Blog de discussão e aplicação de conhecimentos científicos no dia-a-dia, destinado para alunos e interessados na Ética Prática, Dialogante e Multidisciplinar própria da Bioética!
A Blue University e o Grupo de Pesquisa em Bioética ambiental participaram do XII Simpósio de Prática Docente, promovido pelo Núcleo de Excelência Pedagógica (NEP/NIP) da PUCPR, um evento consolidado como espaço de compartilhamento de experiências voltadas ao aprimoramento do ensino superior. Ao longo de três dias os docentes apresentaram práticas desenvolvidas em sala de aula, projetos de extensão, experiências de internacionalização, uso de tecnologias educacionais e estratégias voltadas à aprendizagem experiencial, evidenciando a diversidade de iniciativas que vêm sendo construídas na instituição. A programação teve início com uma mesa dedicada ao Scholarship of Teaching and Learning (SoTL), à aprendizagem experiencial e à aprendizagem-serviço, seguida por apresentações organizadas em eixos temáticos que contemplaram metodologias de ensino, inteligência artificial aplicada à educação, inclusão, extensão universitária, internacionalização, ambientes imersivos e práticas inovadoras desenvolvidas nas diferentes escolas da PUCPR. Ao acompanharmos as apresentações, observamos que diferentes áreas do conhecimento compartilham desafios semelhantes relacionados à formação dos estudantes. Independentemente da profissão, as experiências apresentadas buscaram aproximar teoria e prática, ampliar o protagonismo discente e desenvolver competências que respondam às demandas contemporâneas da sociedade. Destacou-se a diversidade de metodologias empregadas, incluindo simulações, estudos de caso, aprendizagem baseada em projetos, atividades extensionistas, experiências internacionais, realidade virtual e utilização crítica da inteligência artificial. Também foi possível perceber o fortalecimento da extensão universitária como componente estruturante da formação acadêmica. As experiências apresentadas demonstraram que os problemas presentes nos territórios onde a universidade está inserida vêm sendo incorporados às práticas pedagógicas, favorecendo processos de aprendizagem conectados com questões sociais, ambientais, culturais e econômicas. Nossa participação ocorreu com a apresentação de duas experiências desenvolvidas no âmbito da Blue University, ambas utilizando a água como eixo estruturante da formação acadêmica. Embora voltadas a públicos distintos, graduação e pós-graduação, as duas iniciativas compartilham a mesma concepção pedagógica, baseada na aproximação entre problemas concretos do território, referenciais da Bioética Ambiental e processos de aprendizagem capazes de integrar ensino, pesquisa, extensão e comunicação científica. Na Mesa de Extensão apresentamos o trabalho "Somos uma Blue University: a água como eixo integrador de aprendizagem", desenvolvido na disciplina Projeto Interprofissional de Bioética e Direitos Humanos, componente comum aos cursos da Escola de Medicina e Ciências da Vida que reúne aproximadamente quinhentos estudantes por semestre. A proposta foi construída a partir da certificação da PUCPR como Blue University e da compreensão de que o Rio Belém representa muito mais do que um elemento da paisagem universitária. O rio foi incorporado ao processo formativo como território de aprendizagem, permitindo que estudantes de diferentes cursos da saúde analisassem, de forma colaborativa, problemas ambientais, sanitários, sociais, culturais, econômicos e espirituais presentes em seu entorno. Ao longo da disciplina, organizamos atividades que envolveram debates sobre bioética, direitos humanos e direitos da natureza, visitas ao Rio Belém, entrevistas com profissionais, participação em eventos de divulgação científica e elaboração de materiais educativos destinados à sensibilização da comunidade. Essa diversidade de estratégias favoreceu a aproximação entre diferentes áreas do conhecimento e estimulou a construção coletiva de soluções para problemas reais. Os resultados evidenciaram o potencial dessa abordagem. As discussões desenvolvidas pelos grupos produziram 5.596 comentários registrados nas atividades da disciplina, demonstrando intenso envolvimento dos estudantes com a análise crítica da realidade do Rio Belém. As reflexões sobre o reconhecimento do rio como sujeito de direitos favoreceram a aplicação de princípios bioéticos relacionados à dignidade, responsabilidade, solidariedade, justiça social e respeito à biodiversidade. Ao mesmo tempo, os estudantes passaram a compreender que as decisões tomadas em suas futuras profissões estarão inevitavelmente relacionadas à saúde dos ecossistemas e à qualidade de vida das populações humanas. Outro aspecto relevante foi o fortalecimento da interprofissionalidade. Estudantes provenientes de diferentes cursos construíram conjuntamente diagnósticos, discutiram conflitos, confrontaram perspectivas e produziram folders educativos destinados à comunidade. Esse processo ampliou competências relacionadas à comunicação, à deliberação ética e ao trabalho colaborativo, demonstrando que problemas complexos exigem respostas construídas por diferentes áreas do conhecimento. Também apresentamos o trabalho "Somos uma Blue University: a água como eixo integrador no ensino da Bioética Ambiental", desenvolvido na disciplina Bioética Ambiental do Programa de Pós-Graduação em Bioética da PUCPR. Nessa experiência, o Rio Belém foi utilizado como laboratório vivo para aproximar referenciais teóricos da Bioética Ambiental dos conflitos socioambientais presentes no território. As atividades envolveram a identificação de vulnerabilidades ambientais, análise de princípios éticos violados, discussão sobre justiça hídrica, direitos da natureza e governança das águas, sempre articuladas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Entre 2024 e 2025, os estudantes produziram dezenove ensaios críticos publicados no blog da Bioética no dia a dia, que já ultrapassaram 1.200 visualizações. A escrita dos ensaios representou uma etapa importante do processo formativo ao estimular a comunicação científica e a socialização do conhecimento produzido na pós-graduação. A experiência demonstrou que a divulgação científica pode constituir uma estratégia pedagógica capaz de aproximar universidade e sociedade, ampliando o alcance das reflexões desenvolvidas em sala de aula. Apresentar essas duas experiências no Simpósio Creare permitiu compartilhar uma proposta pedagógica que vem sendo construída de forma contínua na PUCPR. A certificação como Blue University encontra sentido quando se traduz em práticas capazes de mobilizar estudantes, pesquisadores e docentes em torno da água como elemento integrador da formação universitária. O Rio Belém deixa de ser apenas um objeto de estudo e passa a constituir um espaço de investigação, reflexão ética, produção de conhecimento e compromisso com a transformação da realidade. As experiências apresentadas têm origem em um percurso coletivo que resultou na publicação do livro Blue University: a universidade e a justiça das águas, organizado por Elias Wolff e Marta Luciane Fischer. A obra reúne diferentes perspectivas sobre o movimento Blue University, apresenta seus fundamentos conceituais e descreve experiências desenvolvidas na PUCPR que demonstram como a água pode integrar ensino, pesquisa, extensão, espiritualidade, governança e responsabilidade socioambiental. Para quem deseja conhecer mais profundamente essa proposta e compreender como a universidade pode assumir um papel ativo na promoção da justiça hídrica e dos direitos da natureza, a leitura da obra constitui um excelente ponto de partida. Leia aqui
O E-Caminhos do Diálogo VI representa a sexta edição de uma ação extensionista do Programa de Pós-Graduação em Bioética da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PPGB/PUCPR), iniciada em 2015 com o propósito de aproximar universidade e sociedade por meio da deliberação ética sobre problemas cotidianos. Desde sua criação, a iniciativa vem sendo continuamente aperfeiçoada, preservando como princípio central a construção coletiva do conhecimento por meio do diálogo, da escuta qualificada e da participação social. A primeira edição, realizada em 2015, ocorreu de forma presencial e foi direcionada a estudantes do ensino fundamental. A atividade foi organizada como um percurso denominado Caminho do Diálogo, no qual os participantes percorriam diferentes etapas até chegar às Árvores da Vida, espaço simbólico onde eram convidados a refletir e deliberar coletivamente sobre dilemas éticos presentes em seu cotidiano. A metodologia privilegiava a aprendizagem experiencial, estimulando o desenvolvimento do pensamento crítico, da argumentação e da tomada de decisão compartilhada. A segunda edição, realizada em 2018, também ocorreu presencialmente e foi destinada a estudantes do ensino médio. Mantendo a lógica de um percurso interativo, o Caminho do Diálogo passou a ser estruturado em estações temáticas fundamentadas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Em substituição às Árvores da Vida, a molécula da água tornou-se o elemento integrador da experiência, conduzindo os participantes por atividades práticas, reflexivas e colaborativas que culminavam em uma deliberação sobre o futuro e na construção coletiva de uma cápsula do tempo, simbolizando o compromisso das novas gerações com a sustentabilidade e a responsabilidade ética. A terceira edição estava prevista para 2020 e seria desenvolvida presencialmente com a participação da população idosa. Entretanto, em razão das medidas de distanciamento social impostas pela pandemia de COVID-19, a ação precisou ser completamente reformulada. A adaptação para o formato virtual representou um desafio metodológico, exigindo a reconstrução de toda a dinâmica de interação. O resultado, contudo, superou as expectativas, demonstrando que os ambientes digitais poderiam constituir espaços igualmente potentes para a deliberação bioética, ampliando o alcance da iniciativa, favorecendo a participação de diferentes públicos e permitindo o diálogo entre participantes geograficamente distantes. Diante dos resultados obtidos, o formato virtual foi mantido e aperfeiçoado nas edições realizadas em 2022, 2024 e 2026, consolidando uma metodologia própria de diálogo deliberativo mediado por tecnologias digitais. Cada edição passou a reunir oficinas temáticas independentes, conduzidas por equipes compostas por docentes, pesquisadores, estudantes de pós-graduação e graduação, profissionais convidados e representantes da sociedade, abordando problemas complexos relacionados à bioética, aos direitos humanos, à saúde, ao meio ambiente, à educação e à cidadania. Na sexta edição, realizada em 2026, as oficinas ocorreram em ambiente virtual, seguindo uma metodologia deliberativa comum.Cada atividade foi estruturada a partir de uma pergunta motivadora e de objetivos específicos, iniciando-se com a apresentação da equipe responsável e das orientações éticas da pesquisa. Em seguida, um(a) convidado(a) realizava uma exposição inicial para contextualização da temática. O debate era conduzido por um(a) moderador(a), responsável por promover um ambiente de escuta respeitosa, participação equilibrada e aprofundamento das reflexões. Os(as) monitores(as) acompanhavam o chat, prestavam suporte técnico e registravam as interações, enquanto o(a) interlocutor(a) elaborava, em tempo real, um mapa mental contendo os principais conceitos, valores, fragilidades, potencialidades e propostas emergentes do diálogo. Ao final, esse mapa era apresentado aos participantes, seguido de uma síntese coletiva construída pelo moderador, encerrando cada oficina com uma reflexão compartilhada sobre os caminhos identificados para o enfrentamento das questões discutidas. Outro diferencial da ação consiste na transformação dos resultados produzidos em cada edição em livros de divulgação científica, elaborados em linguagem acessível e destinados à sociedade. As publicações sistematizam os diálogos, apresentam os mapas mentais construídos coletivamente e traduzem o conhecimento produzido durante as oficinas em materiais que favorecem a democratização do acesso à bioética, fortalecendo o compromisso extensionista da universidade com a formação cidadã, a participação social e a construção compartilhada de soluções para problemas contemporâneos. As Oficinas realizadas foram:
No dia 27 de junho de 2026, foi realizada a oficina Grupo Focal – Mulheres Migrantes, dedicada ao tema “Recomeçar do zero: a trajetória educacional de mulheres migrantes qualificadas”. A atividade teve como objetivo compreender as experiências de mulheres migrantes que precisaram reiniciar seus estudos em outros países, evidenciando as dificuldades, as estratégias de adaptação e as possibilidades de inclusão no sistema educacional. A oficina foi coordenada pelas professoras Valquíria Elita Renk, Maria Luiza dos Santos Rodrigues,Rafaely da Silva Araujo, Liliane Mayumi Swiech, Siana do Carmo de Oliveira Franco Bueno e Julia Larré, contando com a participação da convidada Yaneth Corina Lara Garcia, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos. A mediação foi conduzida por Maria Luiza dos Santos Rodrigues, com Rafaely da Silva Araujo como monitora e Liliane Mayumi Swiech como interlocutora. Desenvolvida em formato virtual e fundamentada na metodologia deliberativa do E-Caminhos do Diálogo, a oficina promoveu reflexões sobre as razões que dificultam o reconhecimento da formação acadêmica e dos diplomas de mulheres migrantes, bem como sobre as desigualdades estruturais que condicionam suas trajetórias educacionais e profissionais. O diálogo também permitiu identificar estratégias para favorecer a inclusão educacional, a valorização das competências previamente adquiridas e a construção de políticas e práticas mais equitativas para o acolhimento dessa população. A atividade culminou na elaboração coletiva de um mapa mental que sintetizou as principais vulnerabilidades, potencialidades e propostas discutidas pelos participantes, evidenciando a contribuição da bioética e dos direitos humanos para a promoção da justiça educacional e da inclusão social.
No dia 26 de junho de 2026, foi realizada a oficina Bioética Clínica, dedicada ao tema “Cuidado e Confiança: Vivendo bem ao longo do processo de envelhecimento”. A atividade teve como objetivo mapear as percepções dos participantes sobre as vulnerabilidades e potencialidades relacionadas ao envelhecimento, promovendo uma reflexão bioética acerca da autonomia, do cuidado, da confiança e da qualidade de vida das pessoas idosas. A oficina foi coordenada por Carla Corradi Perini e Jociane Casellas, contando com a participação da médica geriatra Anelise Coelho da Fonseca como convidada, Jociane Casellas como moderadora, João Victor Kreusch Melo e Amanda Rafaela Gonçalves Rangel como monitores e Márcia Caetano da Costa como interlocutora. Fundamentada na metodologia deliberativa do E-Caminhos do Diálogo, a oficina promoveu discussões sobre as vulnerabilidades e potencialidades presentes no processo de envelhecimento, abordando aspectos relacionados à autonomia, à confiança nas relações de cuidado, ao fortalecimento da participação social da pessoa idosa e ao papel da família, dos profissionais de saúde e da comunidade na promoção de um envelhecimento digno, seguro e saudável. As reflexões também evidenciaram estratégias para a construção de ambientes mais inclusivos e acolhedores, capazes de reconhecer o envelhecimento como uma etapa da vida marcada por desafios, mas também por possibilidades de desenvolvimento e protagonismo. A atividade culminou na elaboração coletiva de um mapa mental que sintetizou as principais percepções, consensos e propostas construídas durante o diálogo.
No dia 30 de junho de 2026, foi realizada a oficina Violência de Gênero e Cuidado Integral: promovendo a dignidade humana em contextos de vulnerabilidade, dedicada ao tema “A dignidade humana diante da violência contra as mulheres: desafios para o cuidado integral”. A atividade teve como objetivo refletir sobre a violência de gênero como uma violação da dignidade humana, identificando contribuições da bioética, dos direitos humanos, da teologia e das práticas de cuidado para a prevenção da violência, o acolhimento das vítimas e a construção de uma cultura de respeito e promoção da vida. A oficina foi coordenada pelo Prof. Dr. Waldir Souza, contando com a participação das convidadas Profa. Dra. Andreia Serrato, Profa. Dra. Jaci Candiotto e Ivone Gebara, tendo Eva Gislane Barbosa como mediadora, Rafael Nishioka Mitzakoff como monitor e Mauro Eduardo Soares de Oliveira como interlocutor. Por meio da metodologia deliberativa do E-Caminhos do Diálogo, os participantes refletiram sobre o significado da dignidade humana diante das múltiplas formas de violência contra as mulheres, discutindo como diferentes experiências revelam situações de vulnerabilidade e quais implicações essas vivências possuem para a construção de práticas de cuidado integral. O diálogo abordou os impactos físicos, psicológicos, sociais e espirituais da violência, o fortalecimento das redes de proteção social, jurídica e comunitária, o papel das comunidades de fé e das instituições no acolhimento das vítimas e as estratégias de prevenção e promoção da dignidade humana. A oficina culminou na elaboração coletiva de um mapa mental que sintetizou as principais reflexões, consensos e propostas produzidas durante o debate, evidenciando a importância da deliberação bioética para a construção de respostas éticas, integradas e socialmente comprometidas com o enfrentamento da violência de gênero.
No dia 29 de junho de 2026, foi realizada a oficina Bioética Ambiental, dedicada ao tema “Fome de Água”: a dimensão bioética do direito universal ao acesso à água potável: entrosamento entre a visão de moçambicanos e brasileiros. A atividade teve como objetivo mapear as percepções éticas de diferentes grupos acerca do conceito de “fome de água”, buscando compreender como a sociedade e acadêmicos de Moçambique e do Brasil interpretam essa terminologia no contexto da crise hídrica e de suas implicações para os direitos humanos e a justiça socioambiental. A oficina foi conduzida pelo moderador Trindade Filipe Chapare, com apoio dos monitores Thierry Lumertz e Sergio Rodrigues e da interlocutora Marta Luciane Fischer, responsável pela sistematização das contribuições em um mapa mental. A partir da metodologia deliberativa do E-Caminhos do Diálogo, os participantes refletiram sobre os fatores que limitam o acesso à água potável e sua relação com o direito humano universal à água, discutindo como crenças, valores, experiências e conhecimentos influenciam a percepção das fragilidades e potencialidades relacionadas à crise hídrica. O debate também abordou o tratamento conferido à temática pela produção científica, a natureza das informações disponíveis, as estratégias capazes de ampliar o acesso equitativo à água potável e o potencial da bioética ambiental como instrumento para subsidiar processos deliberativos voltados à construção de soluções justas, participativas e consensuais para os desafios impostos pela crise hídrica. A oficina culminou na elaboração coletiva de um mapa mental que sintetizou as principais convergências, divergências e proposições emergentes do diálogo entre os participantes.
No dia 8 de julho de 2026, foi realizada a oficina Você sabe mesmo em quem está votando?, dedicada ao tema “O voto informado e a formação do eleitor em tempos de inteligência artificial”. A atividade teve como objetivo promover a compreensão crítica sobre o voto informado, explorando os critérios que orientam a avaliação de partidos, candidatos e das atribuições institucionais dos cargos eletivos, considerando os desafios contemporâneos relacionados à circulação de informações mediadas por algoritmos e inteligência artificial. A oficina foi conduzida pelo moderador Daniel Hortêncio de Medeiros, sob a coordenação dos professores Alberto Paulo Neto, Anor Sganzerla e Murilo Karasinski, contando ainda com a participação da interlocutora indicada pela professora Caroline Filla Rosaneli. Por meio da metodologia deliberativa do E-Caminhos do Diálogo, os participantes refletiram sobre o significado do voto informado em uma democracia marcada pela intensa circulação de informações digitais, discutindo os critérios necessários para avaliar a confiabilidade das informações, a influência das redes sociais, dos algoritmos e da inteligência artificial na formação da opinião pública e a importância da compreensão das competências e limites institucionais dos diferentes cargos eletivos. O debate também evidenciou que o voto deve ser compreendido como uma escolha relacionada a projetos coletivos e não apenas a indivíduos, além de destacar a necessidade de avaliar a coerência e a viabilidade das propostas apresentadas pelos candidatos. A oficina culminou na elaboração coletiva de um mapa mental que sintetizou os principais critérios para a formação de um eleitor crítico, consciente e comprometido com o fortalecimento da participação democrática.
No dia 3 de julho de 2026, Marta Luciane Fischer e Thierry Lummertz conduziram a atividade cultural “O percurso do Caminho do Diálogo: conectando vivências, esperanças e transformações”, apresentando aos participantes a trajetória de construção da ação extensionista desde sua criação até sua consolidação como metodologia de deliberação bioética. A apresentação foi iniciada por Marta Fischer, que compartilhou o processo de concepção do Caminho do Diálogo, contextualizando o surgimento da iniciativa em 2015 e demonstrando como, ao longo dos anos, as transformações sociais, educacionais e institucionais impulsionaram sucessivas adaptações metodológicas. A narrativa evidenciou que cada edição incorporou novas demandas e possibilidades, permitindo que a ação evoluísse continuamente sem perder seu propósito de promover a reflexão ética e a construção coletiva do conhecimento. Durante o percurso histórico, foi apresentada a origem do personagem Potter do Futuro, concebido em 2019 a partir da dissertação de mestrado de Thierry Lummertz, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Bioética da PUCPR. O trabalho teve como objetivo desenvolver e validar ferramentas de comunicação voltadas à aproximação da bioética com o público infantil. Foram compartilhadas as etapas de criação do personagem, seu processo de desenvolvimento conceitual, a elaboração de sua identidade e a validação realizada com estudantes de uma escola pública, que participaram de atividades ao longo de um semestre letivo. Os resultados obtidos contribuíram para a titulação de mestre de Thierry Lummertz e demonstraram o potencial do personagem como recurso educativo para o ensino da bioética. A apresentação também resgatou a primeira participação pública do Potter do Futuro, realizada no início de 2020, pouco antes da suspensão das atividades presenciais em decorrência das medidas de enfrentamento da pandemia de COVID-19. Nos anos seguintes, o personagem permaneceu ativo principalmente em ações virtuais voltadas ao público infantil, preservando sua função de mediador do diálogo e da educação bioética mesmo durante o período de distanciamento social. Os participantes conheceram ainda o processo de fortalecimento do personagem a partir de 2024, quando voltou a interagir com o público durante o Congresso Ibero-Americano de Bioética, estimulando reflexões sobre responsabilidade intergeracional e futuro. A consolidação dessa trajetória ocorreu em 2025, quando o Potter passou a dedicar suas ações prioritariamente às questões relacionadas à água e à sustentabilidade. Nesse período, participou das atividades do Dia Mundial da Água, integrou ações na Maloca da COP30, esteve presente em eventos sobre sustentabilidade, percorreu o Rio Belém, colaborou com o Clube da Água, dialogou com estudantes universitários sobre engajamento socioambiental e desenvolveu atividades educativas com crianças do ensino fundamental voltadas à conservação dos recursos hídricos. A atividade foi encerrada apresentando as ações desenvolvidas em 2026, quando o Potter do Futuro ampliou sua atuação em diferentes espaços de educação, pesquisa e extensão. Além de participar novamente das ações relacionadas à água, integrou os Grupos Focais do E-Caminhos do Diálogo, compartilhou sua própria trajetória de aproximação com a bioética durante o congresso e passou a protagonizar uma peça teatral infantil dedicada à promoção da ética ambiental e da cidadania. Ao revisitar toda essa trajetória, a atividade cultural evidenciou como o Caminho do Diálogo e o personagem Potter do Futuro constituem estratégias complementares de comunicação científica, educação bioética e extensão universitária, capazes de aproximar diferentes públicos de temas complexos por meio da linguagem lúdica, da participação e da deliberação coletiva.
Confiram a nossa participação no momento cultural do Ibero
Apenas nos primeiros segundos a imagem está invertida, aguarde um pouquinho, tudo volta ao normal, foi apenas uma interferência por conta do estabelecimento do contato com o futuro.
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QUEIROZ, Gislaine
T. “Fome de água”: a dimensão bioética da universalização do acesso à água
potável. 2024. Dissertação (Mestrado em Bioética) – Programa de
Pós-Graduação em Bioética, Pontifícia Universidade Católica do Paraná,
Curitiba, 2024.
CAMPOS, Ana
Carolina de. Gestão participativa em conselhos ambientais: limitações e
potencialidades. Doutorado em andamento. Programa de Pós-Graduação em
Bioética, Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Início: 2024.
ALMEIDA, João. Humanos
e não-humanos no ambiente acadêmico: o direito de conviver em harmonia como
pauta da bioética e educação ambiental. Estágio de Pós-Doutorado, Programa
de Pós-Graduação em Bioética, Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 2024.
ADAMAI, Eliana. Métodos
alternativos no uso de animais com recursos didáticos: a inserção da reflexão
bioética na formação veterinária. Estágio de Pós-Doutorado, Programa de
Pós-Graduação em Bioética, Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 2025.
Entre os dias 1º e 3 de julho, o Grupo de Pesquisa em Bioética Ambiental, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Bioética da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), participou do IV Congresso Iberoamericano de Bioética com uma expressiva produção científica, reafirmando sua atuação na consolidação da Bioética Ambiental como campo interdisciplinar voltado à análise das relações entre sociedade, natureza, saúde e sustentabilidade. Ao longo do evento foram apresentados 17 trabalhos científicos, desenvolvidos por pesquisadores, docentes, pós-graduandos e colaboradores nacionais e internacionais. A produção contemplou diferentes linhas de investigação articuladas pelo grupo, evidenciando a diversidade temática e a integração entre pesquisa, ensino e extensão. Entre os estudos apresentados destacaram-se investigações sobre bioética ambiental, cidades biofílicas, bioética urbana, déficit de natureza, percepção social sobre espaços verdes, rios urbanos, direitos da natureza, saúde planetária, fisioterapia ambiental, cuidados paliativos, hospices, medicina veterinária, relações humano-animal, espiritualidade dos rios, engajamento social, justiça hídrica e consolidação de novas terminologias no campo da bioética. A participação internacional também esteve representada por dois trabalhos desenvolvidos em parceria com Moçambique, fortalecendo a cooperação científica entre os países de língua portuguesa. Os trabalhos apresentados evidenciam o amadurecimento das pesquisas desenvolvidas pelo grupo, especialmente na proposição de referenciais teóricos capazes de ampliar o escopo tradicional da bioética para incorporar a proteção da natureza, os direitos das futuras gerações, as relações multiespécies e a promoção da sustentabilidade. Os resultados também reforçam a importância da educação, da participação cidadã e da construção de políticas públicas fundamentadas em princípios éticos, científicos e socioambientais. A importante participação no IV Congresso Iberoamericano de Bioética representa mais um marco na trajetória do Grupo de Pesquisa em Bioética Ambiental, ampliando sua inserção nacional e internacional e fortalecendo redes de colaboração voltadas ao enfrentamento dos desafios contemporâneos relacionados à crise ambiental, à justiça ecológica e à promoção da saúde planetária. Confira nos resumos aqui!
POR UMA BIOÉTICA
PET-FRIENDLY- Marta Luciane Fischer. A bioética tem contribuído para o debate sobre a relação
humano/animal não humano a partir de bases utilitaristas de curto prazo,
centradas na redução da dor e do sofrimento. Questiona-se, contudo, sua
capacidade de mediar temas persistentes e emergentes em perspectivas de longo
prazo, especialmente ao incorporar o diálogo com o direito animal e a
bioética ambiental, superando a noção de propriedade. Partiu-se da hipótese de
que, embora consolidada em bases utilitaristas, a bioética contribui para
legitimar a senciência animal. Trata-se de um estudo quantitativo e
exploratório que analisou a mobilização da bioética na produção científica
sobre animais, identificando 4.484 publicações, das quais 40 abordaram animais
de companhia, com predomínio de estudos teóricos ibero-americanos de natureza
utilitarista e jurídica. Os resultados confirmam a hipótese de
que a bioética ainda mantém a centralidade do paradigma utilitarista de
curto prazo. Embora esse paradigma tenha sido fundamental para legitimar a
senciência como critério moral e ampliar o cuidado, a proteção jurídica e as
deliberações sobre vida e saúde, mostra-se limitado diante da complexidade das
relações multiespécies, especialmente em dilemas como catástrofes, adoção, luto
e tecnologias emergentes. Tal limitação explicita uma esquizofrenia moral, ao
relativizar vínculos afetivos e hierarquizar vidas. A relação humano/animal não
humano encontra-se em transformação, oscilando entre afeto, mercantilização e
justiça, com a emergência de conflitos como eutanásia por conveniência versus
clonagem pet e reconhecimento da família multiespécie versus monetização de
vínculos. A superação desses dilemas associa-se a uma ética da alteridade,
sustentada por bases científicas e legais que definam fronteiras éticas claras.
O abandono revela natureza multifatorial e demanda respostas articuladas entre
esferas pessoais, sociais e institucionais. Conclui-se que a bioética ambiental
converge com uma ética intergeracional orientada à coexistência, qualidade de
vida e justiça ecológica. A consolidação de uma bioética relacional, inclusiva
e horizontal constitui condição para expandir o reconhecimento do valor
intrínseco e dos direitos de todas as espécies. (Veja aqui artigo).
A BIOÉTICA AMBIENTAL NA CONSTRUÇÃO DAS CIDADES BIOFÍLICAS - Marta Luciane Fischer, Thierry Betazzi Lummertz, Alex Aparecido da Silva, Carina Del Pino Sandrini, Daihyani Silva dos Santos, Ana Carolina de Campos, Cristiano Chiaramonti, Raphael Motta, Trindade Charpare . O projeto de Cidades Biofílicas insere-se na interface entre Bioética Ambiental e Cidades Inteligentes, articulando sustentabilidade, qualidade de vida e gestão participativa. A proposta de pesquisa desenvolvida pela equipe do Grupo de Pesquisa em Bioética Ambiental vinculada ao Programa de Pós-graduação em Bioética parte do reconhecimento do distanciamento sociedade/natureza devido ao processo histórico de urbanização, produzindo vulnerabilidades como biofobia, baixa adesão a práticas sustentáveis e fragilização do engajamento comunitário. Logo, justifica-se a necessidade de abordagens éticas, educativas e sociais para reconexão com os elementos naturais e fortalecimento da participação cidadã na deliberação ambiental. Para tal, adota-se uma perspectiva multidisciplinar integrando frentes de pesquisa já consolidadas, estudos em andamento e produção científica qualificada. Os resultados preliminares evidenciam que a construção de cidades biofílicas constitui uma demanda contemporânea, alinhada às agendas de sustentabilidade e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, bem como sustentada por evidências científicas que demonstram os benefícios da convivência com elementos naturais para a saúde global. Contudo, o prolongado processo de urbanização promoveu um afastamento significativo em relação à natureza, de modo que a reconexão, quando não mediada por processos educativos e formativos, pode gerar novas vulnerabilidades. Esse cenário é agravado pelo contexto de emergências climáticas, que intensificam percepções de risco e medo em relação aos fenômenos naturais. Adicionalmente, observa-se que, embora existam espaços formais de deliberação ambiental, o engajamento social permanece limitado. A ausência de vínculo identitário com a natureza e a dificuldade de comunicação entre atores sociais comprometem a participação efetiva, especialmente em temas ambientais marcados por alta complexidade e pluralidade de interesses. Esses achados indicam a necessidade de incorporar a Bioética Ambiental como ferramenta estruturante para qualificar processos deliberativos, promover reconexão sociedade-natureza atuando na educação básica e na popularização da ciência e consolidar práticas mais inclusivas e colaborativas na construção de cidades biofílicas.
DÉFICIT
DE NATUREZA: CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUDOS E CONTEXTO EDUCACIONAL -Alex
Aparecido Da Silva; Marta Luciane Fischer. O termo déficit de
natureza foi apresentado para nomear os custos humanos da desconexão com a
natureza, descritiva e metaforicamente (Louv, 2005), e vem mundialmente
permeando discussões sobre educação, saúde e políticas diversas (ONU, 2016). A
identificação das pessoas com o ambiente envolve um padrão complexo
de ideias, sentimentos e valores (Prochansky et al.,
1983), podendo o afastamento humano/natureza ser compreendido como
vulnerabilidade socioambiental (Fischer et al., 2017). Objetivou-se caracterizar
como o meio científico tem abordado o termo “déficit de natureza”, discutindo
resultados pela Psicologia Ambiental, Bioética Ambiental e Educação Ambiental.
Realizou-se uma revisão integrativa (Rosaneli; Fischer, 2024), nas bases Google
Acadêmico e Portal CAPES, com descritores “déficit de natureza” e
“nature deficit”, considerando-se os 100 primeiros resultados de cada
buscador. Resultou-se 319 trabalhos recuperados, sendo incluídos 94
artigos para análise, indicando ampla circulação do tema, mas consolidação
cientifica restrita. Observou-se concentração entre 2020-2025
(68,1%), no Brasil (51,1%), com predomínio de estudos
práticos (61,7%), qualitativos (70,2%) e multidisciplinares
(51,1%), usando-se entrevistas, questionários e formulários (28,8%).
Tendo como principal público os estudantes (40,4%), e o contexto
educação/ensino (37,2%) e vinculação com vulnerabilidade
socioambiental de demanda prática. Aparentemente, os estudos estão ganhando
prospecção científica motivados por certa urgência, visto pela ascensão recente
dos estudos e sua abordagem educacional essencialmente prática. Formar vínculo
com a natureza pressupõe construção de valores e princípios éticos, cuja
mediação sistemática de atividades para esse objetivo é papel da escola, espaço
privilegiado às reflexões da Bioética Ambiental e e as práticas da Educação
Ambiental.
PERCEPÇÕES
SOBRE ESPAÇOS BIOFÍLICOS URBANOS:ANÁLISE PRELIMINAR DA PERCEPÇÃO DE CIDADÃOS DE CURITIBA E FAZENDA RIO
GRANDE. Alex Aparecido Da Silva; Julio Rodrigues
Tozo; Sara Martins do Prado; Peter Bryan Stelmhstsk; Marta Luciane Fischer.A
bioética ambiental ocupa-se das vulnerabilidades da relação entre
humano/natureza, buscando superar o antropocentrismo e o utilitarismo
subjacentes (Fischer et al., 2025). A hipótese da biofilia entende a
predisposição genética humana no vinculo com a natureza, concomitante à
respostas aversivas a certos elementos naturais, fenômeno relacionado à
biofobia (Kellert; Wilson, 1995). A Agenda 2030 da ONU, no ODS 11.7,
defende o acesso a espaços verdes e públicos nas cidades. No Brasil, esse
debate é incipiente (Trevisam; Oliveira, 2024), apesar de sua população
majoritariamente urbana (IBGE, 2022). Justifica-se, que o acesso limitado a
espaços verdes pode fragilizar experiências biofílicas, reforçar percepções
biofóbicas e reduzir o reconhecimento da natureza como valor público (Fischer
et al., 2025).Objetivou-se analisar como moradores de Curitiba e Fazenda Rio
Grande percebem os espaços biofílicos urbanos, discutindo resultados através da
Bioética Ambiental, visando o subsídio de políticas públicas à integração ética
entre humano e natureza. Adotou-se abordagem qualitativa-quantitativa,
exploratório-descritiva, com aplicação de 177 questionários online
semiestruturados, contendo 24 perguntas. A análise indicou valorização dos
espaços biofílicos urbanos e concordância com princípios de preservação,
cuidado, acesso, qualidade de vida e consideração ética da vida. Participantes
predominantemente femininos (65%), pós-graduados (52%), moradores de casa ou
sobrado (71%), com destaque para interação com plantas (74%) e cães (60%).
Houve defesa a oferta de espaços arborizados (94%), planejamento e manutenção
dos parques (92%) e cuidado pela população (90%). Pode-se inferir amplo
reconhecimento dos benefícios da interação com a natureza, embora menor
conhecimento e participação declarada em programas de educação ambiental (52%).
A ampla valorização da natureza ainda não se traduz, igualmente, em compromisso
ético-político com a educação ambiental, indicando um subaproveitamento do
potencial dos espaços biofílicos para conexões entre ser humano e natureza,
pelas políticas públicas.
FISIOTERAPIA AMBIENTAL E SAÚDE PLANETÁRIA: UMA REVISÃO SOB A PERSPECTIVA DA BIOÉTICA. Ana Flávia Schewtschik, Marta Luciane Fischer. O conceito de Saúde Planetária, que reconhece que a saúde humana interdepende da integridade dos sistemas naturais da Terra, vem emergindo. A degradação ambiental vêm impactando diretamente nos sistemas de saúde. Nesse cenário, surge a fisioterapia ambiental, que busca integrar práticas clínicas sustentáveis, intervenções baseadas na natureza e responsabilidade ecológica ao cuidado em saúde. A fisioterapia, historicamente voltada à prevenção, reabilitação e promoção da funcionalidade humana, passa a ser convocada a ampliar seu campo de atuação. O presente estudo é uma revisão narrativa da literatura, que teve como objetivo analisar as interfaces entre fisioterapia ambiental, saúde planetária e bioética, discutindo implicações para a prática clínica, formação profissional e modelos de cuidado. A coleta de dados foi realizada entre agosto e setembro de 2025 nas bases PubMed, Scopus, SciELO, LILACS e BVS. Foram utilizados descritores relacionados a Environmental Physiotherapy, Planetary Health, Bioethics, entre outros. Após o processo de triagem e elegibilidade, 14 estudos publicados entre 2020 e 2025 foram incluídos na análise. Os resultados indicam crescimento recente da produção científica sobre o tema, com predominância de ensaios conceituais voltados à construção teórica da fisioterapia ambiental. A literatura aponta para a necessidade de ampliar o referencial ético da profissão, superando uma abordagem exclusivamente antropocêntrica e incorporando conceitos como justiça multiespecífica, serviços ecossistêmicos e sustentabilidade no cuidado (Maric; Nicholls, 2022; Stanhope et al., 2023). Achados indicam benefícios de intervenções baseadas na natureza e revelam lacunas na formação profissional quanto à integração das questões ambientais na prática clínica (Serrat et al., 2020; Chi et al., 2024). Conclui-se que a integração entre fisioterapia, saúde planetária e bioética representa um campo emergente e necessário para responder aos desafios contemporâneos da saúde. A incorporação dessa perspectiva pode contribuir para modelos de cuidado mais integrados, sustentáveis e comprometidos com a justiça socioambiental e a proteção dos ecossistemas.
ENGAJAMENTO
UNIVERSITÁRIO: O CAMPUS COMO TERRITÓRIO POLÍTICO E EDUCATIVO DE UMA “BLUE
UNIVERSITY” Carina
Del Pino Sandrini; Daihany Silva dos Santos; Ana Carolina
Campos; Laíssa Mirella Mendes Mariano de Lara; Nayara Lemasson
Tortora; Marta Luciane Fischer.O selo Blue
University se constitui no cenário contemporâneo como desdobramento do
movimento global Blue Community, concebido em 2009 por Maude Barlow, como
resposta à crescente mercantilização da água, e emerge de uma iniciativa ética
e ecológica voltada à defesa do acesso universal, seguro e equitativo à água
potável e ao saneamento, consolidando a concepção da água como direito humano
inalienável e bem comum (Barlow, 2009). A adesão da PUCPR ao movimento,
formalizada em outubro de 2023, reafirma o compromisso institucional com a
justiça hídrica e o alinhamento com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
(Fischer; Wolff; Caetano, 2025). O objetivo deste estudo foi analisar o
engajamento universitário da PUCPR como território político e educativo de uma
Blue University. Realizou-se o levantamento bibliográfico no Google Acadêmico
com os descritores Blue University, identificando 50 produções acadêmicas
relevantes, além de pesquisa de campo com aplicação de questionário a 151
estudantes de 33 cursos e realização de 38 entrevistas com professores e
colaboradores da IES. Os resultados evidenciaram que apenas 10% dos estudantes
conheciam o selo, associando principalmente a gestão sustentável da água,
enquanto 90% desconheciam o termo, com respostas genéricas e pouco situadas do ponto
de vista político e epistêmico. Ao serem apresentados aos três pilares da Blue
University, demonstraram abertura cognitiva e sensibilidade ética, com maior
disposição para ações cotidianas como evitar água engarrafada e reduzir
plásticos descartáveis, e menor engajamento para ações políticas estruturantes,
como audiências públicas e pressão sobre gestores (Fischer; Rosaneli, 2024).
Entre professores e colaboradores, apenas um reconheceu o selo, sinalizando
fragilidade na disseminação institucional. Concluiu-se que a construção de uma
Blue University exige uma pedagogia da implicação, com a superação da
conscientização pontual e formação de sujeitos comprometidos com a água como
bem comum e direito inalienável.
A
ANÁLISE DA TERMINOLOGIA DA BIOÉTICA URBANA A PARTIR DE UMA REVISÃO
INTEGRATIVA DA LITERATURA.Carina Del Pino
Sandrini; Marta Luciane Fischer.A bioética urbana constitui uma terminologia
emergente que resgata a proposta potteriana ao analisar a vida em
sentido amplo aplicada a realidade das cidades, incorporando as dimensões
territoriais, políticas e sociais constitutivas do espaço urbano (Sarmiento,
2018). A consolidação de uma terminologia cientifica exige frequência,
saturação e apropriação interdisciplinar consistente (Krieger; Bevilacqua,
2004). O objetivo foi analisar a consolidação da terminologia da bioética
urbana por meio de uma revisão integrativa da literatura. Realizou-se revisão
integrativa nas bases CAPES e Google Acadêmico, sem recorte
temporal, resultando em 572 sugestões de busca que após passarem pelos
critérios de inclusão e exclusão, resultaram em 30 artigos em
português, inglês e espanhol (Rosaneli et al., 2024). A análise foi
orientada por meio dos critérios de Krieger e Bevilacqua (2004), organizando os
resultados em categorias primárias de referenciais teóricos, vulnerabilidades,
problemas, soluções e conceitos. Nos referenciais teóricos mobilizados,
foram identificadas convergências entre a bioética crítica,
social e ambiental, articuladas com ecologia, sociologia crítica e filosofia
política, sendo evidenciado que, diferentemente da bioética ambiental centrada
em preocupações com a biosfera e os ecossistemas, a bioética urbana parte da
cidade como agente central produtor de vulnerabilidades, o que delimita sua
especificidade terminológica. As vulnerabilidades
predominantes foram de natureza social, socioambiental e moral com
destaque para racismo estrutural, segregação socioespacial e
interseccionalidade. Os problemas convergiram nas categoriais social,
política, territorial e cultural, identificando o urbanismo neoliberal como
mecanismo produtor de exclusão e déficit democrático. As soluções, por sua vez,
mobilizaram democracia deliberativa, direito a cidade e valorização da
diversidade cultural (Blustein; Fleischman, 2004). Em conjunto, as categoriais
identificam a incorporação progressiva de pautas ambientais ainda em consolidação
e predominantemente antropocêntricas, sinalizando limitação conceitual em
expansão. Concluiu-se que a bioética urbana está em processo de consolidação terminológica,
com núcleo semântico em formação centrado na análise crítica das
desigualdades urbanas e comprometido com a transformação ética
e política das cidades.
BIOÉTICA AMBIENTAL
E AVES URBANAS:UMA
ANÁLISE PRELIMINAR SOBRE ESPAÇOS DE CONVIVÊNCIA EM CIDADES BIOFÍLICAS.Cristiano Chiaramonti, Jean Carlos Scuissiato,
Marta Luciane Fischer A Bioética Ambiental, incorporada à contextos
urbanos marcados por transformações socioecológicas e pela intensificação das
interações entre humanos e não humanos, exige abordagens éticas capazes de
compreender a complexidade relacional (Fischer; Chiaramonti, 2026). A
convivência entre humanos e aves urbanas em Curitiba evidencia uma relação
simultaneamente valorizada e conflituosa, cuja compreensão demanda abordagens
da Bioética Ambiental que integrem dimensões ecológicas, sociais e morais no
contexto urbano (Fischer, 2026). Justifica-se o entendimento de que as cidades,
ao incorporar a fauna silvestre, configuram-se como espaços de convivência
interespécies, onde benefícios e conflitos coexistem (Farias et al., 2022;
Prefeitura de Curitiba, 2023). Objetivou-se analisar a percepção de moradores
de Curitiba sobre aves urbanas, articulando os resultados à Bioética Ambiental,
visando à promoção de convivência ética e inclusiva. A metodologia adota
abordagem qualitativa-quantitativa, de caráter exploratório-descritivo, com
aplicação de 163 questionários estruturados,contendo 27 questões, sendo 20
fechadas e 7 abertas, voltadas à compreensão de percepções, experiências,
conhecimentos e atitudes quanto às aves urbanas. A análise evidenciou elevada
valorização das aves, associadas ao bem-estar, à conexão com a natureza e ao
reconhecimento de sua importância na qualidade ambiental urbana. Os dados
indicam amostra com predominância feminina (61%), com ensino
superior (46%), residente de casas (58%).
A percepção das aves ocorre em trajetos
cotidianos (45%), seguida de quintais (24%) e o
interior das residências (15%). Os sentimentos direcionados
para as aves foram
majoritariamente positivos (93%), destacando-se o cuidado e
manejo (94%), evidenciando consenso sobre sua relevância
socioambiental. Os conflitos incluem sujeira e ruído, com destaque para
pombos (25%). Observou-se o reconhecimento da importância das aves
urbanas, mas contraditoriamente, tal percepção não se traduz em ações
coerentes. Na prática, essas ações reforçam problemas do avanço urbano,
indicando a necessidade de educação que promova a compreensão complexa das
relações interespécies e o agir de forma ética. Palavras-chave: Bioética
Ambiental. Aves Urbanas. Cidades Biofílicas. Fauna
Silvestre. Espaço de Convivência.
QUANDO O AFETO
VIRA CAPTURA: VULNERABILIDADE, UTILITARISMO ANIMAL E TRANSTORNO DO VÍNCULO NA
RELAÇÃO HUMANO-ANIMALBianca Santana
da Silva – Tëtë Xinã e Marta Luciane Fischer. A relação
entre humanos e animais de companhia ocorre em um contexto de assimetria
estrutural, no qual o animal depende das decisões humanas para acesso ao
ambiente, socialização e
expressão comportamental. Assim, configura uma situação de
vulnerabilidade, na qual práticas potencialmente danosas podem ser legitimadas
por discursos de afeto e cuidado (Fischer, 2026). Trata-se de um
ensaio teórico fundamentado em revisão narrativa de literatura e análise
crítica da prática contemporânea em comportamento animal acrescida da
vivência de mais de 12 anos no adestramento de cães. Os
resultados indicam que a atribuição de funções psíquicas aos animais produz
desequilíbrio relacional e sobrecarga funcional, com impacto direto no
bem-estar-animal. A análise bioética da objetificação afetiva
articula-se com a teoria do apego, etologia e cosmovisões de povos
originários, cujos animais são compreendidos como sujeitos, e não como
recursos ou extensões psíquicas, estabelecendo limites éticos entre
proximidade e apropriação (Kopenawa; Albert, 2015; Krenak,
2019). Na cultura urbana contemporânea observa-se que o afeto
frequentemente encobre práticas utilitaristas, nas quais o animal é
investido de funções psíquicas relacionadas à regulação emocional humana. Em
contextos de fragilidade subjetiva e ausência de elaboração emocional, é comum
a transferência de demandas psíquicas ao animal, que passa a ocupar o lugar de
regulador do sofrimento, sendo mobilizado para aliviar angústia, sustentar a
presença e reduzir estados de vazio. A objetificação afetiva
implica restrição da autonomia do animal e comprometimento de sua capacidade de
autorregulação, configurando o que se propõe conceituar como transtorno do
vínculo humano-animal. O vínculo deixa de operar
como segurança e passa a sustentar dependência relacional, na qual o
animal é funcionalizado para atender demandas emocionais humanas. Reconhece-se a necessidade
de técnicas para diagnosticar e mitigar o transtorno no subsidio
da reorganização da relação humano/Pet a partir
do reconhecimento dos limites do afeto e das necessidades
biológicas animal.
ENGAJAMENTO JUVENIL MEDIADO POR ARTE NO CUIDADO AOS RIOS URBANOS - Thierry Betazzi Lummertz, Alex Aparecido da
Silva, Marta Luciane Fischer. A água doce é um recurso limitado e essencial à
vida, pressionado por poluição, mudanças climáticas e processos de
mercantilização que intensificam a crise hídrica e as desigualdades no acesso (Shiva, 2006). A Declaração Universal dos Direitos dos Rios reforça o reconhecimento dos rios
como sujeitos de direitos (Earth Law Center, 2025), enquanto iniciativas
sociais defendem a água como direito humano, com destaque ao engajamento
juvenil em movimentos como “100 Mil Jovens pela Água” e as Blue University
(Fischer et al., 2026). A bioética ambiental amplia a compreensão das
interdependências entre humanos e natureza, promovendo educação crítica,
participação social e gestão sustentável orientada por princípios éticos (Potter, 2016).
A pesquisa adotou abordagem de pesquisa-ação-participativa, com grupos focais,
utilizando a ferramenta “Caminhos do Diálogo” e o método Bioteatro (Lummertz;
Fischer, 2021). A intervenção ocorreu em 21 de novembro de 2025 com estudantes
do 7º ano do Colégio Estadual Olindamir Merlin Claudino, às margens do Rio
Belém, no campus da PUCPR. A atividade teatral “Potter do futuro” estimulou a
escuta sensível do rio e a reflexão sobre seus direitos. Os resultados indicam
que os estudantes reconhecem a relação humana com os rios como
predominantemente degradadora, apontando indicadores de saúde ambiental, como
canto de aves, sombra e diversidade vegetal, e sinais de degradação, como lixo,
odores e água estagnada. As falas evidenciaram a percepção do rio como entidade
vulnerável, frequentemente descrito como “doente” e impactado por ações
humanas, aproximando-se da noção de sujeito de direitos. Observou-se também uma
crítica ao distanciamento da natureza no contexto urbano e o reconhecimento do
engajamento juvenil como via de transformação social, alinhado à Educação
Ambiental crítica e à justiça hídrica. Predominam percepções negativas, mas
emergem dimensões afetivas, éticas e potenciais de engajamento, reforçando a
necessidade de redefinir as relações entre sociedade e
natureza.
RIO BELÉM COMO SUJEITO DE DIREITOS? PERCEPÇÃO SOCIAL
ACERCA DE RIOS URBANOS - Thierry Betazzi Lummertz, Alex
Conceição da Silva, Raphael dos Santos
Mota, Nayara Lemasson Tortora, Marta Luciane Fischer - A
intensificação do domínio técnico sobre o planeta contribuiu para a aceleração
da degradação ambiental, gerando efeitos como mudanças climáticas e agravamento
das desigualdades socioambientais. Paralelamente, o avanço tecnológico passou a
suscitar dilemas éticos complexos, demandando reflexão interdisciplinar. A
Bioética emerge como campo crítico de análise desses
conflitos, balizados pela proposta de Potter (2016) de construção de
uma “nova sabedoria” capaz de integrar conhecimento científico e
responsabilidade moral, articulando todos os seres vivos em torno da
sobrevivência da biosfera. Essa perspectiva converge com o paradigma dos
Direitos da Natureza, ao reconhecer que a preservação ambiental
constitui além de opção política, uma exigência ética para
a continuidade da vida (Fischer; Rosaneli, 2024). Assim,
justifica-se o reconhecimento do direito universal a um ambiente saudável,
consagrado em legislações nacionais e internacionais, enquanto a concepção da
Natureza como sujeito de direito, impulsionada pela Bioética Ambiental, insere
um novo paradigma ético e jurídico na relação sociedade-natureza (Matos, 2018).
Objetivou-se avaliar a potencialidade da Bioética e da Educação Ambiental na
promoção do engajamento social com a Natureza como sujeito de direitos. A
metodologia adotou abordagem quali-quantitativa, de caráter exploratório-descritivo,
com aplicação de 263 questionários estruturados (57 questões fechadas
e 2 abertas), voltados à análise de percepções, experiências e atitudes em
relação aos rios. Os dados evidenciam predominância feminina (61%), com ensino
superior (48%) e residência em casas (54%). A percepção cotidiana dos rios foi
majoritariamente baixa (32%), assim como a avaliação de limpeza (41%). Em
relação ao rio Belém, 70% expressaram sentimentos negativos, contudo, 94%
concordam que o direito do rio de não ser poluído deve sempre ser garantido.
Segundo Morton (2013), há uma “cegueira ecológica”, na qual problemas
ambientais não são integrados à consciência prática. Conclui-se que o
engajamento emerge da conscientização, quando os indivíduos compreendem sua
realidade e se reconhecem como agentes de
transformação. Palavras-chave: Rio Belém; Bioética ambiental; Rios como sujeito de direito;Percepção social; Objetivos do desenvolvimento sustentável.
ÁGUA EM MOÇAMBIQUE: UMA ANÁLISE BIOÉTICA. Trindade Filipe Chapare, Marta Luciane Fischer. Moçambique
figura entre os países com maior déficit de acesso à água potável afetando
mais da metade da população (UNICEF, 2015), evidenciando a
urgência de uma ética orientada à gestão equitativa e sustentável, justificando
o presente projeto pós-doutoral que visa avaliar a questão
balizada pelo conceito de “Fome de água” (Fischer, Rosaneli,
2022). Deve-se superar interesses individuais e privilegiar a
responsabilidade coletiva intergeracional (Selborne,
2001). A cobertura de abastecimento de água apresenta desigualdade:
cerca de 84% nas áreas urbanas contra 37% nas rurais, enquanto o saneamento
atinge 44% nas cidades e apenas 12% no meio rural (Mophrh, 2020). Essas
assimetrias refletem desigualdades estruturais persistentes, que comprometem a
dignidade ambiental e social. A governança do setor é fragmentada,
envolvendo múltiplos atores, como o Conselho de Regulação do Abastecimento de
Água e as autarquias locais, gerando desafios de articulação e
sobreposição regulatória (Cistac, 2007). Paralelamente, persistem desigualdades
no acesso a serviços básicos como energia, saúde e educação, indicando
limitações na efetividade das políticas públicas. Um ponto crítico refere-se à
atuação do Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água, que
opera sob lógica comercial, realizando cortes no fornecimento de água por
inadimplência, o que restringe o acesso a um direito humano fundamental
(Ndapassoa, 2024). Embora marco legal, como o Decreto Ministerial n.º
23/2002, atribua ao Estado a responsabilidade de garantir melhorias contínuas
no abastecimento, e os programas governamentais enfatizem a sustentabilidade e
ampliação do acesso, há conflitos entre a lógica mercantil e a
garantia de direitos. Nesse contexto, a proteção da água exige uma abordagem
integrada que considere dimensões ambientais, sociais, econômicas, éticas e
políticas (Fischer; Rosaneli, 2022). A incorporação de valores como
honestidade, justiça e responsabilidade coletiva pode reduzir a necessidade de
controles normativos, fortalecendo práticas mais justas e sustentáveis na
gestão hídrica.
BIOÉTCA DAS ÁGUAS: VALIDAÇÃO DA TERMINOLOGIA - Trindade Filipe Chapare, Marta Luciane Fischer.Dentre as preocupações da bioética,
destaca-se a água potável essencial à vida, finito e altamente suscetível à
contaminação. A compreensão da água como recurso inesgotável tem levado ao uso
predatório, poluindo rios e aquíferos, afetando ciclos ecológicos e
biológicos (Cini et al., 2019). O presente projeto visa
avaliar a contribuição direta da bioética como instrumento de mediação,
utilizando diferentes linguagens e saberes para promover o diálogo entre atores
sociais e subsidiar soluções justas e compartilhadas, validando a terminologia
“Bioética das águas” (Fischer, Rosaneli, 2022). As análises de
textos científicos, casos reais e documentos indicam que
a superação da crise hídrica não depende exclusivamente de tecnologia ou
de ajustes nos modelos econômicos, mas demanda desenvolvimento
baseado na sustentabilidade e na equidade (Potter, 2016). Para que
a bioética ambiental se consolide como fundamento de um novo modelo
civilizatório, necessita-se de transformação de valores, atitudes e
modos de vida. A UNESCO, por meio da Declaração Universal sobre Bioética e
Direitos Humanos (DUBDH, 2005), estabelece: a água como direito
fundamental à vida; a responsabilidade social vinculada à proteção de
populações vulneráveis e das gerações futuras; e integração entre saúde,
ciência e desenvolvimento tecnológico. A crise hídrica afeta a
biodiversidade e evidencia conflitos relacionados ao uso da água na
agricultura, segurança alimentar, saneamento e saúde pública. Assim, a
construção de políticas públicas conclama processos participativos
baseados em fundamentos sociais, científicos, tecnológicos e éticos (Ahlert,
2013). A água centraliza-se nos planos ético, político e da justiça
social, sendo determinante para a paz e a continuidade da vida no planeta. Sob
a perspectiva de uma bioética ambiental abrange o reconhecimento
da água como direito humano e patrimônio comum. A ONU, na Declaração
Universal dos Direitos da Água, estabelece diretrizes éticas que atribuem à
humanidade a corresponsabilidade pela proteção dos recursos
hídricos, e na manutenção da vida.
BIOÉTICA
AMBIENTAL E A RELAÇÃO ENTRE ESTRANHOS MORAIS E VULNERABILIDADE AMBIENTAL - Cristiano Chiaramonti, Marta Luciane
Fischer - A bioética
contemporânea insere-se em contextos marcados por transformações
tecnocientíficas e pela intensificação das crises ecológicas, demandando
abordagens éticas capazes de responder à
complexidade das relações entre humanos e não humanos (Fischer et al., 2017). O alargamento
da bioética para uma dimensão socioambiental evidencia a insuficiência de
modelos antropocêntricos diante de sistemas
complexos constituídos pela pluralidade de atores, interdependências e
dinâmicas não lineares (Potter, 2016; Morin, 2006). O conflito reside na
dificuldade de integrar humanos e não humanos em uma mesma matriz ética, formas
de vida que, na condição de estranhos morais, não compartilham referenciais
comuns, produzindo vulnerabilidade ambiental (Fischer e Chiaramonti, 2026).
Justificando, assim, a necessidade de ampliar o campo da consideração moral,
incorporando formas de vida historicamente excluídas dos processos éticos e
políticos sociais. Objetivou-se analisar de que modo a Bioética Ambiental,
oferece uma abordagem ética capaz de compreender a pluralidade socioambiental a
partir da articulação entre os conceitos de vulnerabilidade ambiental e
estranhos morais.A metodologia adota abordagem qualitativa, de caráter
teórico-reflexivo, baseada em revisão bibliográfica exploratória e integrativa da
literatura. A análise crítica evidenciou que a incorporação dos estranhos
morais ao debate socioambiental amplia o distanciamento moral para além das
relações humanas, revelando a vulnerabilidade ambiental como resultado de
arranjos históricos, políticos e epistemológicos que tratam os não humanos como
meros objetos (Stengers, 2023). O reconhecimento dos não humanos como estranhos
morais admite a coexistência de múltiplas moralidades em um mesmo coletivo
planetário, no qual humanos e não humanos compartilham trajetórias
entrelaçadas, ainda que orientadas por linguagens, temporalidades e formas de
existência distintas. A pesquisa contribui para a consolidação de um campo
reflexivo em Bioética Ambiental, orientado a práticas éticas, políticas e
epistemológicas que sustentem a convivência entre humanos e não humanos,
com base no valor intrínseco dos sistemas vivos e em futuros compartilhados.
BIOÉTICA AMBIENTAL
E HOSPICES: INTERFACES NO CUIDADO PALIATIVO - Luciane
Cristine Oliveira Valdez, Flávia Dandara Rangel Coelho Diniz Nogueira,
Cristiano Chiaramonti, Marta Luciane Fischer. O movimento hospice emerge dos
cuidados paliativos impulsionados por Cicely Saunders, com a criação do St.
Christopher’s Hospice, em Londres, em 1967, marco da humanização do cuidado no
fim da vida (Paiva, 2014). O hospice consolidou-se como modelo de alívio do
sofrimento e promoção da qualidade de vida de pessoas com doenças graves
(Zanatta et al., 2019). A permanência de uma racionalidade centrada na dimensão
humana evidencia a limitada incorporação do meio ambiente como elemento ético no cuidado paliativo (Fischer e
Chiaramonti, 2026; Zanatta et al., 2019). A justificativa reside na necessidade
de propor referenciais bioéticos que reconheçam o cuidado integral, o bem-estar
e a dignidade no fim da vida vinculados às dimensões ambientais. Objetivou-se
analisar lacunas científicas entre bioética e hospices e compreender como a
Bioética Ambiental incorpora o meio ambiente ao cuidado no fim da vida. A
metodologia adotou abordagem qualitativa e quantitativa, de caráter
teóricoreflexivo, com revisão bibliográfica exploratória e integrativa no
Portal CAPES, em 10 de abril de 2026. Foram identificadas 24.428 publicações,
predominantemente internacionais (99%), artigos (85%), revisados por pares
(96%) e concentrados nas Ciências da Saúde (91%). A interface com a bioética
mostrou-se reduzida, com 220 estudos (1%), enquanto a Bioética Ambiental
revelou-se incipiente, sem publicações que articulem aos hospices. A produção
nacional reuniu oito artigos (2010–2024), centrados em autonomia, dignidade,
ortotanásia e kalotanásia. A discussão mostrou que o modelo hospice, ao
integrar dimensões físicas, emocionais, sociais e espirituais, pode ser
ampliado pela incorporação do meio ambiente como dimensão terapêutica,
favorecendo conforto, reduzindo a dor e promovendo bem-estar existencial por
meio de espaços, paisagens e contato com a natureza (Gielen, 2021; Floriani,
2021). Os resultados indicam que a Bioética Ambiental amplia o cuidado
paliativo ao reconhecer o meio ambiente como componente ativo do fim da vida,
favorecendo práticas integrais e eticamente comprometidas.
HOSPICES EM
MEDICINA VETERINÁRIA E BIOÉTICA: INTERFACES EMERGENTES NO CUIDADO
MULTIESPÉCIE. Autores:
Flávia Dandara Rangel Coelho Diniz Nogueira, Luciane Cristine Oliveira Valdez,
Cristiano Chiaramonti, Marta Luciane Fischer.Os hospices, modelos de cuidado
voltados ao conforto e à dignidade no fim da vida, historicamente vinculados
aos cuidados paliativos humanos, vêm ampliando seu escopo para abordagens
interdisciplinares que incorporam dimensões éticas e interfaces emergentes com
a medicina veterinária (Floriani, 2013; Zanatta et al., 2019). A persistência de
uma centralidade biomédica evidencia a limitada articulação entre hospices,
bioética e cuidado animal, especialmente no contexto brasileiro (Carvalho e
Fischer, 2022). A relevância do tema justifica-se pela necessidade de
compreender lacunas científicas e estimular referenciais éticos capazes de
responder às demandas contemporâneas do cuidado no fim da vida em perspectiva
multiespécie. Objetivou-se analisar como a produção científica tem articulado os
hospices com a bioética e a medicina veterinária, identificando lacunas
científicas investigativas. A metodologia adotou abordagem quantitativo-descritiva,
mediante revisão integrativa realizada no Portal de Periódicos CAPES, em 10 de
abril de 2026. A busca identificou 24.428 publicações, com predominância de
artigos científicos (85%), acesso restrito (76%), origem internacional (99%) e
concentração nas Ciências da Saúde (91%). A análise demonstrou que a interface
entre hospices e bioética permanece reduzida, com 220 estudos (1%). A
articulação com a medicina veterinária mostrou-se ainda mais incipiente, com
107 publicações (0,4%), revelando expressiva lacuna no cuidado interespécies. O
recorte brasileiro em língua portuguesa apresentou perfil predominantemente
teórico, centrado em autonomia, dignidade e limites da intervenção no fim da
vida, sobretudo nos debates sobre ortotanásia e kalotanásia (Zilio, 2024). A
literatura internacional evidenciou maior consolidação do hospice veterinário, estruturado
em dimensões clínicas, organizacionais e normativas, destacando-se a relação
entre profissional veterinário e tutor (Brown, 2017). Os resultados indicam
que, embora consolidado na medicina humana, os modelos hospices ainda
apresentam integração restrita com a bioética e a medicina veterinária no
Brasil, reforçando a necessidade de pesquisas interdisciplinares e
desenvolvimento de uma ética multiespécie aplicada ao cuidado paliativo. Palavras-chave:
Bioética Ambiental; Medicina Veterinária; Cuidados Paliativos; Hospice; Fim da
Vida.
A ESPIRITUALIDADE
DOS RIOS E O PRINCÍPIO DA ALTERIDADE: CONTRIBUIÇÕES PARA A BIOÉTICA AMBIENTAL. Autores: Luciane
Cristine Oliveira Valdez, Flávia Dandara Rangel Coelho Diniz Nogueira, Cristiano
Chiaramonti, Marta Fischer. As diversas tradições culturais e religiosas
atribuem aos rios dimensão espiritual, reconhecendo-os como entes vivos e
sagrados, vinculados à identidade coletiva e à saúde comunitária (Fischer et
al., 2017). A espiritualidade, para além da religião, representa experiência
integrativa entre corpo, mente, espírito e natureza, ampliando a ética
ambiental ao incorporar interdependência e cuidado como princípios normativos.
A compreensão do rio, nessa perspectiva, afasta-o da condição de mero recurso e
o reconhece como sujeito de valor intrínseco, em oposição à racionalidade
antropocêntrica que o reduz à utilidade e desconsidera suas dimensões
ecológicas, culturais e espirituais (Potter, 1988). A degradação do Rio Belém,
inserido em contexto urbano marcado pela classificação de suas águas como
“ruim” (IAP, 2009), revela a relevância de problematizar a relação
socioambiental sob perspectiva ética ampliada, justificando a necessidade de
repensar os fundamentos jurídicos dos rios, diante de experiências internacionais
que os reconhecem como sujeitos de direito. Objetivou-se analisar criticamente
o reconhecimento dos rios como sujeitos de direito, relacionando
espiritualidade, Bioética Ambiental e violação do princípio da alteridade. A
metodologia adota abordagem qualitativa, de caráter teórico-reflexivo, baseada
em revisão bibliográfica-exploratória. A análise dialoga com o caso do rio
Atrato (Colômbia) e demonstra que diversas tradições culturais reconhecem os
rios como entes relacionais, vinculados à ancestralidade e à sacralidade,
enquanto a espiritualidade fortalece deveres éticos de proteção (Castañeda et
al., 2019). Os resultados indicam que a degradação do Rio Belém configura
violação do princípio da alteridade pois o rio permanece tratado como objeto,
em desconsideração à sua existência própria, às suas necessidades ecológicas e
ao seu valor intrínseco (Hernández, 2011). A conclusão evidencia que o
reconhecimento dos rios como sujeitos de direito, articulado a uma Bioética
Ambiental integradora entre espiritualidade e racionalidde, contribui para
superar o antropocentrismo e fortalecer uma ética fundada na responsabilidade
coletiva e na justiça ecológica.