domingo, 31 de maio de 2009

Crianças Transexuais...



Qual é o teu sexo??? Qual será teu sexo???

Eu havia pretendido hoje falar sobre solidariedade, porém tive a oportunidade de ver uma matéria comentada pelos alunos do 8º período biologia (meus afilhados!) no último debate: crianças transexuais que fazem uso de hormônios para alteração dos caracteres sexuais secundários até que elas possam fazer uma cirurgia de mudança de genitália.

Um Livro muito bom nessa área é “evolução do gênero e da sexualidade” de Joan Roughgardem. Nesta obra a autora aborda a diversidade sexual sobre o ponto de vista animal, humano (biológico) e cultural. No mundo animal encontramos inúmeras estratégias reprodutivas que envolvem: reprodução sexuada e assexuada, fertilização interna e externa, hermafroditismo simultâneo ou seqüencial (primeiro é macho depois é fêmea e vice-versa), mimetismo sexual (um macho finge que é fêmea), machos com características e assumindo o papel de fêmeas e vice-versa e o mais polêmico de todos: a homossexualidade (na imagem ao lado são duas fêmeas). A homossexualidade é polêmica quando se leva em consideração conceitos consolidados como “Seleção Sexual de Darwin” e “O Gene egoísta de Dawkins” cujo fim de um animal é passar seus genes para frente. No entanto, novas interpretações sobre o comportamento animal que levam em conta os aspectos de relações sociais, têm possibilitado novas inferências relacionadas com a “seleção social” e evolução do “altruísmo”. O fato que se questiona é: “Se o homossexualismo é genético e os homossexuais não têm relações sexuais, como esses genes continuam na população?”

Que homem é diferente de mulher ninguém tem dúvidas, nem fisicamente e nem comportamentalmente. Isso vem dos diferentes papéis que ambos foram exercendo dentro das sociedades ao longo da evolução. O comportamento é decorrente de um corpo e de um sistema nervoso, logo, o cérebro da mulher é diferente do cérebro do homem. A pergunta é quando e como tudo isso começa. Até pouco tempo atrás se acreditava que a criança nascia como um livro em branco e as páginas eram preenchidas conforme crescia, modelando assim sua personalidade. Porém sabemos que os bebês recém-nascidos têm temperamentos diferentes e isso se deve a condições ambientais intra-uterinas diferenciais que cada criança passa. Alias, atualmente novas pesquisas têm mostrado que a primeira divisão celular já pode determinar diferenças, caso as células sejam divididas mais ou menos simétricas, pode influenciar na simetria do bebê pronto. Novas pesquisas também têm mostrado que o corpo da mulher pode aceitar ou repelir (inconscientemente) embriões masculinos (XY) ou femininos (XX) dependendo do seu estado emocional ou nutricional. É possível que a seleção de espermatozóides X e Y já possam ocorrer no próprio canal vaginal (Ler matéria anterior).

Até mais ou menos a 8ª semana de gestação os cérebros fetos femininos e masculinos são iguais, quando então o corpo da mãe reconhece se o embrião é XX ou XY. Caso seja XY o embrião sofre um banho de testosterona e o cérebro se desenvolve como masculino correspondendo com a genitália. Caso seja XX, não há banho de testosterona e se desenvolve como menina. O lance que parece que algo, seja genético (da mãe ou da criança) ou ambiental (nutrição, emocional???? Da mãe ) faz com que o processo não ocorra como deveria e dentre todas as proporções possíveis poderemos ter uma criança com o cérebro de um jeito e a genitália de outro... Parte-se do pressuposto que dependendo de como essa criança é criada ela até poderá superar essa diferença e teremos homens afeminados e mulheres masculinizadas, porém que assumirão normalmente seus papéis porém com diferenciais que deve ter uma importância dentro do contexto social. Viva a diversidade! Descobrir essas questões é excelente, pois nos permite viver bem com todos e entender que cada um tem um papel. Imagine se todos os homens fossem agressivos e competitivos e todas as mulheres dóceis e frágeis? A novela caminho das Índias tem abordado o papel das Hijras que não são homens e nem mulheres, mas um terceiro sexo cuja existência é cercada de mistérios. Ninguém conhece muito bem seus rituais (quem inclui a castração). Vivem em pequenas comunidades, vestem-se como mulheres e, segundo conta sua história, podem abençoar ou amaldiçoar um nascimento ou um casamento. Quando eles chegam, com festa e música, a um evento, querem retribuição, prendas, pagamento. E ai de quem não colaborar! Recebe uma praga que promete durar muitas gerações!!! Em diferentes culturas o transgenre tem um papel, como os eunucos dos Romanos e os pupilos dos gregos (para saber mais ler Joan Roughgardem). Mas novamente acontece algo que me preocupa muito... o homem não satisfeito em descobrir quer interferir, reinventar, controlar...

O meu espanto e dos meu alunos vem dessa matéria que está veiculando na mídia devido a um documentário que posto abaixo sobre crianças que com cerca de dois anos decidem se são meninos e meninas e pais orientados por profissionais relacionados a área de transexualidade infantil permitem que seus meninos se vistam e se comportem como meninas (foto ao lado é de um menino) e administram hormônios sexuais para que não exibam os caracteres sexuais secundários na puberdade ara que possa na adolescência fazer uma cirurgia para mudança de sexo. O diagnóstico é de “transtorno de identidade de gênero” e segundo os especialistas uma criança começa a ter consciência de ser menino ou menina logo após o primeiro ano de vida e por volta dos 4 anos já tem a identidade sexual estável, apenas são sabem expressar isso verbalmente. Existem até uma ONG que dá assistência para pais de crianças transexuais (TYFA).

Na América do Norte e na Europa o diagnóstico de crianças transgeneres tem aumentado e os pais têm permitido a expressão da criança, embora a decisão seja dividida entre os psicólogos e psiquiatras. Na Holanda, "especialistas" já acompanham a transformação de crianças a partir de 6 anos de idade em transexuais e fazem a cirurgia a partir de 16 anos. Embora boatos tenham dito que há médicos fazendo a cirurgia com 13 e 14 anos, o que levou a um aumento de busca por esse serviço por parte dos pais.

E como tudo volta para o biológico... um fato inusitado espantou o mundo tempos atrás que era o tal do “homem grávido”. Na verdade Thomas Beatie é um transexual que toma hormônios, mas manteve seu útero e ovários. Criado no Havaí, onde sua mãe se suicidou quando ele tinha 12 anos, Beatie disse que decidiu trocar de sexo aos 24 anos. Por isso, submeteu-se a uma operação para tirar seios e legalmente mudou seu gênero de feminino para masculino. Casado há mais de dez anos, Beatie e a mulher, Nancy, sempre quiseram ter um bebê, mas ela teve uma endometriose há 20 anos e precisou tirar o útero. Simples, o marido engravidou...

Para saber mais:
http://www.opovo.com.br/colunas/kelmericas/874449.html
http://www.desabafodemae.com.br/home.php?acao=reportagens&subact=reportagem&cod=33
http://www.blogdofernando.com.br/2008/09/holanda-transforma-crianas-em.html
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u418988.shtml


Deixe a sua opinião, Biólogos e Psicólogos, vamos discutir isso... é importante!











domingo, 24 de maio de 2009

No fundo somos macaquinhos imitadores?




Os Neurônios-Espelho – os neurônios dos leitores de mente....


Eu e os graduandos de biologia e psicologia temos discutido exaustivamente nas últimas semanas a questão se os animais têm sentimentos, emoções e consciência. Me chamou muita a atenção o relato de uma aluna da biologia a respeito do constrangimento que a irmã passou a se posicionar a favor dos animais diante de profissionais da área das humanas, os quais acham inconcebível a comparação entre os “humanos” e os “outros” animais.

Se nos deslumbrarmos com o desenvolvimento tecnológico alcançado pelos humanos – viagens especiais, nanotecnologia, Internet e por aí vai... – cria-se uma distância enorme e a comparação de fato é ridicularizada. Somos uma espécie muito nova, temos apenas cerca de 100.000 anos, é muito pouco, quando comparamos com os quase 700.000.000 de anos que os animais vivem na Terra. A nossa separação com os chimpanzés – nosso parente primata mais próximo – foi a cerca de 4.000.000 de anos. Ou seja, não estamos muitos distantes dos outros animais quando analisamos o nosso corpo biológico, nossa morfologia, nossa fisiologia... Então o que nos afastou realmente?

A resposta pode estar na “estratégia de sobrevivência” – a vida em grandes grupos – o desenvolvimento de sociedades complexas – a necessidade da comunicação e principalmente no surgimento dos “leitores de mente”. E nada disso é exclusividade nossa! Os comportamentos que norteiam a vida em sociedade são parecidos em todos os animais sociais, nós apenas maximizamos alguns pontos, impulsionados pela demanda em manter sociedades cada vez mais complexas.

Um dos “elementos biológicos” que propiciaram o start para “a criação da humanidade” são os denominados neurônios-espelho ou células-espelho. Esses neurônios são capazes de analisar cenas e interpretar as intenções dos outros. Eles foram descobertos pelo neurocientista Giacomo Rizzolatti no macaco Rhesus, a cerca de 15 anos na Itália, em experimentos nos quais o macaco tinha os movimentos monitorados através de eletrodos e foi verificado que esses neurônios podiam ser estimulados mesmo sem o movimento do animal, apenas com a visualização de um outro individuo executando a mesma atividade. Como se o cérebro simulasse os movimentos e vivesse eles virtualmente! Fantástico!

Nos humanos, os neurônios-espelho foram identificados no córtex pré-motor e no lobo parietal inferior, parece que 5% dos nossos neurônios são espelhos. Muitos cientistas acreditam que a descoberta dos neurônios-espelho tenha sido uma das mais importantes do ultimo século e um grande passo para neurociência - comparam até com a descoberta do DNA e das Células tronco. Nós vemos nossos neurônios-espelho em ação na imitação do bocejo, pois o cérebro interpreta que o outro detectou a escassez de oxigênio e para garantir operacionaliza o aumento de ar para os seus pulmões. Também vemos os bebês imitando as caretas dos adultos. Nossos neurônios-espelho são muito mais perspicazes e flexíveis e podem ser os responsáveis pela evolução de habilidades sociais mais sofisticadas e estarem relacionados com a aquisição da linguagem através da imitação.



A evolução dos “leitores de mente” está relacionada com o fato do cérebro humano ter múltiplos sistemas de neurônios-espelho especializados em executar e compreender não apenas as ações dos outros, mas suas intenções, o significado social do comportamento deles e suas emoções e automaticamente direcionar as próprias ações. Desta forma, podemos acessar a mente do outro não por meio do raciocínio conceitual, mas pela simulação direta. Sentindo e não pensando! Isso é Fantástico!!!!. Todas essas descobertas têm levantado discussões a respeito do que se acreditava sobre: cultura, empatia, filosofia, linguagem, imitação, autismo e psicoterapia. Essas descobertas subsidiam a compreensão que temos há muito tempo que as crianças aprendem mais pela imitação das atitudes daqueles com quem convivem, do que com o que lhes é dito. Assim, ao observar a ação de alguém conseguimos interpretar suas intenções.

Diante disso entra a questão de atribuirmos sentimentos, emoções e consciência para aqueles que sãos semelhantes a nós, ou seja, para aqueles que tenho empatia e compaixão – podendo ser da mesma espécie ou não. Então se vejo alguém sofrer meus neurônios-espelho fazem com que eu sita a mesma aflição e parar o sofrimento do outro equivale a parar o meu sofrimento. Será que foi assim que a natureza modelou o homem a ajudar o outro? foi assim que criou o altruísmo? Visando a cooperação entre os indivíduos de uma mesma sociedade?

Outro ponto interessante é que essas descobertas subsidiam a existência da cultura. Segundo o neurocientista Marco Iacoboni, da Universidade da Califórnia "A imitação é um mecanismo-chave para o aprendizado porque ajuda a evitar o desperdício de tempo com tentativas e erros". Até então, os profissionais das humanas tendem a separar biologia e cultura, mas não seria a cultura uma estratégia biológica para sobrevivência dos grupos? Ressalva-se que macacos, elefantes, golfinhos e cães – animais igualmente sociais - têm neurônios-espelho rudimentares. E inclusive, alguns pesquisadores questionam se o autismo não seja uma falha nesse sistema. E a medicina está interessada nessa propriedade para facilitar a reabilitação de pessoas que sofreram derrame.

A nossa linguagem simbólica que associa um objeto (forma visual) a um som, e depois a um símbolo (linguagem escrita) e então ao movimento da mão ao escrever esse símbolo e finalizando aos seus significados - também é totalmente baseada em neurônios-espelho. Michael Arbib em 1998 descreveu como gestos de mão e movimentos complexos da língua e dos lábios usados na formação de sentenças fazem uso do mesmo mecanismo. E possível esta relacionado com o pensamento metafórico.

Quando conversamos com alguém estamos prestando atenção (inconscientemente) a sua linguagem não verbal, quanto mais capacidade de imitação (inconsciente) essa pessoa tiver, mas nos reconheceremos nela e teremos empatia por ela. Por isso incorporamos tão facilmente movimentos, sotaques e gírias de novos grupos como quais passamos a conviver.
Devemos lembrar ainda, que a imitação é algo muito admirado pelos humanos, a base de muitos programas humoristicos...




Para saber mais
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=34918
http://cienciahoje.uol.com.br/103861
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG74705-6014,00-AS+CELULAS+QUE+APRENDEM.html
http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/a_imitacao_pode_curar.html


O que você pensa sobre o altruísmo?.