quarta-feira, 11 de maio de 2016

Consciência, o falso privilégio da humanidade


Série Ensaios: Ética no Uso de Animais

Por Ana Paula Miranda, Erick Barbosa Ribeiro, Kathylin Fiorotti da Silva Brittes e Mairan Eliszabet Rezena da Silva

Graduandos do curso de Biologia

Como os animais selvagens reagem diantes de espelhos? Onças, Gorilas, Chimpanzés, Elefantes e Aves são capazes de se reconhecer em um espelho?


O teste do espelho é experimento que visa medir a auto-consciência ao determinar se um animal é capaz de reconhecer o seu próprio reflexo no espelho por meio da compreensao da imagem de si mesmo. Há nove espécies que passaram no teste do espelho, incluindo pegas e elefantes, principalmente primatas, mas a maioria dos bebês humanos não passam no teste do espelho até vários meses de idade. Então questiona-se por que utilizar um teste que não funciona eficientemente nem com humanos?

Por séculos a conciência foi compreendida como um privilégio da humanidade e usada para justificar o uso de animais como objetos pela sociedade. A consciência é uma qualidade da mente, subdividida em  subjetividade, autoconsciência, senciência, sapiência, e a capacidade de perceber a relação entre si e um ambiente. A declaração de Cambrigde, afirma que os humanos não são os únicos animais com as estruturas neurológicas que geram consciência, concedendo aos outros animais uma chance de serem aceitos pela sociedade como seres capazes de pensar e sentir.

No entanto, sabe-se que existe diferença no grau e tipos de consciência dentro dos grupos animais e o grande desafio dessa situação é aceitar que a consciência humana não cabe mais como parâmetro de comparação para definir que tem ou não consciência. O teste do espelho funciona para alguns animais como chimpanzés e golfinhos, mas para os cães por exemplo, não é eficiente, pois estes não se reconhecem ao ver seu reflexo. Isso ocorre devido as características particulares de como cada espécie se comunica e se relaciona com outros indivíduos do grupo. Os cães se comunicam muito pelo olfato, reconhecendo os outros e a si mesmo por cheiros deixados no ambiente, então como um teste de espelho poderia julgar sua capacidade de autoconhecimento se utiliza os referencias humanos?

Em um debate ocorrido em ambiente virtual e presencial com futuros biólogos, foram levantadas questões como a consciência da morte nos animais. Muitos relatos de vídeos mostram indivíduos, que presenciam seus companheiros morrendo, apresentando comportamentos pouco conhecidos, muitas vezes interpretados como desespero, tentativa de salvar o outro, extrema tristeza e despedida. O infanticídio, também foi abordado em sala, sendo recorrente em diversas espécies, como uma medida de proteção das mães para com os filhotes, estando fortemente relacionada ao instinto materno, através do hormônio do amor, a ocitocina. Pouco se sabe sobre a consciência que os animais possuem de sua própria morte,  mas  relatos de suicídio cometidos por golfinhos e cães nos faz acreditar que os animais reconhecem o fim de sua vida “útil”, cometendo suicídio em casos de estresse e tristeza, como por exemplo quando seus donos ou treinadores morrem. A relação entre o instinto e a consciência variam dentro de cada comportamento e em cada espécie, sendo necessário avaliar cada situação individualmente. A efetividade e abrangência da declaração de Cambridge, foi discutida considerando que a mesma não abrange todos os grupos animais, principalmente os invertebrados, que são deixados de lado pela maior parte da comunidade científica, outro ponto abordado é o fato de que a declaração foi produzida e assinada basicamente por neurocientistas, não considerando a pesquisa em campo, realizada por biólogos e etólogos. A declaração foi sim um marco importante para abrir os olhos da comunidade científica quanto ao direito e ética com os animais, contudo, a mesma poderia ser mais abrangente entre os grupos animais se contasse com mais pesquisas de diferentes áreas.

Quanto mais estudamos o comportamento dos animais, mais nós nos surpreendemos com a semelhança com os humanos. Mas afinal, eles agem como humanos ou nós agimos como eles? Existe na sociedade e na comunidade científica, um grande impasse quanto aos padrões de avaliação das capacidades animais, principalmente dos grupos menos estudados como os invertebrados. O grande problema está na insistência que temos em usar os humanos como referencial avaliativo.  Nós como formandos em biologia acreditamos que, para que se possa alcançar a compreensão do que os animais são capazes, é necessária uma mudança nos paradigmas da ciência e assumir uma postura de pesquisadores abertos a entender a consciência, inteligência, os sentimentos e emoções de cada animal, respeitando sua individualidade e considerando seu ambiente de vida e suas necessidades.



O presente ensaio foi elaborado para disciplina de Etologia, baseando-se nas seguintes obras:






terça-feira, 10 de maio de 2016

Crueldade Atrás Do Riso: O Uso De Animais Para Entretenimento


Série Ensaios: Ética no uso de Animais

por: Bruna Falavinha, Catia Sant’anna, Jonathan de Jesus e Paola Gyuliane.

Graduandos do curso de Biologia da PUCPR



Recentemente um elefante morreu no Camboja durante um passeio sob um sol de 40 graus carregado de turistas nas suas costas. O elefante asiático, espécie ameaçada de extinção, foi vítima de um ataque cardíaco fulminante devido ao cansaço e a temperatura extrema. A agência que gerencia os passeios no local prometeu reduzir as horas de trabalho de seus outros 13 animais até que as temperaturas amenizem, entretanto, milhares de internautas assinaram uma petição para que o uso destes elefantes para o entretenimento dos turistas seja proibido e a conservação da espécie seja levada a sério.






Animais são utilizados na indústria do entretenimento para uma grande variedade de usos. Os humanos partem do pressuposto de que são uma raça superior e que os animais e a natureza estão aqui para servi-los. A exploração animal causa problemas físicos, fisiológicos e psicológicos nos animais, levando a grande maioria a morte. A Lei 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais) prevê punições àqueles que, de alguma forma, causem mal aos animais não-humanos, entretanto, as punições são leves e levam em consideração a exploração animal em benefício dos humanos.

Um exemplo de animal bastante explorado é o cavalo. Os cavalos são utilizados para a prática da equitação, espetáculos em eventos e na televisão, provas de rodeios e competições de corridas e apostas. Os animais são submetidos a treinamentos intensos, são forçados a competir ou ser montados e ficam expostos ao risco de fraturas e, não em poucos casos, até a morte. A entidade Animal Aid produziu relatórios revelando ao longo dos últimos anos os problemas na criação de cavalos para entretenimento, corridas, treinamento e a eliminação dos cavalos comercialmente improdutivos” (cavalos já velhos que não podem ser utilizados para corrida ou equitação e são sacrificados). Em um período de 1.864 dias, entre 2007 e 2012, a entidade contabilizou 816 mortes de animais, APENAS, nos torneios britânicos. Além de problemas nos joelhos, cascos, colunas e articulações devido as provas e ao peso extra que carregam nas costas, os cavalos ainda passam pelo estress psicológico, em sua maioria, pela perda de sua liberdade, o confinamento em baias pequenas, serem submetidos a montarias de desconhecidos e não ter convívio social pois os cavalos são animais que vivem em sociedade.






            Dentro de muitos circos, safaris e parques zoológicos também ainda é possível observar a exploração excessiva dos animais para o entretenimento. Muitos animais nesses locais não recebem a alimentação e o tratamento adequados para suas espécies. Além disso, a exploração em alguns casos chega a ser cruel. O uso de animais em circos, por exemplo, onde força brutal e choques elétricos são utilizados para obrigá-los a realizar atividades desgastantes e perigosas que podem causar queimaduras, fraturas e extirpação de membros e lesões, fazendo com que os animais muitas vezes cheguem a óbito. Apesar do uso de animais em circos já ter sido proibido em vários lugares, inclusive em Curitiba sob a lei Nº 12.467 de 25 de outubro de 2007, algumas cidades brasileiras e outros países ainda o permitem. Em muitos zoológicos e safaris alguns animais são dopados para que turistas possam se aproximar e tirar fotografias, como no caso dos leões do Zoológico de Lujan, na Argentina. Além disso, há diversos relatos de maus-tratos e mortes por descaso e negligência. Segundo a ANDA (Agência Nacional de Direitos Animais), no mundo inteiro, há mais de cinco milhões de animais selvagens vivendo em zoológicos, sendo que mais de um milhão morrem por ano devido ao aprisionamento. Será que isso é realmente um lazer necessário para a espécie humana?








Para a exploração de animas de grande porte temos o rodeio, tourada, farra do boi, vaquejada, dentre outros que mexe com grande público e tem grande visibilidade. Além de ser normal para uma parte da população, que vê nessas atrações uma forma de renda, existe também o estilo cowboy.

             No rodeio temos grandes tradições de vestimentas, como a camisa xadrez, calça jeans, bota, chapéu e cinturão. Os eventos trazem animais como bois, vacas, bezerros, touros e cavalos e algumas vezes até bodes, cabras. Possuem aclamações em muitos locais, como Expo Guaçu em Mogi Guaçu/SP RODEIO, em Ribeirão Preto SP AGRISHOW, Mandaguari PR Expo Mandaguari, São Sebastião do Paraíso MG Festa do Peão de Boiadeiro Paraíso e muitos outros.

             O rodeio possui grande investimento, algumas empresas que apoiam e/ou patrocinam são a AMBEV, Antarctica, Brahma, Skol, Miller, Carlsberg, Bohemia, Caracu, Marathon, Lipton, Pepsi, Vivo, Mastercard, Redecard, Bayer, Carrefour, Souza Cruz, Friboi, Minuano, Arroz Rosalito, Supermercado Savegnago, e muitos outros. Eles estão a frente de um espetáculo de dor e sofrimento, que de certa forma máscara com propaganda cheia de alegrias e entusiasmo.

A Circus Animal Rights Coalition de Malta, que inclui mais de uma dezena de ONGs ligadas à proteção animal, elogiou a iniciativa da secretaria de educação, que instruiu que as escolas não promovam visitas a circos durante o período escolar.

Durante o debate com uma turma de formandos de Biologia foram dados exemplos de animais que sofrem maus tratos em Haras, zoológicos, parques de diversões com shows aquáticos, entre outros. Questões foram abordadas acerca de movimentos culturais que utilizam os animais e que ganham ainda mais força por toda a economia que é gerada com tais atividades. Unanimemente, os estudantes concluíram que o uso de animais para entretenimento é um ato cruel e egoísta do homem, que só traz dor e mal-estar aos animais e nada acrescenta para a vida das pessoas.

Nossa opinião como futuros biólogos é de que o sofrimento imposto a estes animais não agrega conhecimentos ou ensinamentos para os humanos, portanto é fútil e sem sentido. Os animais possuem consciência, sentimentos e emoções e a exploração desnecessária dos mesmo deve ser proibida para assegurar aos animais seu bem-estar.





O presente ensaio foi elaborado para disciplina de Etologia, baseando-se nas obras:





MARTINS, R. F. A cruel utilização de animais em circos. Pensata Animal, Número 41 Ano VIII, Primavera de 2015. Disponível em: http://www.pensataanimal.net/arquivos-da-pensata/76-renatafmartins/115-a-cruel-utilizacao-de-animais-em-circos




Souza, Coryntho de - Rodeio, ontem e hoje - Ed. Valença, 1973

Martins, Cyro - Rodeio, estampas e perfis - Editora Movimento, 1976

Animais De Serviços E Questões Éticas


Série Ensaios: Ética no Uso de Animais

Por Amanda Silveira Sampaio, André Hartmann, Camila Brito, Gabriele Vidolin dos Santos

Acadêmicos do Curso de Ciências Biológicas-Bacharelado da PUC-PR.





Uma elefante fêmea chamada Sambo morreu no Camboja depois de trabalhar 40 minutos sob uma temperatura de 40ºC. Sua função era transportar turistas para o tradicional templo de Angkor Wat, na cidade de Siem Reap. Segundo o veterinário que a examinou, Sambo sofreu um ataque cardíaco depois de enfrentar "altas temperaturas, alto nível de exaustão e falta de vento e ar fresco que teriam auxiliado sua respiração”.


Tal relato aborda o fato de ainda nos depararmos com o quadro de animais trabalhando para o homem, seja no policiamento, turismo, companhia e tração, muitas vezes em condições inadequadas. A maioria dos relatos de maus tratos não é denunciada, especialmente quando tratamos de animais de serviço. Tal situação tem se tornando propícia para ações de abuso e abandono.

Segundo Peter Singer “é imoral a utilização de animais para servir o homem em qualquer instância”. Devemos entender que os animais não são máquinas de trabalho e possuem o direito de ter suas necessidades satisfeitas. A Bioética é uma ferramenta indispensável para sociedade, uma vez que ela nos aponta a necessidade de respeitarmos os animais, como seres vivos e senciente e estabelecemos uma comunicação entre diferentes atores envolvidos em uma questão ética, considerando os seus argumentos e a busca de uma solução consensual que seja boa e justa para todos.

A relação do homem com os animais é muito antiga, sendo eles utilizados como meio de transporte e também como ferramenta de trabalho do dia-a-dia. Tais relações geram questões éticas de âmbito social e ambiental.  A questão social envolve a necessidade do homem em utilizar os animais como forma de sua sobrevivência, lazer e segurança. Por outro lado, a questão ambiental, e a mais questionada é o direito dos animais, onde avaliamos as condições de bem-estar proporcionadas aos mesmos.

Os cães são muito utilizados em comparações da polícia e de bombeiros, tomando como exemplo o cão policial. O processo de treinamento começa quando o filhote possui quatro meses de vida. Esses cães trabalham nas seguintes ações policiais: imobilizar um suspeito até que seja revistado; atacar criminosos; reconhecer, pelo faro, drogas e explosivos; e localizar pessoas desaparecidas na mata ou em um cativeiro. Auxiliam os policiais a achar drogas, pois tem um olfato muito mais desenvolvido que dos seres humanos, porém muitas pessoas acham que esses cães são viciados em drogas. Outra questão é que os cães ajudam na segurança dos policiais, mas estão sempre sujeitos a perigo: podem se machucar, ser baleados e até morrer.

Uma outra perspectiva de serviço consideravelmente menos desgastante para o cachorro, é a função de cão-guia. O animal recebe um rigoroso treinamento desde filhote para saber o que deve fazer e quando deve fazer, carregando inconsciente uma grande responsabilidade de guiar um deficiente visual por lugares perigosos e muitas vezes movimentados. As raças mais comuns de cães-guia são Labrador, Golden Retriver e Pastor Alemão, por possuírem força, inteligência, afabilidade e adaptabilidade, o que as torna ideais para esse tipo de trabalho. A aposentadoria desses cães é entre 8 a 10 anos de idade, onde são colocados para a adoção. A questão ética envolvida neste caso, é de que o animal perde completamente sua liberdade tendo que sempre a atender comando de onde deve ir, além de se manter em constante pressão tendo que deixar seus instintos de lado quando se encontra em serviço.

Um outro animal extremamente explorado são os cavalos, que segundo estudos existem a cerca de 55 milhões de anos, assim há alguns milhares de anos, homem e cavalo se encontram para a realização de muitas tarefas que envolvem até hoje a agricultura, o transporte e o esporte. A utilização de cavalos para o trabalho teve início no meio rural onde habitualmente era utilizado como meio de transporte e no dia-a-dia da rotina de trabalho. A situação de pobreza vivida por muitas famílias faz com que o cavalo seja usado para trabalho nos grandes centros e muitas vezes trabalham o dia todo ao sol, sem água, sem comida e sem descanso. Considerando a questão social, ambiental e urbana, a situação das carroças puxadas por cavalos contraria os diversos aspectos. Por um lado, os carrinheiros argumentam ser esta a forma única de subsistência. Já pela questão urbana, o grande número de veículos em circulação nas cidades, a circulação de carroças contraria até mesmo as leis de trânsito podendo até contribuir para o engarrafamento e a possibilidade de acidentes. Esses cavalos sofrem desde a medicação e troca de ferraduras com materiais improvisados feitos pelos próprios carrinheiros até a sobrecarga de trabalho e peso infringida ao animal.

Há o uso de cavalos também no auxílio da polícia Militar, estes animais chegam ao regimento ainda potros para serem adestrados em torno de quatro meses, após isso o cavalo está apto para ir às ruas para auxiliar o policial em patrulhas e na contenção de manifestantes. São aposentado após 20 anos de trabalho, onde o cavalo torna-se propriedade do policial (cavaleiro), que muitas vezes acaba leiloando ou doando o animal. Esses cavalos quando estão nos batalhões da PM, sempre são examinados por veterinários que tendem a garantir o bem-estar do animal, são muito bem alimentados, são escovados e limpos, sendo possível observar quando se encontram nas ruas patrulhando. Porém sabe-se que esses cavalos quando enfrentam manifestações acabam sendo machucados, pois muitos manifestantes atiram pedras, pedaços de madeira e outros objetos nos policiais, que acabam acertando o animal e causando ferimentos.

            Em debate realizado com estudantes do curso de Biologia da PUCPR, foi possível observar a quantidade de dúvidas sobre como é o treinamento desses animais, o que acontece quando são aposentados, e o que esses serviços implicavam na vida desses animais. Com as dúvidas sanadas, o que intrigou a todos é o porquê que essas atividades vistas às consequências que trazem para os animais ainda são executadas, pois atualmente há equipamentos que podem suprir a utilização desses animais, como por exemplo, em aeroportos são utilizadas máquinas de Scanner Corporal para atestar se o passageiro não está levando drogas no corpo, para o controle de manifestações são usados canhões de água, para auxiliar pessoas com problemas visuais tem sido estudado e criados equipamentos, como o “Kinect”, que deixará os cães-guia de serem utilizados, e para fazer a mudança em retirar os cavalos e carroças das ruas, está sendo investido em carrinhos elétricos para coleta de material reciclável.

Nós como futuros biólogos temos a obrigação de mostrar a sociedade de maneira geral, os riscos que esses animais sofrem, e principalmente ressaltar que eles devem e possuem o mesmo direito que todos, direito à liberdade e ao bem-estar. Em pleno século XI animais são explorados de formas cruéis, deixando uma incógnita no ar, até quando teremos esses animais como objetos e/ou animais de serviços? Cabe a nós biólogos, mostrarmos a saída.



O presente ensaio foi elaborado para a disciplina de Etologia, baseando-se nas seguintes obras:

Disponível em: http://www.fronteiras.com/artigos/peter-singer-filosofo-e-ativista>. Acessado em: 30/04/2016
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Disponível em: < http://www.tecmundo.com.br/tecnologia-militar/94429-5-armas-nao-letais-poderosas-usadas-controlar-multidoes.htm>. Acessado em: 06/05/2016
Disponível em: < http://pr.ricmais.com.br/bg-curitiba/videos/carrinheiros-de-curitiba-recebem-treinamento/>. Acessado em: 06/05/2016

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Por que amamos os fofos, comemos os “feios” e vestimos os peludos.


Série Ensaios: Ética No Uso de Animais



Por  Dayane Kichel, Gabriela Saldanha, Lilia Itsue e Nathalia Meyer

Acadêmicas do Curso de Bacharelado em Biologia



Há alguns dias atrás algumas famosas foram criticadas por usarem roupas e acessórios que continham pele de animais. “PETA provoca Lady Gaga e Rihanna por vestirem peles de animais: “Eles não podem ir à Oprah chorar sobre isso”




Hoje em dia ainda vemos diversas notícias sobre apreensões de animais e peles e o “estranho” comportamento de alguns animais que estão indo para abate, sim eles percebem que algo ruim irá acontecer e manifestam seus sentimentos de diversas formas.

O homem não nasce com ética, essa é uma característica que adquire ao viver em sociedade, por isso se pode mudar o modo de pensar com o passar do tempo. O homem e sua relação de domínio dos animais pelos homens ocorre há muito tempo, desde quando as caçadas esporádicas aconteciam e a família passava alguns dias comendo carne. Em períodos mais frios a utilização das peles para fazer roupas era comum e até mesmo os ossos para fazer “óculos” que protegessem os olhos da alta luminosidade no gelo.

Com a evolução da sociedade a caça de animais se tornou um modo de ganhar dinheiro, sendo então cada vez mais contínua causando grandes problemas ambientais, muitos animais capturados eram aprisionados e depois mortos com métodos cruéis como: asfixia, eletrochoque, envenenamento com estricnina, câmara de descompressão e quebra de pescoço, pistola pneumática, sendo que em muitos casos não faz com que o animal morra na hora. Para a pele é ainda mais cruel já que a retirada é feita com o bicho ainda vivo, para obter uma melhor qualidade assim um valor maior.

 A ciência avançou muito nos últimos anos trazendo diversos benefícios para saúde, produção de alimentos e produtos (tecidos) e novos métodos para abater animais, causando assim uma vasta oferta de alimentos e roupas, acabando com a sazonalidade de alimentos e a necessidade de utilizar animais para se aquecer. Porém para que a oferta de alimentos não diminuísse durante períodos mais frios e de seca, animais e plantas passaram a ser confinados em lugares menores e insalubres causando um acúmulo de dejetos resultantes de problemas para a saúde de muitos animais. Animais criados em cativeiro passam suas vidas em gaiolas pequenas e apertadas, sob estresse todos os dias e isso faz com que muitos se automutilem e cometam canibalismo.

 Atualmente existem muitas discussões a respeito do uso de carne na alimentação. O principal motivo para a retirada desse tipo de alimento das dietas, é a crueldade dos abatedouros, que criam os animais em questões extremas, e na hora do abate nem sempre utilizam formas que diminuam o sofrimento do animal. Só que, uma das dificuldades em remover essa comida das refeições, é por haver vitaminas e nutrientes presentes na carne, que não são encontrados em outros alimentos, ou são encontrados em outras formas. Como o ferro, que é encontrado em vegetais, mas em outra forma, que é mais difícil de ser absorvida pelo organismo humano, ou seja, vegetarianos devem que ingerir o dobro desse tipo de ferro para que o estoque não fique baixo. Isso sem contar a vitamina B12, que não é encontrada em nenhum outro tipo de alimento além da carne, e tem que ser ingerida em forma de cápsulas ou injeções. Infelizmente, existem muitas pessoas que não conhecem direito o que esses animais passam para chegar até a sua mesa, acham que eles vivem felizes em um grande espaço, cuidando de seus filhotes, pastando, bebendo água livremente, enquanto a realidade é bem diferente disso. Já estão sendo realizados estudos para desenvolver uma carne artificial sem a utilização de animais, porém, muitas pessoas ainda desacreditam do sabor e não pensam em abrir mão do cômodo.

Em entrevista ao IHU On-Line, Guilherme Carvalho - que é biólogo e gerente de campanhas da Humane Society International no Brasil, uma ONG internacional de proteção animal - respondeu quais os tipos de movimentos existentes hoje na luta pela diminuição do consumo de carne no mundo. Ele comenta sobre pessoas vegetarianas e pessoas que reduziram pelo menos 50% do consumo da carne e movimentos a favor da diminuição da mesma, como a “Segunda sem carne” que possui campanha internacional e está cada vez mais ganhando apoio, ajudando assim a reduzir o impacto no efeito estufa. Para Guilherme Carvalho o primeiro passo para a diminuição de consumo de carne é a conscientização do consumidor. Quanto menos a pessoa consumir, menos animais serão prejudicados. O consumidor também tem que ter consciência a respeito da qualidade ética e ambiental dos produtos animais que ela consome. Para ele, partindo dai é que podemos efetivar a pressão sobre o poder publico, ou seja, fazer com que eles enxerguem que o setor de agricultura animal tem que ser reconhecido como o causador de um dos maiores impactos ambientais.

Durante um debate virtual e presencial por futuros biólogos, a maioria dos alunos se mostraram a favor da diminuição do consumo de carne. Mesmo a maioria não sendo vegetariano, todos têm a consciência que os animais são extremamente prejudicados, que isto é um impacto ambiental muito grande. Foi consenso da turma que se todos se unirem e diminuírem o consumo de carne, o impacto irá diminuir.

Nós como futuras biólogas acreditamos que a opinião das pessoas quanto a vestimenta quanto a alimentação, podem ser mudadas. No mundo em que vivemos, vários recursos mais baratos e fáceis estão sendo fabricados, como por exemplo, pelos sintéticos e carnes artificiais. Sem contar que muitas pessoas estão mudando seus hábitos na alimentação e estão optando por serem vegetarianas e isso faz com que aos poucos cada cidadão se conscientize e acabe mudando o seu habito também, e nas vestimentas onde muitos usam roupas e couros sintéticos mostrando que é um material de qualidade, duradouro e que nenhum animal precisou ser sacrificado para a produção da mesma. Quanto mais o mundo se conscientizar, quanto mais acesso a esses tipos de informações as pessoas tiverem, menos crueldade com esses animais terá e menos animais serão sacrificados.



O presente ensaio foi elaborado para disciplina de Etologia, baseando-se nas obras:

Livro "Por que amamos cachorros, comemos porcos e vestimos vacas" - Melanie Joy










terça-feira, 3 de maio de 2016

Inteligência além da compreensão humana


Série Ensaios: Ética no Uso de Animais



Por Ana Carolina Gadotti, Camilla Soto, Franciele Santos, Juliana Padilha e Maria Eduarda Garcia



Graduandas do curso de Biologia da PUCPR



O polvo Inky, despertou diversos questionamentos pela “façanha” que apresentou ao conseguir fugir de um aquário da Nova Zelândia e retornar para o mar. Ele foi capaz de perceber a abertura que fica a cerca de quatro metros do tanque onde ele vivia e escapou por um tubo de 15 centímetros de diâmetro, que é usado para renovação da água salgada do ambiente e atravessou 50 metros até chegar a baía de Hawke, onde encontrou o oceano. Situações como esta demonstram a inteligência dos polvos e sua capacidade de perceber o ambiente a sua volta e usá-lo a seu favor.




O termo inteligência refere-se às habilidades cognitivas, ou seja, a capacidade das espécies em solucionar problemas. Por meio do aprendizado, tais indivíduos encontram ferramentas que garantem a sua sobrevivência. Um exemplo dessa capacidade em solucionar um problema é o caso do polvo Inky.

O polvo é considerado o invertebrado mais inteligente, sendo capaz de armazenar memórias e aprender por meio de observações, além de utilizar ferramentas. Seu cérebro rodeia o estômago, e compartilha com o cérebro humano semelhanças, como lobos dobrados e regiões distintas para o processamento visual e informação tática. Acredita-se que esses cefalópodes tenham desenvolvido um alto grau de inteligência durante o processo evolutivo por não serem sociais, possuírem uma vida curta e terem perdido a proteção proporcionada por uma concha externa.

Existem diferentes rankings que classificam os animais mais inteligentes, mas todos baseiam-se na capacidade dos mesmos em resolver problemas e o uso de ferramentas para tal, seus mecanismos de aprendizado, sua memorização e, ainda, sua comunicação com outros indivíduos.

Dentre os vertebrados, os elefantes possuem capacidades sociais altamente complexas, e com uma percepção incrível, podendo reconhecer vozes humanas e perceber o perigo que elas podem representar de acordo com a etnia, sexo e outras características presentes na voz. Os golfinhos, além de reconhecerem a si mesmos, podem processar informações recebidas tanto pelo modo acústico como visual o que lhes permite responder à imagem com precisão comparável aos níveis de respostas humanas. Mais próximos de nós, cães e gatos são capazes de entender e realizar diversas tarefas. Já o orangotango, considerado o animal não humano mais inteligente, apresenta a inteligência cultural, ou seja, a capacidade em aprender por meio da observação de outros de sua espécie. Tal forma de aprendizado é direcionado principalmente no desenvolvimento de ferramentas para a obtenção de alimento.

Com relação a esse tema, algumas questões foram levantadas, como, por exemplo, se os animais são vingativos, por tal comportamento exigir um maior raciocínio e planejamento por parte do animal antes de praticar a ação. Foi comprovado que em algumas espécies esse comportamento ocorre, contrariando a crença popular de que a vingança é um sentimento apenas humano, em outros, a vingança está mais relacionada ao instinto, como no caso dos búfalos que protegem os membros mais fracos ou filhotes de ataques de predadores intimidando-os.

Nós, formandas de biologia, acreditamos que assim como nós humanos, diversos animais ao longo de sua evolução também desenvolveram diferentes níveis de inteligência para enfrentar os diversos desafios que encontraram durante seu processo evolutivo. O resultado pode ser visualizado hoje em dia em demonstrações de inteligência "quase tão complexas" quanto a humana. Porém, tentar mensurar o nível de complexidade da inteligência de um animal comparando-a a de um ser humano pode ser perigoso: apesar de nossa alta capacidade de entender e pensar, ainda somos muito limitados na compreensão do funcionamento da mente e dos processos fisiológicos de outros animais. Como afirmar que um animal não pode ser considerado inteligente sem entender como ele se comunica ou interage com outros animais ou com o meio? Talvez os animais possuam outras formas de expressar sua inteligência que não são compreendidas por nós, meros humanos.





O presente ensaio foi elaborado para disciplina de Etologia, baseando-se nas obras:



Whiten, A., Horner, V., De Waal, F. Conformity to cultural norms of tool use in chimpanzees. Nature online, agosto de 2005.

VAN SCHAIK, C. P., & PRADHAN, G. R. A model for tool-use traditions in primates: implications for the coevolution of culture and cognition. Journal of Human Evolution, 44(6), 645-664, 2003.

VAN SCHAIK, C. P., ANCRENAZ, M., BORGEN, G., GALDIKAS, B., KNOTT, C. D., SINGLETON, I., SUZUKI, A., UTAMI, S., MERRILL, M. Orangutan cultures and the evolution of material culture. Science, 299(5603), 102-105, 2003.