Os acadêmicos João Fontana e Stephanie Prohni apresentaram os dados parciais de suas pesquisas no XXXVIII Congresso da Sociedade de Zoolóigicos ocorrido em Bauru na semana passada (5/2014). Ambos estudam questões éticas envolvidas na manutenção de animais cativos em zoológicos, utilizando o critério de avaliação do grau de bem-estar como justificativa para subsidiar a decisão moral em manter e como manter esses animais cativos. Veja abaixo seus resumos!
FELÍDEOS CATIVOS: UM
DESAFIO À PRÁTICA DO BEM-ESTAR ANIMAL
PROHNII,
Stephanie da Silva¹; FISCHER, Marta Luciane¹; SILVERIO, Roseli A.² & SANTOS,
Jéssica Janzen dos¹
O bem-estar animal (BEA) visa
garantir condições adequadas para suprir as necessidades físicas, psicológicas
e sociais de animais cativos. Parâmetros como as condições do recinto,
alimentação balanceada e aplicação de enriquecimento ambiental (EA) contribuem
para amenizar os efeitos nocivos do cativeiro. Os felídeos estão representados por 41 espécies e, com exceção do
gato-doméstico, todas estão sob algum grau de ameaça. O presente estudo visa
avaliar as circunstâncias sob as quais os felídeos são mantidos em cativeiro e,
diante isso, averiguar se é possível oferecer a eles condições mínimas de BEA. Foi
realizada uma análise sobre parâmetros relacionados à promoção de BEA através de artigos, consulta a sites
da Internet e de zoológicos nacionais. Das 171 referências analisadas, 37% são
sobre a aplicação de EA (67% alimentar, 12% sensorial e 21% brinquedo físico).
Foi observado que 87% dos felídeos aumentaram a interação com o ambiente e que
apenas 13% não demonstraram interesse pelo EA apresentado. Dos 101 zoológicos,
94% estão em funcionamento, desses 64% possuem felídeos cativos e apenas 9%
divulga sobre a aplicação de EA, sendo todas EA alimentar. As espécies mais comuns
foram: Panthera leo, P. tigris, P. onca e Leopardus
pardalis. Há evidências de
que as instituições veem buscando proporcionar o bem-estar para felídeos com a
aplicação de EA, porém outros fatores devem ser considerados. As análises
veiculadas à internet permitem obter diferentes tipos de informações, porém,
embora o BEA seja considerado, os resultados não estão sendo completamente
publicados. A obtenção do bem-estar de felídeos pode ser comprometida devido a
sua biologia. Entretanto, através da revisão de literatura e consulta aos
zoológicos nacionais, ficou claro que o bem-estar de felídeos é almejado e que
muitas das instituições que mantém estes animais já têm empregado estratégias
como o EA para promover melhores condições de vida para estes animais.
ANÁLISE
DA ESTRUTURA DOS RECINTOS NA PROMOÇÃO DO BEM ESTAR DE PRIMATAS CATIVOS MANTIDOS
NO ZOOLÓGICO MUNICIPAL DE CURITIBA
João Carlos Fontana; Tabata Carvalho de Abreu & Marta Fischer
Os primeiros zoológicos objetivavam apenas expor
animais, contudo atualmente visa além do lazer, a conservação, pesquisa
científica e educação ambiental. Dentre os animais destaca-se os primatas,
principalmente em países tropicais, porém o cativeiro empobrecido e que
desconsidera características naturais da espécie tem afetado significativamente
no seu bem-estar. Assim, questiona-se se recintos adequados apenas legislação
são suficientes na promoção de bem-estar aos primatas. Foram categorizando os
recintos dos primatas do Zoológico Municipal de Curitiba quanto aos parâmetros:
estrutura social das espécies, física dos recintos, manejo e enriquecimento. Baseando-se
na instrução normativa (IN nº4/2002 do IBAMA), os dados de estrutura do recinto
foram classificados com relação ao atendimento da legislação em totalmente,
parcialmente e insuficiente. A amostragem foi relativa a 12 espécies distribuídos
em 11 recintos que atenderam totalmente (96%), parcialmente (2%) e insuficiente
(2%) a IR. Esses possuem em média de
2,3±1,2 indivíduos (11; 1-5), contendo principalmente grupos intraespecíficos (91%),
com machos e fêmeas (64%) e jovens (9%). A área média foi de 432,2±846,8m² (11;
15-2848), sendo 64% com substrato arenoso, vegetação e área de fuga de acordo
com a IN. Das espécies avaliadas apenas Papio
hamadryas e Leontopithecus
chrysomelas apresentaram 2% de discrepância com as exigências da IR. Os alimentos são disponibilizados pela manhã e
tarde em plataformas (64%) e no chão (36%). O enriquecimento físico foi
utilizado em todos os recintos com o fornecimento de galhos e poleiros (91%). Os dados já permitem concluir que embora a estrutura
física dos recintos estejam de acordo com a IN, apenas esta conduta não garante
o bem-estar dos animais que normalmente são visualizados exibindo
comportamentos não correspondentes ao da espécie, demandando outra ações como
enriquecimento ambiental planejado e elaborado.