sábado, 23 de maio de 2026

Entre a ciência e a sociedade: 30 anos da aranha-marrom na mídia curitibana

 

A aranha-marrom volta à mídia curitibana justamente no momento em que nos preparamos para o lançamento do livro Aranha-marrom: 30 anos de estudos biológicos, epidemiológicos e sociais. E não poderia ser diferente. Ao longo dessas três décadas, a mídia exerceu um papel fundamental de prestação de serviço social, traduzindo a linguagem científica da academia para uma linguagem acessível à população, orientando sobre prevenção de acidentes e sobre os procedimentos adequados em caso de ocorrência. Compreendemos que, para chamar atenção para um problema de saúde pública reconhecido oficialmente desde 1993 — quando o município de Curitiba criou uma comissão específica para estudar o loxoscelismo —, muitas vezes as manchetes recorrem ao impacto e ao sensacionalismo. Entretanto, a condução da informação após a chamada inicial precisa ser pautada pela responsabilidade. Mais do que gerar medo, alarmismo ou distanciamento, é necessário promover comprometimento coletivo, consciência crítica sobre o que representa um risco real e como conviver com ele de maneira adequada. Curitiba representa, de fato, um caso atípico quando comparado aos relatos científicos e epidemiológicos registrados em outras regiões. A elevada infestação da aranha-marrom, especialmente da espécie Loxosceles intermedia, já foi registrada em pelo menos 80% das edificações avaliadas em determinados períodos, sendo essa espécie responsável por cerca de 90% das ocorrências. Os outros 10% estão relacionados à espécie Loxosceles laeta. Entender quais características biológicas, ambientais, urbanísticas e sociais contribuíram para esse cenário, estabelecer métodos de mitigação e impedir que outras cidades expressem o mesmo fenômeno compõem parte central da obra que será lançada no dia 29 de maio de 2026, às 16h30, na Arena Digital da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

A publicação, editada pela PUCPRESS e pela Universidade Federal do Paraná, representa um retorno à academia, à cidade de Curitiba e à sociedade. Mais do que discutir acidentes, o livro propõe uma reflexão sobre convivência com uma fauna urbana cada vez mais rica, resultado também do reenverdecimento de cidades que buscam se tornar mais ecológicas e sustentáveis. Ao longo desses mais de 30 anos, construímos uma relação de diálogo constante com a mídia curitibana. Gostaríamos de registrar nosso agradecimento pelo cuidado, respeito e responsabilidade com que nosso grupo de pesquisa foi tratado, ouvido e divulgado. A mídia possui um papel essencial na aproximação entre pesquisadores e sociedade, especialmente em temas ligados à saúde pública e à educação científica. Em um momento histórico marcado pela rápida circulação de desinformação, frequentemente produzida por influenciadores sem aprofundamento técnico sobre os temas que abordam, fortalecer a comunicação entre ciência e mídia profissional torna-se ainda mais importante. Difundir informação de qualidade é um compromisso coletivo e uma ferramenta indispensável para promover prevenção, pensamento crítico e convivência responsável com a biodiversidade urbana.

Veja algumas publicações e reportagens que marcaram esses 30 anos!

2011

2012



 

2013



2018


 

 

 

2019



 

Outras reportagems Globoplay AQUI  AQUI2  AQUI3

 

2026

  



 Comentário do Biólogo Henrique IBest em Ecologia e Substituibilidade AQUI

 

 

 

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

webinário “Bioética ambiental: fundamentos para um futuro factível”

 

      O webinário “Bioética ambiental: fundamentos para um futuro factível”, promovido pela Sociedade Brasileira de Bioética, ocorreu de forma remota no dia 19 de maio de 2026, por meio da plataforma Zoom, reunindo pesquisadores e participantes interessados nas interfaces entre bioética, ambiente, saúde e sociedade. O encontro integrou a programação mensal da entidade e teve como objetivo discutir a retomada da dimensão ambiental da bioética diante da intensificação da crise socioambiental contemporânea. A proposta central consistiu em refletir sobre como a bioética ambiental vem sendo reconstruída no cenário brasileiro e internacional, articulando fundamentos filosóficos, perspectivas interdisciplinares e desafios éticos associados às mudanças climáticas, à perda de biodiversidade, às desigualdades socioambientais e às relações multiespécies. A abertura institucional foi conduzida por Marisa Palácios, presidenta da Sociedade Brasileira de Bioética, que destacou a importância do fortalecimento da perspectiva ambiental no campo bioético e da ampliação dos espaços de diálogo interdisciplinar. A mediação do encontro ficou sob responsabilidade de Marta Luciane Fischer, professora titular da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, coordenadora do Grupo de Pesquisa em Bioética Ambiental. Entre os convidados esteve Rita Leal Paixão, médica veterinária, filósofa e professora titular da Universidade Federal Fluminense, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva. Rita possui trajetória consolidada nas áreas de ética animal, ética ambiental, bem-estar animal e ética em pesquisa, tendo atuado também em comissões de ética e bioética do Conselho Federal de Medicina Veterinária.  Participou igualmente Tânia Kuhnen, filósofa e professora da Universidade Federal do Oeste da Bahia, com atuação em ética, bioética, filosofia política, ética animal e filosofia feminista. Tânia coordena o grupo de pesquisa “Marginais: Grupo Interdisciplinar de Pesquisa sobre Minorias e Exclusões” e desenvolve pesquisas relacionadas à ética do cuidado, ecofeminismo e ampliação da comunidade moral. O debate contou ainda com a presença de Claudia Turra Pimpão, médica veterinária e professora titular da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, com trajetória vinculada à saúde única, medicina veterinária preventiva e políticas públicas em saúde. Claudia foi presidente da Comissão de Saúde Única do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná e coordena o Projeto Barco Saúde Única, desenvolvido no litoral paranaense. Outro participante foi Anor Sganzerla, filósofo, teólogo e professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Bioética da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Pesquisador das áreas de bioética, filosofia da técnica e responsabilidade ambiental, Anor abordou os marcos filosóficos relacionados ao surgimento da bioética ambiental e as distinções entre ética ambiental e bioética ambiental. 

Na contextualização inicial, Marta Fischer retomou a formulação originária da bioética proposta por Van Rensselaer Potter na década de 1970, destacando que a perspectiva ambiental da bioética emergiu em diálogo com movimentos ecológicos e ambientalistas que problematizavam os limites do crescimento econômico, os impactos da industrialização e os riscos ambientais globais. Foram discutidas as conexões entre a bioética, a hipótese Gaia e a compreensão da Terra como um sistema vivo, bem como o papel atribuído por Potter à bioética como ponte entre ciências biológicas e humanidades. A mediação ressaltou que, apesar dessa formulação inicial fortemente vinculada às questões ecológicas, a consolidação institucional da bioética ocorreu predominantemente no campo biomédico, deslocando durante décadas o enfoque ambiental para uma posição periférica. A perspectiva ambiental da bioética emergiu das conexões estabelecidas por Van Rensselaer Potter com os movimentos ecológicos e ambientalistas que se intensificaram a partir da década de 1960 e início da década de 1970. Nesse período consolidaram-se debates sobre ética ambiental, educação ambiental, limites do crescimento econômico e a compreensão da Terra como um sistema vivo, articulada a perspectivas como a hipótese Gaia. O contexto histórico era marcado pela crescente percepção de que a exploração intensiva dos recursos naturais, associada à expansão industrial e ao modelo econômico baseado na ideia de abundância ilimitada, produzia impactos ecológicos de larga escala e colocava em risco a própria sobrevivência humana. Pesquisadores e ambientalistas discutiam problemas como superpopulação, escassez de recursos, poluição, degradação dos ecossistemas e ameaça nuclear, relacionando progressivamente essas transformações ambientais aos riscos para a saúde e para o futuro da civilização. Foi nesse cenário que Potter propôs a bioética como uma nova área de conhecimento voltada à sobrevivência da humanidade no contexto da sobrevivência da biosfera. Em sua formulação original, apresentada em Bioethics: Bridge to the Future (1971), a bioética deveria funcionar como uma ponte entre as ciências biológicas e as humanidades, articulando conhecimento científico, reflexão ética e responsabilidade social. Nas décadas seguintes, diante da invisibilidade acadêmica de suas propostas, inseriu os termos Bioética Global e Bioética Profunda para fundamentar uma bioética que desse conta de problemas complexos, plurais e globais. O objetivo era promover um diálogo interdisciplinar capaz de orientar decisões prudentes diante do rápido desenvolvimento científico e tecnológico, que ampliava a capacidade humana de interferir nos sistemas naturais e, simultaneamente, aumentava o risco de colapso ambiental e social caso tais intervenções não fossem orientadas por valores éticos. Apesar dessa formulação originária fortemente vinculada às questões ecológicas, a consolidação institucional da bioética ocorreu majoritariamente no campo biomédico. A partir do final da década de 1970, a disciplina passou a concentrar-se em dilemas clínicos, direitos dos pacientes e ética da pesquisa, especialmente após a difusão do principialismo biomédico. Esse processo deslocou o foco da bioética para conflitos médicos e hospitalares, contribuindo para que a dimensão ambiental presente na proposta potteriana permanecesse durante décadas em posição marginal no desenvolvimento acadêmico da área.Ao longo dos últimos cinquenta anos, diferentes correntes buscaram retomar ou ampliar a relação entre bioética e ambiente, surgindo formulações como bioética global, bioética ecológica, bioética ambiental e outras abordagens que defendem a necessidade de compreender os dilemas éticos contemporâneos a partir da interdependência entre sistemas naturais, estruturas sociais e processos tecnológicos. Tais perspectivas reconhecem que problemas como mudanças climáticas, degradação ambiental, desigualdades socioambientais e crises sanitárias globais exigem uma reflexão ética que ultrapasse o enfoque estritamente biomédico e incorpore a complexidade das relações entre humanidade e natureza.O presente webinário pretendeu discutir como a bioética ambiental vem sendo reconstruída e consolidada nas últimas décadas, resgatando elementos da proposta original de Potter e analisando as contribuições contemporâneas que buscam integrar dimensões ecológicas, sociais, políticas e culturais na reflexão bioética. O encontro pretende promover um espaço de diálogo interdisciplinar sobre os desafios éticos associados à crise socioambiental global e sobre o papel da bioética na construção de caminhos para a sustentabilidade e para a justiça socioambiental.

 
O primeiro bloco do evento concentrou-se nos fundamentos filosóficos da bioética ambiental. Durante o debate, Anor Sganzerla discutiu a possibilidade de estabelecer um marco temporal e filosófico para o surgimento da bioética ambiental, diferenciando-a da ética ambiental clássica. Segundo o pesquisador, enquanto a ética ambiental possui origem mais filosófica e teórica, a bioética ambiental caracteriza-se pela interdisciplinaridade e pela articulação entre questões ecológicas, sociais e políticas, incorporando temas como vulnerabilidade, pobreza, desigualdade e responsabilidade coletiva. O pesquisador defendeu a legitimidade da consolidação da bioética ambiental como subárea da bioética, argumentando que os problemas ambientais contemporâneos exigem abordagens éticas capazes de integrar múltiplas dimensões da vida social e ecológica. Na sequência, Tânia Kuhnen abordou as relações entre ecofeminismo, ética ambiental e bioética ambiental, destacando que as discussões ambientais contemporâneas demandam o enfrentamento das estruturas de dominação associadas à exploração da natureza e de grupos vulnerabilizados. A pesquisadora enfatizou a necessidade de superar perspectivas antropocêntricas e dualistas, propondo relações mais horizontais e interdependentes entre seres humanos, animais e ecossistemas. A reflexão incorporou debates sobre ampliação da comunidade moral, ética do cuidado e reconhecimento das múltiplas formas de vulnerabilidade presentes na crise socioambiental. Tânia Kuhnen retomou os debates sobre expansão da comunidade moral, discutindo contribuições do biocentrismo e das teorias da ética ambiental para o reposicionamento das relações entre seres humanos e demais formas de vida. Rita Paixão enfatizou a relevância das reflexões sobre ética animal para a consolidação da bioética ambiental, destacando a necessidade de reconhecer os impactos das ações humanas sobre animais e ecossistemas no contexto da crise ambiental contemporânea. Rita Paixão discutiu a noção de “bioética profunda”, expressão desenvolvida por Potter em seus últimos trabalhos. Segundo a pesquisadora, a proposta representaria um amadurecimento da bioética enquanto campo voltado à articulação entre ciência, cultura, ética e natureza. A discussão destacou a evolução do pensamento de Potter desde uma bioética inicialmente associada à sobrevivência humana até formulações voltadas à interdependência ecológica e à responsabilidade planetária. A pesquisadora ressaltou ainda a influência de perspectivas ecológicas e da ecologia profunda nesse processo de ampliação conceitual. O segundo bloco abordou a ampliação da bioética para além das relações estritamente humanas. Claudia Turra Pimpão apresentou a perspectiva da saúde única, enfatizando a interdependência entre saúde humana, animal e ambiental. A pesquisadora discutiu a institucionalização da abordagem no contexto internacional e brasileiro, mencionando iniciativas desenvolvidas em articulação com políticas públicas e projetos de extensão universitária. Entre os exemplos apresentados, destacou-se o Projeto Barco Saúde Única, desenvolvido no litoral do Paraná, voltado ao manejo populacional de cães e gatos, à prevenção de zoonoses e à promoção da guarda responsável em comunidades de difícil acesso. A discussão evidenciou como a saúde única dialoga diretamente com a bioética ambiental ao reconhecer a inseparabilidade entre condições ecológicas, sanitárias e sociais. Ao longo do webinário, as discussões extrapolaram os fundamentos conceituais da bioética ambiental e avançaram para a proposição de caminhos teóricos, metodológicos e políticos voltados à consolidação da área. Nesse contexto, Tânia Kuhnen destacou a necessidade de desenvolver parâmetros teóricos e princípios específicos para a bioética ambiental capazes de orientar processos de tomada de decisão diante de dilemas práticos contemporâneos, incluindo questões relacionadas ao uso de tecnologias de modificação genética em ecossistemas. A pesquisadora ressaltou que a complexidade dos problemas ambientais exige referenciais éticos que articulem responsabilidade, interdependência e reconhecimento das múltiplas formas de vida afetadas pelas intervenções humanas. A professora também enfatizou a importância de avançar na formulação de práticas concretas de cuidado, mencionando exemplos como veganismo, educação e políticas públicas estruturadas a partir da ética do cuidado e da virada relacional interespécies. Segundo Tânia, tais práticas podem fortalecer redes de cuidado e ampliar a atenção às demandas de diferentes seres vivos, contribuindo para relações menos hierárquicas entre humanos, animais e ecossistemas. As discussões conduzidas durante o encontro reforçaram a necessidade de consolidação da bioética ambiental como subárea da bioética. Nesse sentido, todos os participantes foram convidados a contribuir com sugestões e debates voltados à delimitação conceitual da área, conforme problematizado por Marta Luciane Fischer e Anor Sganzerla. O debate indicou que o fortalecimento da bioética ambiental depende tanto da construção de bases teóricas mais consistentes quanto da ampliação das articulações interdisciplinares e institucionais. Marta Fischer e os participantes também discutiram a necessidade de desenvolver estratégias de escuta e comunicação efetiva com a natureza e entre diferentes atores humanos e não humanos. Foram mencionadas possibilidades de aproximação com práticas e conhecimentos de comunidades tradicionais, compreendidas como importantes referências para a promoção de diálogos interespécies e para o reposicionamento das relações entre sociedade e ambiente. Outro eixo recorrente nas discussões foi a aproximação entre bioética ambiental e educação ambiental crítica. Marta destacou que, embora a educação ambiental já possua trajetória consolidada em políticas públicas e metodologias pedagógicas, ainda persistem dificuldades na transformação efetiva de comportamentos e paradigmas relacionados à crise ecológica. Nesse contexto, os participantes defenderam o fortalecimento da articulação entre bioética ambiental e educação ambiental crítica como estratégia para ampliar a efetividade das ações educativas e promover mudanças culturais mais amplas. Ao longo do debate, os participantes também enfatizaram a necessidade de traduzir princípios bioéticos em políticas públicas globais e ações concretas. A discussão indicou que a bioética ambiental não deve permanecer restrita ao campo teórico ou acadêmico, mas precisa contribuir para processos colaborativos de tomada de decisão capazes de enfrentar problemas ambientais complexos e interdependentes. As reflexões também abordaram a necessidade de inclusão de diferentes vozes nos processos de deliberação ética. Os participantes defenderam que grupos humanos marginalizados, animais e ecossistemas precisam ser considerados nas discussões relacionadas ao meio ambiente e à saúde planetária, ampliando os sujeitos contemplados pelas decisões morais e políticas.

 O debate também incorporou perguntas encaminhadas pelos participantes por meio do chat e do WhatsApp da organização. Entre os temas discutidos estiveram as relações entre bioética ambiental e educação ambiental crítica, o combate ao negacionismo climático, os limites éticos das modificações genéticas em ecossistemas, a formulação de políticas públicas globais e a necessidade de inclusão de diferentes vozes, humanas e não humanas, nos processos de deliberação ética. A interlocução com a educação ambiental foi destacada como uma possibilidade de fortalecimento das mudanças culturais e comportamentais necessárias diante da crise socioambiental. Outro ponto recorrente ao longo do encontro foi a defesa de processos interdisciplinares como condição indispensável para enfrentar problemas complexos associados à vulnerabilidade ambiental. Os participantes discutiram a necessidade de aproximar bioética, ciência, política e sociedade, ampliando a capacidade de tradução dos princípios bioéticos em práticas concretas, ações educativas e políticas públicas. Durante o encerramento, foram mencionadas perspectivas de continuidade das articulações em bioética ambiental, incluindo a realização de novos webinários, a ampliação da rede de pesquisadores da área e a organização do Congresso Ibero-americano sobre vulnerabilidade e abordagens integrais. Também foram destacados desafios relacionados à consolidação conceitual da bioética ambiental enquanto subárea da bioética, especialmente no que se refere à definição de bases teóricas, fortalecimento da massa crítica e incorporação do termo em políticas públicas, programas de pesquisa e processos formativos. Anor Sganzerla retomou o conceito de responsabilidade como eixo central para a ampliação do horizonte moral da bioética diante dos desafios ecológicos contemporâneos. O pesquisador enfatizou a necessidade de superar abordagens centradas exclusivamente no indivíduo e considerar responsabilidades coletivas diante de problemas globais como mudanças climáticas, degradação ambiental e perda de biodiversidade. O encontro evidenciou a diversidade de abordagens que atualmente compõem a bioética ambiental e reafirmou a centralidade das discussões éticas diante da crise ecológica contemporânea. Ao longo das discussões, os participantes convergiram na compreensão de que os problemas ambientais não podem ser dissociados das estruturas sociais, econômicas, culturais e políticas que organizam as relações entre seres humanos, animais e ecossistemas, exigindo respostas coletivas, interdisciplinares e globalmente articuladas.

 Veja a transmissão na integra aqui 

 

 

 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

PPGB Celebra nota 5 e lança o livro "Bioética à Mesa"

 No dia 6 de maio de 2026, o restaurante-escola l’Hermitage, da Escola de Medicina e Ciências da Vida (EMCV) da PUCPR, foi palco de um encontro marcado pela celebração, emoção e construção de memórias coletivas. O evento reuniu professores, estudantes, gestores, colaboradores e convidados especiais para comemorar a conquista da nota 5 do Programa de Pós-graduação em Bioética da PUCPR, além de celebrar o lançamento da obra Bioética à Mesa: promovendo a pesquisa, ensino e extensão na busca da inclusão, sustentabilidade e justiça alimentar (o e-book está disponível gratuitamente aqui). 
O encontro foi especialmente significativo pelo prestígio institucional e humano que recebeu. Entre as  autoridades presentes, destacaram-se o Reitor Irmão Rogério Renato Mateucci e chefe de gabinete André Azevedo, as Pró-reitora Paula Trevitato e Andreia Mallucelli, a Diretora de Pesquisa Vanessa Sotomaior, o Decano da EMCV José Knopfholz, além de coordenadores de curso Ana Greca, Karen Kubo e Flávia Auler. A presença dessas lideranças simbolizou a credibilidade, o acolhimento e o reconhecimento construídos ao longo da trajetória do Programa de Pós-graduação em Bioética dentro da instituição.Também merece destaque o trabalho fundamental da equipe de apoio, composta pelos colaboradores da secretaria e da pró-reitoria de pesquisa, pelos professores do Programa (Anor, Carla, Mario, Renato, Murilo, Alberto, Thiago, Claudia e Valdir), pelos autores do livro (Carla, Anor, Marta, Carol, Eloize, Carmem, Ricardo e Jessica) e pelos estudantes do curso de Gastronomia, responsáveis pela experiência gastronômica cuidadosamente preparada para a ocasião. O cardápio foi inspirado nas receitas presentes no livro, concebidas a partir de uma perspectiva ética e sustentável da cozinha. As preparações demonstraram que é possível valorizar o aproveitamento integral dos alimentos sem abrir mão da criatividade, da sofisticação e dos elementos da alta gastronomia, ensinando inclusive o cozinheiro amador a transformar ingredientes simples em experiências sensoriais marcantes. 
A obra Bioética à Mesa constitui uma iniciativa coletiva que expressa o compromisso institucional da Pontifícia Universidade Católica do Paraná juntamente ao Programa de Pós-graduação em Bioética de articular pesquisa, ensino e extensão em torno de um tema essencial ao nosso tempo: a alimentação como campo ético, cultural e político. Mais do que um compêndio técnico, o livro representa uma proposta pedagógica e reflexiva que coloca a Bioética no centro da mesa, como lente crítica para pensar sustentabilidade, justiça social e promoção da saúde. Estruturada em três eixos, a obra percorre desde fundamentos teóricos, aproximando Gastronomia, Nutrição, Filosofia e Bioética, até experiências práticas, ações extensionistas e propostas educativas. Essa perspectiva integradora reforça a missão universitária de produzir conhecimento socialmente referenciado e formar cidadãos capazes de atuar com responsabilidade e consciência crítica. Ao aproximar a temática alimentar dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, a publicação também assume caráter propositivo ao contribuir para a erradicação da fome (ODS 2), a promoção da saúde e bem-estar (ODS 3), a redução das desigualdades (ODS 10) e o enfrentamento das mudanças climáticas (ODS 13), entre outros objetivos diretamente relacionados à vida das comunidades. 
Assim, Bioética à Mesa traduz as expectativas da Bioética contemporânea ao propor uma educação alimentar que transcende o tecnicismo, valoriza a diversidade cultural, integra múltiplas percepções e aponta para novas formas de convivência entre seres humanos, animais e ambiente. Trata-se de uma contribuição relevante para professores, estudantes, profissionais e instituições que reconhecem o alimento como bem comum e direito humano fundamental. Após o almoço comemorativo, os participantes ainda foram convidados pela Dra. Rosana Nicola para a continuidade das celebrações em outro importante espaço de diálogo acadêmico e cultural: o VII Fórum Nacional de Revisão de Textos, ocasião em que a obra também foi oficialmente lançada. O evento propôs discutir a inter-relação entre ética e estética na prática revisional, evidenciando debates profundamente contemporâneos sobre autoria, linguagem e responsabilidade profissional. 
A presença da obra nesse debate ampliou ainda mais o alcance interdisciplinar da proposta de Bioética à Mesa, demonstrando que as discussões sobre alimentação, sustentabilidade, educação e justiça social também atravessam os modos como produzimos, revisamos e compartilhamos conhecimento. Mais do que um lançamento editorial, os encontros transformaram-se em experiências de partilha e construção de memórias. 
Memórias visuais, olfativas, gustativas, táteis, intelectuais e emocionais que dificilmente cabem em palavras. A jornada coletiva mostrou que não há nada mais gratificante do que compartilhar percursos, afetos e saberes. Naquela semana, gastronomia, bioética, linguagem e educação ocuparam o mesmo território simbólico, conectando pessoas por meio do conhecimento, da sensibilidade e da esperança. Fica o desejo de que este livro seja degustado em toda a profundidade de suas reflexões e sabores, incentivando novos percursos, novas práticas e novas formas de pensar a alimentação e a vida. Aos que contribuíram institucional, profissional e afetivamente para esses momentos, permanece a gratidão pelos abr aços, pela presença e pela construção conjunta desta trajetória. 

 

E, ao final, uma certeza ecoava entre os presentes: a Bioética está servida.

 

Repercussão: Linkedin Escola  (aqui)

 

 

 

                        

Blog da Escola EMCV (aqui

   

 

 

 

terça-feira, 21 de abril de 2026

Pontifícia Universidade Católica do Paraná: Blue Community Exchange


No dia 20 de abril de 2026, ocorreu mais um encontro da série Blue Community Exchange, reunindo instituições da rede internacional Blue Community em torno da governança da água, da cooperação acadêmica e da justiça hídrica. A Pontifícia Universidade Católica do Paraná, certificada como Blue University em 2023, participou do encontro por meio de uma apresentação institucional e acadêmica coletiva, evidenciando como a universidade tem articulado ética, ciência e ação concreta diante da crise da água. O encontro reuniu pesquisadores e representantes internacionais, entre eles Roland Brunner, Christoph Lüthi, Andreas Klay, Nicole Arsenault, Caitlin Schroering, Matthias Saladin e Maude Barlow, reforçando o caráter internacional e interdisciplinar da rede. A apresentação da PUCPR foi estruturada em diferentes eixos. A dimensão institucional foi conduzida por Elias Wolff, que situou a universidade no contexto brasileiro e latino-americano, destacando o paradoxo de um país que concentra cerca de 12% da água doce do planeta, mas ainda enfrenta desigualdades no acesso. Em Curitiba, a escassez hídrica impacta diversos bairros, reforçando a necessidade de respostas estruturais. Nesse contexto, foram apresentados o Comitê da Água, os Clubes da Água e o setor de sustentabilidade como instâncias de governança hídrica institucional. Wolff também destacou a atuação da REDA – Rede Ecumênica da Água como espaço de articulação interinstitucional e inter-religiosa em defesa da água como bem comum, além de reforçar a participação futura das Blue Universities nas ações do Tempo da Criação, ampliando o diálogo entre espiritualidade, ecologia integral e justiça hídrica. 
A dimensão acadêmica foi apresentada por Marta Luciane Fischer, com foco na bioética da água e na justiça hídrica, desenvolvidas de forma articulada entre ensino, pesquisa e extensão envolvendo a graduação e a pós-graduação em projetos de iniciação científica graduação e junior, mestrado, doutorado e pós-doutorado e com parcerias internacionais. O trabalho evidencia uma produção científica consolidada, centrada na análise de corpos hídricos e na compreensão do rio, especialmente o rio Belém, como sujeito de direitos, associando a identificação de princípios éticos violados a análises bioéticas aplicadas a conflitos socioambientais concretos. Como principais produtos desse percurso, destacam-se o artigo publicado na revista Caminhos de Diálogo (acesse aqui) e o livro Blue University: A Universidade e a Justiça das Águas (acesse aqui), que sistematizam as experiências e referenciais teóricos da proposta. Como ações se destaca a presença do personagem de Thierry Lummertz (coordenador do clube da água) "O Potter do Futuro" presentes nas comemorações institucionais do dia mundial da água, de sensibilização de estudantes universitários e condução de grupos focais com estudantes do ensino básico. a PUCPR como Blue University também está presente em eventos sobre água e meio ambiente como a ecologia integral, laudado si e reuniões com outras Blue Communities brasileiras. É fundamental destacar que toda a produção do Grupo de Pesquisa em Bioética Ambiental, incluindo artigos, livros, projetos de campo, ações de extensão, eventos, registros fotográficos e reflexões acadêmicas, pode ser acompanhada diretamente no blog “Bioética no Dia a Dia”, que se consolida como um espaço ativo de divulgação científica, memória e análise crítica das práticas desenvolvidas no âmbito da justiça hídrica e dos direitos da natureza. O rio Belém, nesse contexto, é mobilizado como laboratório vivo, articulando ensino, pesquisa e extensão por meio de diagnósticos participativos, mobilização estudantil, grupos focais com educação básica e integração com o Clube da Água da PUCPR.
Essa abordagem amplia o campo da bioética para além do humano, incorporando dimensões ambientais e territoriais, além de incluir práticas pedagógicas inovadoras, como projetos de comunicação baseados em arte e a participação na COP30, em Manaus, por meio da iniciativa “Maloca Azul” no metaverso. A dimensão institucional e ambiental foi complementada pelas apresentações de Gustavo Liz e Elaine Kurscheidt, que evidenciaram a integração entre infraestrutura e sustentabilidade, com projetos de captação de água da chuva, reuso hídrico, plantio de árvores ao longo do rio Belém, compostagem e redução de plástico, indicando uma transição para um modelo de gestão ambiental integrado e regenerativo.  O encontro também contou com a apresentação de Maude Barlow, que discutiu sua obra Earth for Sale: The Fight to Stop the Last Plunder of the Planet, trazendo uma crítica à financeirização da natureza e à mercantilização da água, reafirmando-a como direito humano e bem comum. O conjunto das discussões evidencia que a experiência da PUCPR se estrutura na convergência entre produção acadêmica, práticas pedagógicas e ações institucionais. Mais do que iniciativas isoladas, trata-se de uma mudança de paradigma, na qual a água passa a ser compreendida como eixo estruturante de justiça, ética e governança socioambiental, reforçando o papel das universidades na construção de respostas para a crise hídrica global.