava a compreender a dimensão dos impactos ambientais associados
ao crescimento econômico e tecnológico. Começa, então, a surgir uma pergunta
que considero fundamental para compreender a responsabilidade contemporânea,
que consiste em saber como devemos utilizar a tecnologia e quais limites
precisam orientar sua utilização. É justamente nesse peque emerge uma época extremamente fértil para o pensamento sobre as
relações entre ciência, tecnologia, ética, sociedade e ambiente. A Bioética se
desenvolve, a ética ambiental ganha força, a educação ambiental começa a se
consolidar e diferentes movimentos sociais e científicos passam a questionar as
consequências do modelo de desenvolvimento adotado. Também encontramos importantes
denúncias sobre os efeitos da exploração ambiental e sobre a maneira como a
sociedade moderna estava modificando sua relação com outras formas de vida (Primavera
Silenciosa (Silent Spring) — Rachel Carson, 1962 e Animal Machines: The New Factory Farming
Industry — Ruth Harrison, 1964, por exemplo). A Bioética surge, portanto,
em um momento de grande transformação científica, tecnológica e social. O nome
que costumo trazer como um dos grandes expoentes desse movimento é o de Van
Rensselaer Potter, que, no início da década de 1970, propõe a Bioética como uma
ponte para o futuro e como uma ética da sobrevivência. Potter percebe que, sem
uma aproximação entre as Humanidades, a ética, os valores e os princípios e o conhecimento
produzido pelas ciências, o desenvolvimento tecnológico poderia produzir
consequências extremamente problemáticas para a humanidade. A proposta de
Potter era bastante ampla e incluía também a preocupação com o uso dos recursos
naturais e com as consequências futuras das decisões humanas. Muitas das
situações que naquele momento eram apresentadas como possibilidades
catastróficas parecem, atualmente, muito mais próximas da realidade. Aquilo que
poderia ter sido prevenido ou minimizado em décadas anteriores tornou-se, em
muitos casos, um problema de enorme complexidade. A perspectiva de Potter,
entretanto, não foi incorporada imediatamente da maneira ampla como havia sido
originalmente formulada.
A Bioética acabou
se consolidando fortemente a partir de uma perspectiva clínica, voltada para
questões relacionadas à autonomia do paciente, às decisões médicas e às novas
tecnologias aplicadas à saúde. Nesse processo, consolidou-se aquilo que podemos
compreender como uma microbioética, voltada para o autocuidado, a autogestão do
corpo e a autonomia do paciente diante das decisões médicas. Essa dimensão foi
e continua sendo extremamente importante. A medicina havia passado por
experiências profundamente traumáticas relacionadas à experimentação humana e
ao abuso do poder científico, e as novas tecnologias médicas produziram
situações que exigiam parâmetros éticos claros. Transplantes, reprodução
assistida, manutenção artificial da vida, experimentação, genética e diferentes
formas de intervenção sobre o corpo passaram a exigir uma reflexão que
ultrapassasse a pergunta sobre aquilo que era tecnicamente possível. Era
necessário discutir também se determinada intervenção deveria ser realizada, em
quais condições, com quais limites e com quais consequências. No início da
década de 1980, começa a ganhar força uma dimensão intermediária da Bioética,
que podemos compreender como mesobioética. A reflexão deixa de estar restrita à
decisão individual e passa a considerar instituições e coletividades.
Hospitais, universidades, indústrias farmacêuticas e outras instituições
precisam tomar decisões que afetam grupos de pessoas. A deliberação institucional
exige considerar responsabilidades, consequências, interesses e
vulnerabilidades e precisa ser realizada de maneira interdisciplinar. Na década
de 1990, começa a ocorrer uma retomada mais evidente daquela perspectiva ampla
originalmente proposta por Potter, com o fortalecimento de uma Bioética Global
e de uma Bioética Ambiental. A compreensão de que uma decisão pode produzir
consequências internacionais, globais, planetárias e também temporais muito
extensas amplia novamente o campo da responsabilidade bioética. É importante
perceber, entretanto, que essas três dimensões não funcionam como
compartimentos isolados. Mesmo quando tratamos de uma decisão aparentemente
individual, ela é influenciada por dimensões institucionais e sociais mais
amplas. Se um paciente precisa decidir se realizará determinado tratamento,
essa decisão será influenciada por sua família, por seu grupo social, por suas
crenças, por sua cultura, por suas condições econômicas e pelas relações de
poder que atravessam sua vida. Quando falamos de indivíduo, portanto, não
estamos falando de uma decisão que exista independentemente das dimensões meso
e macro. Da mesma maneira, quando um indivíduo chega a um hospital com
determinada doença, sua condição pode estar relacionada a fatores ambientais,
sociais, políticos e econômicos que ultrapassam completamente a relação clínica
estabelecida naquele momento. A saúde de uma pessoa pode ser consequência de
condições ambientais, de processos de urbanização, de desigualdades sociais, de
decisões políticas e até de processos geopolíticos. As três dimensões
permanecem, portanto, profundamente articuladas. Essa articulação produz uma
consequência importante para a questão da responsabilidade. Na microbioética,
os caminhos envolvidos na tomada de decisão são relativamente mais delimitados.
Temos menos agentes morais envolvidos, menos sujeitos diretamente afetados e,
em geral, conseguimos identificar com maior facilidade as vulnerabilidades e as
consequências. Quando ampliamos a escala e chegamos à macrobioética, a situação
se torna muito mais complexa. Muitas pessoas participam das decisões, os
efeitos se distribuem por grandes territórios e diferentes períodos e os
sujeitos envolvidos podem ocupar posições distintas dentro da mesma estrutura. Em
determinado momento, um indivíduo pode ser agente moral e tomar uma decisão que
terá consequências sobre outras pessoas que ocupam posições diferentes na
estrutura social. Em outro momento, esse mesmo indivíduo pode ser vulnerável à
decisão tomada por alguém que ocupa uma posição de maior poder. A mesma pessoa
pode, portanto, ocupar simultaneamente diferentes posições dentro da rede de
responsabilidades. Essa compreensão também nos permite questionar a ideia de
que problemas comuns podem ser resolvidos apenas por atitudes individuais.
Quando estamos diante de problemas como a crise hídrica ou as mudanças
climáticas, não é suficiente afirmar que cada indivíduo deve fazer a sua parte.
Tomar banhos mais curtos, economizar água ou reduzir determinados consumos são
atitudes importantes, mas não resolvem, isoladamente, problemas cuja produção
está vinculada a estruturas econômicas, políticas e ambientais muito mais
amplas. Quando temos um problema comum, precisamos de um compromisso coletivo.
Esse compromisso precisa envolver diferentes níveis de decisão e diferentes
agentes sociais. A própria dificuldade de alcançar os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável pode ser compreendida também a partir dessa
dificuldade de articular as diferentes escalas envolvidas nos problemas
contemporâneos.
É a partir dessa
perspectiva que parto para a Bioética Ambiental e, dentro dela, para a dimensão
da família multiespécie, que tem intermediado algumas de minhas pesquisas.
Antes de falar diretamente sobre a família multiespécie, entretanto, considero
importante discutir um aspecto relacionado ao próprio ser humano, que é a
biofilia. O termo biofilia foi utilizado e desenvolvido de maneira
sistemática por Edward O. Wilson, também biólogo, que trabalhou em diferentes
áreas da Biologia e faleceu recentemente. A hipótese da biofilia parte da ideia
de que os seres humanos possuem uma tendência a estabelecer uma relação de
afinidade com outros organismos e com elementos naturais. Essa relação pode
ocorrer por meio de experiências muito simples, como caminhar descalço sobre a
areia ou sobre a terra, sentir a brisa do mar, observar o horizonte, entrar em contato
com uma árvore ou brincar com um cachorro. A ideia fundamental é que o ser
humano possui uma história evolutiva profundamente vinculada aos ambientes
naturais. Durante a maior parte de sua existência, nossa espécie viveu em
estreita relação com diferentes elementos do ambiente e desenvolveu mecanismos
de percepção e resposta relacionados a essa experiência. O contato com
elementos naturais pode produzir sensações de bem-estar e influenciar
diferentes dimensões da experiência humana, incluindo aspectos físicos,
psicológicos, sociais e subjetivos. Quando falamos de biofilia, precisamos
considerar também um fenômeno complementar, que é a biofobia. O ser humano
evoluiu em ambientes naturais que não eram necessariamente harmônicos,
previsíveis ou seguros. A natureza é caracterizada por diversidade, interação,
competição, imprevisibilidade e diferentes formas de risco. Conviver com essa
diversidade significava também aprender a reconhecer determinados perigos e
desenvolver respostas capazes de aumentar as possibilidades de sobrevivência. Ao
longo da evolução, indivíduos que conseguiam reconhecer determinados riscos e
responder rapidamente a eles poderiam apresentar maior possibilidade de
sobrevivência. A presença de uma tempestade, uma queda de grande altura, um
animal potencialmente perigoso ou determinadas condições ambientais podia
representar uma ameaça concreta. A capacidade de reconhecer esses sinais e
desenvolver respostas de proteção passou a fazer parte do repertório humano. Nosso
tempo de urbanização é muito curto quando comparado com o tempo evolutivo da
espécie. As grandes transformações relacionadas à agricultura e à fixação das
populações humanas ocorreram há aproximadamente dez ou doze mil anos, enquanto
o Homo sapiens possui uma história de cerca de 300 mil anos. A vida
urbana contemporânea constitui, portanto, uma experiência extremamente recente
quando comparada à nossa história evolutiva. Chegamos às cidades carregando
predisposições construídas ao longo dessa história, inclusive predisposições
relacionadas ao medo e à rejeição de determinados elementos naturais. Algumas
pessoas apresentam medo intenso de aranhas, cobras, tempestades, escuridão ou
altura. Parte dessas respostas pode estar relacionada a predisposições
evolutivas, enquanto outra parte é construída por experiências individuais e
culturais. Quando vivíamos diretamente em ambientes naturais, essas
predisposições eram acompanhadas por processos de aprendizagem. A pessoa
aprendia a reconhecer os riscos reais, aprendia a distinguir situações
perigosas de situações que não apresentavam perigo e aprendia,
progressivamente, a conviver com a diversidade. O problema aparece quando
ocorre a ruptura desse processo educativo e de convivência. A urbanização
intensiva produziu justamente uma transformação dessa relação. A cidade passou
a ser apresentada como oposição ao ambiente rural e à natureza, e muitas
pessoas migraram para os espaços urbanos procurando justamente uma realidade
diferente daquela encontrada no ambiente rural. A chamada selva de pedra
representava, em muitos sentidos, uma tentativa de afastamento das condições
naturais. Em poucas gerações, também fomos desaprendendo a lidar com
determinadas manifestações da natureza. Nosso mundo foi sendo simplificado e
nossas relações com os elementos naturais foram sendo reduzidas. Ao mesmo
tempo, começamos a perceber que uma vida completamente afastada da natureza
produzia consequências para diferentes dimensões do bem-estar humano. Surge,
então, uma preocupação contemporânea com aquilo que passou a ser denominado
déficit de natureza. As cidades começam a incorporar áreas verdes, parques,
árvores, jardins e diferentes elementos naturais como estratégias para
recuperar parte dessa relação perdida. As novas cidades e as chamadas cidades
inteligentes passam a reconhecer a importância da presença do verde e da
experiência da natureza. Existe, entretanto, uma questão importante nessa
retomada. Queremos novamente a natureza dentro das cidades, porém muitas vezes
queremos uma natureza organizada de acordo com nossas preferências. Queremos a
árvore, desde que ela não derrube folhas sobre nosso carro. Queremos os
pássaros, desde que não façam suas necessidades sobre o carro e não cantem de
madrugada. Queremos o verde, mas frequentemente esperamos que ele permaneça
decorativo e previsível. A natureza que retorna à cidade, entretanto, não é
decorativa. Ela traz consigo toda a sua complexidade. As árvores abrigam
animais, os animais circulam pelos espaços urbanos, diferentes espécies
estabelecem relações ecológicas e processos naturais continuam ocorrendo mesmo
quando não correspondem às expectativas humanas. Quando recolocamos a natureza
dentro da cidade sem reeducar as pessoas para lidar com sua diversidade,
criamos uma situação de vulnerabilidade que envolve seres humanos, animais e
instituições. É nesse ponto que a questão da família multiespécie começa
a se relacionar com a biofilia. A família multiespécie foi profundamente
influenciada, nos últimos anos, por uma mídia que passou a afirmar que os
animais são membros da família e devem ser tratados como filhos ou como iguais.
A indústria pet e a publicidade tiveram um papel importante nessa
transformação, incorporando o animal a diferentes contextos de consumo, cuidado
e convivência. Há poucas décadas, em muitas famílias, o cachorro permanecia no
quintal e era compreendido principalmente como um animal de companhia ou como
um animal que ocupava determinado espaço da casa. Atualmente, é muito mais
comum que cães e gatos sejam reconhecidos como integrantes da família,
recebendo cuidados, investimentos e atenção semelhantes àqueles destinados aos
demais membros humanos. Hoje temos, no Brasil, mais famílias com animais de
estimação do que famílias com filhos, e os animais estão presentes em grande
parte das residências, principalmente cães e gatos. Outros animais também
começam a aparecer dentro desse contexto. A questão que considero importante,
entretanto, é saber até onde vai esse reconhecimento do animal como membro da
família e o que acontece quando uma situação concreta confronta esse
reconhecimento com uma estrutura social que continua classificando o animal de
outra maneira.

Uma situação
particularmente evidente é a emergência. As enchentes ocorridas no Rio Grande
do Sul trouxeram essa questão para uma dimensão muito concreta e foram também o
tema de um artigo que publiquei recentemente. Em determinadas situações, diante
da necessidade de evacuação, as pessoas precisaram ouvir que poderiam levar
consigo determinados membros da família, mas que não havia condições para
retirar os animais da mesma maneira. Imagine o que significa, para uma pessoa
que durante anos ouviu que seu cachorro é seu filho e que passou a organizar
sua vida em torno desse vínculo, encontrar-se diante de uma situação em que
precisa escolher entre salvar um filho humano e salvar um filho não humano. A
situação coloca em confronto duas formas de reconhecimento que, na vida
cotidiana, pareciam perfeitamente compatíveis. Algumas pessoas não fizeram essa
escolha e permaneceram em áreas de risco porque não aceitavam deixar seus
animais para trás. Outras precisaram sair e posteriormente buscar formas de
resgatar os animais. Muitas dessas situações foram documentadas e circularam
intensamente nas redes sociais, justamente porque produziam uma experiência
emocional muito forte. A mesma contradição aparece quando pensamos nas viagens
com animais. O animal é reconhecido como membro da família até o momento em que
uma companhia aérea estabelece que ele é um animal e que precisa obedecer às
regras de um sistema de transporte estruturado principalmente para seres
humanos. A situação pode chegar a extremos bastante graves, como os casos
relatados pela mídia de pessoas que abandonaram seus animais em aeroportos ou
que chegaram a provocar sua morte porque não encontraram uma solução para transportá-los.
A mesma sociedade que estimula a ideia de que o animal é um filho, que oferece
produtos para que ele seja tratado como um filho e que constrói toda uma
indústria voltada para esse novo membro da família é capaz de afirmar, em outra
situação, que ele é simplesmente um animal e que, portanto, não pode ocupar
determinado espaço destinado aos humanos. É justamente aí que aparece uma
questão de responsabilidade. Como responsabilizar individualmente uma pessoa
que está inserida em uma estrutura inteira que produz essa contradição? Existe,
evidentemente, uma dimensão individual das decisões, mas existe também uma
estrutura social, institucional, econômica e jurídica que interfere diretamente
nas possibilidades de escolha. A mesma questão aparece quando pensamos nas
cidades que procuram estimular a biofilia por meio da recuperação dos espaços
verdes. As pessoas querem novamente a natureza na cidade, mas frequentemente
desejam uma natureza selecionada e controlada. Querem árvores, mas não
necessariamente os organismos que vivem nessas árvores. Querem pássaros, mas
não necessariamente seus dejetos, seus sons e seus comportamentos. Querem uma
natureza que produza bem-estar, desde que permaneça dentro dos limites
definidos pelas expectativas humanas. Quando essa natureza complexa retorna ao
espaço urbano, aparecem também os animais silvestres. Gambás podem entrar nas
casas, morcegos podem ocupar forros, aves podem utilizar estruturas urbanas
para construir seus ninhos e diferentes espécies podem circular pelos ambientes
ocupados pelos seres humanos. Esses animais estão submetidos a uma legislação
ambiental bastante rigorosa. A pessoa, muitas vezes, não sabe o que fazer
quando encontra um animal silvestre dentro de sua residência, porque não pode
simplesmente manipulá-lo, transportá-lo ou matá-lo, mas também não encontra
necessariamente uma estrutura acessível que possa orientá-la e auxiliá-la. Existe
uma situação que tem me incomodado particularmente e que provavelmente muitos
de vocês já vivenciaram, que é a presença de um filhote de ave que caiu do
ninho. Em determinadas situações, essa queda é parte de um processo natural.
Algumas aves podem abandonar determinados filhotes, irmãos podem competir entre
si, alterações bruscas das condições ambientais podem provocar a queda ou o
deslocamento dos filhotes e, portanto, a presença de um filhote no chão não
significa necessariamente que ele esteja abandonado. A pessoa, entretanto, vê
um animal vulnerável e sente que possui uma responsabilidade moral diante
daquela vida. O que deve fazer? Deve ignorar e deixar que o processo natural
aconteça ou deve recolher o animal, levá-lo para casa e tentar alimentá-lo para
oferecer uma possibilidade de sobrevivência? Quando procura ajuda, muitas vezes
não encontra uma estrutura preparada para orientar adequadamente essa situação.
A pessoa acaba tomando uma decisão com base em seu próprio conhecimento, em
informações encontradas na internet ou simplesmente em seu impulso de cuidado.
Pode conseguir salvar aquele animal, mas pode também produzir uma relação de
dependência que modifica completamente sua possibilidade de retorno à vida
livre. Quando o filhote sobrevive e estabelece uma relação de reconhecimento
com a pessoa que o criou, pode ocorrer um processo de aprendizagem no qual o
animal passa a reconhecer aquela pessoa e aquele ambiente como referência de
segurança. A situação cria um problema posterior, porque a legislação não
oferece necessariamente uma solução simples para uma relação que surgiu dessa
maneira. Existem mecanismos legais específicos para a manutenção de
determinados animais silvestres em cativeiro, mas a aquisição e a manutenção
desses animais dependem de condições e autorizações estabelecidas pela
legislação. O animal que foi retirado da natureza por uma pessoa que tentou
salvá-lo pode acabar permanecendo em uma situação irregular. Isso não
significa, evidentemente, que não exista tráfico de animais silvestres ou que
todas as pessoas que mantêm animais estejam agindo por uma intenção de cuidado.
Existe também uma exploração deliberada da relação humana com outras espécies.
A questão que estou trazendo aqui é justamente aquela situação intermediária na
qual a pessoa se depara com um animal vulnerável, desenvolve uma relação de
cuidado e depois descobre que o sistema institucional não oferece uma solução
adequada para aquilo que aconteceu. Essa questão nos leva novamente à biofilia.
Existe uma necessidade humana de estabelecer relações com elementos naturais e
existe, ao mesmo tempo, uma redução das oportunidades de contato direto com a
natureza. As redes sociais passaram a ocupar parte desse espaço, oferecendo às
pessoas possibilidades de imaginar, idealizar e, em alguns casos, experimentar
indiretamente relações com animais. Encontramos, nas redes sociais, cães, gatos
e outros animais domésticos inseridos em narrativas familiares. Existem também
animais de produção que passam a ser apresentados como animais de estimação,
como bois, porcos e galinhas. As pessoas acompanham essas relações, comentam,
compartilham, doam recursos e participam dessas experiências por meio da
interação digital. Também encontramos animais silvestres inseridos nesse
universo. Alguns casos ganharam grande repercussão no Brasil, como o da
capivara Filó, da jaguatirica Pituca e mais recentemente, temos o caso do
papagaio Bicudo. Em diferentes situações, os tutores passaram a compartilhar o
cotidiano desses animais e obtiveram milhares de seguidores e os canais
passaram também a ser monetizados. Aquilo que inicialmente poderia ser
interpretado como uma manifestação de biofilia, como uma tentativa de mostrar à
sociedade uma relação de proximidade com um animal, passa a adquirir uma
dimensão muito mais complexa quando essa relação se transforma em conteúdo e
passa a gerar audiência, seguidores e recursos financeiros. A questão se torna
ainda mais complexa porque o público que acompanha esses animais frequentemente
interpreta a relação a partir de uma experiência afetiva. As pessoas veem o
animal vivendo dentro de uma casa, convivendo com uma pessoa e recebendo cuidados
e concluem que aquela situação representa uma relação maravilhosa entre humano
e animal. Muitas vezes, entretanto, não existe uma referência suficiente para
compreender quais são as necessidades ecológicas daquele animal e quais
consequências podem decorrer da retirada de um indivíduo de seu ambiente
natural. A legislação ambiental, por sua vez, precisa considerar uma dimensão
coletiva. No caso dos animais silvestres, existe uma preocupação legítima com a
mensagem que determinada situação pode produzir para a sociedade. Se um animal
silvestre é mantido ilegalmente por uma pessoa e essa relação se torna pública,
existe o risco de que outras pessoas interpretem aquilo como uma autorização
implícita para manter animais semelhantes em suas próprias casas. A retirada do
animal, portanto, pode ser justificada a partir de uma preocupação educativa e
de proteção da própria legislação. Ao mesmo tempo, permanece a pergunta sobre o
indivíduo que já estabeleceu uma relação de dependência com aquele animal e
sobre o sofrimento que pode decorrer da ruptura dessa relação. Quando um animal
que vive durante anos em determinado ambiente é retirado desse espaço e
colocado em uma estrutura completamente diferente, sua experiência precisa ser considerada.
Ele pode ser colocado em uma gaiola, aproximado de outros indivíduos que não
conhece e submetido a condições que, embora legalmente justificadas pela
necessidade de proteção da espécie, podem representar uma mudança profunda em
sua experiência individual. É justamente nessa situação que considero que a
Bioética Ambiental tem uma contribuição importante, pois precisamos conseguir
olhar simultaneamente para o indivíduo, para a espécie, para o ecossistema,
para a legislação, para a sociedade e para as consequências futuras das
decisões. Não existe uma resposta simples quando diferentes formas de
vulnerabilidade estão presentes ao mesmo tempo. A responsabilidade, nesse caso,
não pode ser compreendida apenas como a responsabilidade daquele indivíduo que
manteve o animal. Precisamos perguntar também quais condições sociais
permitiram que aquela relação se estabelecesse, quais mecanismos institucionais
estavam disponíveis, quais informações chegaram à população, como as redes
sociais participaram da construção daquela relação e quais responsabilidades
pertencem às instituições encarregadas de proteger a fauna. A questão da
responsabilidade torna-se ainda mais ampla quando pensamos que esses problemas
não pertencem exclusivamente às pessoas diretamente envolvidas. Os animais
fazem parte da sociedade que construímos, os ambientes em que vivem são
ambientes que transformamos e as relações que estabelecemos com eles são
resultado de escolhas individuais e coletivas. Por isso, quando falamos de
Bioética Ambiental, precisamos perguntar de que maneira um problema comum pode
ser enfrentado coletivamente. Precisamos reconhecer que existem diferentes
níveis de responsabilidade, diferentes posições dentro das estruturas sociais e
diferentes formas de vulnerabilidade. Precisamos também reconhecer que nossas
decisões produzem consequências para sujeitos que não participam diretamente
dessas decisões e que, em muitos casos, não possuem sequer condições de
expressar suas necessidades dentro dos sistemas humanos de deliberação. A
família multiespécie, a biofilia, a biofobia, a presença da natureza nas
cidades e a relação digital com os animais parecem, à primeira vista, questões
muito diferentes. Quando observadas a partir da responsabilidade, entretanto,
elas revelam uma mesma problemática. Estamos ampliando nossa capacidade de
transformar os ambientes, de estabelecer relações com outras espécies e de
produzir representações sobre a vida, ao mesmo tempo em que ainda estamos
aprendendo a responder pelas consequências dessa capacidade. O desafio da
Bioética Ambiental está justamente em acompanhar essa ampliação. A
responsabilidade precisa alcançar o indivíduo, as instituições, as políticas
públicas, as estruturas econômicas, os ambientes e as outras formas de vida que
participam das consequências das nossas decisões. Precisamos reconhecer que a
vida contemporânea é constituída por relações que ultrapassam as fronteiras
entre indivíduo e coletividade, entre humano e não humano e entre presente e
futuro. Quando pensamos dessa maneira, o dever de cuidar deixa de ser apenas
uma escolha privada e passa a envolver a organização das condições que tornam o
cuidado possível. A família pode reconhecer um animal como membro de sua
comunidade afetiva, mas esse reconhecimento precisa encontrar condições sociais
e institucionais para ser sustentado. A cidade pode desejar recuperar sua
relação com a natureza, mas precisa preparar seus habitantes para conviver com
a diversidade que acompanha essa natureza. A sociedade pode desenvolver uma
relação de encantamento com determinados animais por meio das redes sociais,
mas precisa também desenvolver conhecimento suficiente para reconhecer as
necessidades e os limites dessas outras formas de vida. A responsabilidade no
Antropoceno, portanto, precisa acompanhar a expansão do poder humano. Quanto
maior nossa capacidade de interferir, maior precisa ser nossa disposição para
reconhecer consequências, considerar vulnerabilidades e construir decisões coletivas.
A questão fundamental não é apenas aquilo que conseguimos fazer, mas aquilo que
estamos dispostos a assumir quando fazemos. É nesse sentido que compreendo a
Bioética Ambiental como um espaço de deliberação sobre problemas comuns. A vida
que compartilhamos não está organizada em compartimentos independentes. As
decisões humanas atravessam outras pessoas, outras espécies, territórios e
gerações futuras. A responsabilidade precisa acompanhar essas conexões e
reconhecer que a capacidade de agir somente adquire sentido ético quando está
acompanhada pela capacidade de cuidar das consequências da própria ação.
Para Conhecer um pouco mais da nossa produção sobre o tema, convido para leitura dos artigos:
🐾 FISCHER, Marta Luciane. Por uma bioética pet-friendly: do pecado do antropomorfismo à família multiespécie instagramável. Revista Inclusiones, v. 13, n. 2, e3723, 2026.
DOI: 10.58210/rie3723
🐾 FISCHER, Marta Luciane; CARVALHO, Patricia Feiz Nardinelli Bernardes de; CARNEIRO, Jaqueline Kliemke; PIMPÃO, Claudia Turra. Humanização dos animais de companhia: por uma Educação Ambiental animalitária. Revista Brasileira de Educação Ambiental (RevBEA), v. 17, n. 4, p. 35–56, 2022.
DOI: 10.34024/revbea.2022.v17.13881.
👨👩👧👦 MEIRELLES, Jussara Maria Leal de; FISCHER, Marta Luciane. O animal de estimação como membro da família: repercussões sociais, éticas e jurídicas. 2016.
DOI: não localizado. A publicação localizada corresponde a trabalho apresentado no V Congresso Mundial de Bioética e Direito dos Animais, em 2016, portanto não se trata de artigo de periódico com DOI identificado.
🐕 MARTINS, Maria Natalia; WISNESKI, Rafael Fernando; MARÇAL, Leila Scucato; LEITE, Caroline Neppel Alves; WEBER, Saulo Henrique; FISCHER, Marta Luciane; PIMPÃO, Claudia Turra. Universidade pet-friendly: percepção acadêmica sobre cães de apoio emocional. Revista Inclusiones, v. 13, n. 3, e3780, 2026.
DOI: 10.58210/rie3780.
⚕️ CARVALHO, Patricia Feiz Nardinelli Bernardes de; FISCHER, Marta Luciane. Eutanásia ou cuidados paliativos?: critérios para deliberação na perspectiva de tutores, protetores e médicos veterinários. Revista Inclusiones, v. 9, n. 3, p. 241–284, 2022.
DOI: 10.58210/fprc3376.
⚖️ CARVALHO, Patricia Feiz Nardinelli Bernardes de; FISCHER, Marta Luciane. Os tênues limites entre o direito de viver e o direito de morrer: a perspectiva acadêmica, jurídica e bioética dos cuidados paliativos em animais de estimação. Revista de Bioética y Derecho, n. 58, p. 243–269, 2023.
DOI: 10.1344/rbd2023.58.42292.
🌱 FISCHER, Marta Luciane; CAMPOS, Ana Carolina de; SANTOS JUNIOR, Robiran José dos. Educação ambiental para a coexistência: superando a biofobia para um futuro sustentável. Ambiente & Educação: Revista de Educação Ambiental, v. 30, n. 1, p. 1–25, 2025.
DOI: 10.63595/ambeduc.v30i1.17978.
🐕 FISCHER, Marta Luciane; ZANATTA, Amanda Amorim; MOSER, Ana Maria. Avaliação da percepção e moralidade de universitários diante dos fenômenos “cães abandonados” e “acumuladores de animais”. Psicologia Argumento, v. 40, n. 110, p. 1994–2023, 2022.
DOI: 10.7213/psicolargum.40.110.AO01.
🦉 FARIAS, Marina Kobai; STRAMANTINO, Jaqueline; FISCHER, Marta Luciane. Fauna Silvestre: uma pauta na agenda das cidades inteligentes? Revista Inclusiones, v. 9, n. 3, p. 147–178, 2022.
DOI: 10.58210/fprc3372.
🐦 FARIAS, Marina Kobai; STRAMANTINO, Jaqueline; FISCHER, Marta Luciane. Los animales como agenda para las ciudades inteligentes: la interacción de los curitibanos con la fauna silvestre urbana. Revista Inclusiones, v. 9, n. especial, p. 18–47, 2022. DOI: 10.58210/fprc3390.
🌊 FISCHER, Marta Luciane; ADAMI, Eliana Rezende; CHAPARE, Trindade Filipe. Perdóname, te quiero, cariño, pero no cabes en el barco: la vulnerabilidad de la familia multiespecie ante las catástrofes. Revista Inclusiones, 2026.
DOI: 10.58210/rie4095.
🌱 ZANATTA, Amanda Amorim; SANTOS-JUNIOR, Robiran José; PERINI, Carla Corradi; FISCHER, Marta Luciane. Biofilia: produção de vida ativa em cuidados paliativos. Saúde em Debate, v. 43, n. 122, p. 949–965, 2019.
DOI: 10.1590/0103-1104201912223.
🧬 FISCHER, Marta Luciane. Biofobia: marcando a fronteira entre as ciências humanas e biológicas. 2026.
DOI: não localizado.
O trabalho foi publicado/disponibilizado pela autora em 2026 e discute a biofobia como fenômeno situado na fronteira entre as áreas das Humanidades e das Ciências Biológicas.
🌳 FISCHER, Marta Luciane; RENK, Valquiria Elita; MOSER, Ana Maria; ARTIGAS, Natalia Aline Soares. Diálogos entre bioética e saúde global: análise de usuários e usos de parques urbanos como indicadores éticos na promoção de bem-estar. Cadernos Metrópole, v. 20, n. 42, p. 471–492, 2018.
DOI: 10.1590/2236-9996.2018-4208.
🐕 FISCHER, Marta Luciane; ZANATTA, Amanda Amorim. Análise bioética das intervenções assistidas por animais em ambiente hospitalar. Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar, v. 24, n. 2, p. 173–186, 2021.
DOI: 10.57167/Rev-SBPH.24.92.
🌎 FISCHER, Marta Luciane; ALMEIDA, João Carlos de Aquino. Humanos e não-humanos no ambiente acadêmico: o direito de conviver em harmonia como pauta da bioética e Educação Ambiental. Revista Brasileira de Educação Ambiental (RevBEA), v. 20, n. 6, p. 428–448, 2025.
DOI: 10.34024/revbea.2025.v20.20363.