sábado, 27 de junho de 2026

Homenagem às Mulhes Pesquisadoras: uma tarde de conexão com Camilla Gonda


Por Marta Luciane Fischer




Ontem foi uma daquelas tardes que vale a pena ser vivida, parafraseando prof. Valdemiro. A energia e a atmosfera do evento estavam muito propícias à conexão entre dezenas de mulheres, potentes em suas áreas de atuação e plurais em suas trajetórias, partilhando a alegria de serem reconhecidas e de se reconhecerem umas nas outras. Foi também uma oportunidade de reencontrar mulheres queridas e importantes na minha caminhada: a professora Rosana Rocha, que marcou minha formação na UFPR; colegas professoras e pesquisadoras da PUCPR; a Dra. Aline Brotto, egressa do Programa de Pós-Graduação em Bioética; A Bianca Caneparo, egressa da Biologia e Pesquisadora do Herbário da PUCPR, a Mel, graduanda em Ciências Biológicas; e de compartilhar esse momento ao lado da minha mais recente parceira de projetos, Aline Anile, com quem tenho dividido importantes etapas de consolidação de novos sonhos. De início, quando se recebe a notícia de que será homenageada, busca-se saber de onde vem a homenagem. A nossa veio da vereadora Camilla Gonda, a mais jovem parlamentar da atual legislatura da Câmara Municipal de Curitiba. Ao conhecê-la, encontrei uma jovem que construiu sua trajetória entre a universidade e a vida pública. Formada pela PUCPR, pesquisadora e mestranda na UFPR, fundadora do movimento Por Mais Elas na Política, levou para o Legislativo bandeiras que já faziam parte de sua caminhada antes do mandato como a a valorização da educação, da ciência, da participação das mulheres e da juventude. Em um tempo em que tantas vezes se questiona o futuro da política, foi reconfortante perceber que há uma nova geração disposta a construir esse futuro a partir do conhecimento, do diálogo e do compromisso com a sociedade. Uma trajetória que, pela coerência entre formação, pesquisa e atuação pública, também merece reconhecimento e apoio.
Por um instante, uma reunião de urgência ameaçou alterar a programação da cerimônia, o que felizmente, isso não aconteceu, permitindo que o evento transcorresse de forma acolhedora, respeitosa e, principalmente, muito alegre. Destaco também a mesa composta pela vereadora e pelas representantes das instituições às quais pertenciam as homenageadas. Todas conduziram seus discursos com respeito, precisão e sensibilidade, valorizando o significado da pesquisa científica e das trajetórias ali representadas. Recebi esta homenagem com profunda gratidão e com o coração repleto de alegria. Agradeço à Vereadora Camilla Gonda, à Câmara Municipal de Curitiba e à PUCPR por este reconhecimento, que recebo com muita honra. Sinto-me especialmente feliz por compartilhar esta tarde com mulheres tão relevantes para nossa cidade, profissionais que, em diferentes áreas, dedicam suas vidas à produção do conhecimento, à inovação e à transformação da sociedade. Há quase trinta anos, iniciei minha jornada profissional ainda como aluna de Biologia da PUCPR, quando decidi dedicar meus estudos às aranhas. Naquele momento, Curitiba vivia uma situação singular: a aranha-marrom passava a ser reconhecida como um risco justamente no ambiente que deveria representar tranquilidade, segurança e acolhimento para as famílias curitibanas: suas casas. Desde então, percorri uma longa trajetória de pesquisa, aprendizado, parcerias e amadurecimento profissional. Passei por diferentes etapas da investigação científica, buscando compreender não apenas a biologia dessa espécie, que transformou Curitiba em um cenário singular de infestação urbana, mas também como promover o engajamento da sociedade, superar a biofobia e estimular uma reconexão mais respeitosa e consciente com a natureza.
Este reconhecimento culmina em um momento muito especial da minha trajetória. Recentemente, tivemos a satisfação de publicar a obra Aranha-marrom: 30 anos de estudos biológicos, epidemiológicos e sociais, que apresenta, de forma entrelaçada, a trajetória de uma pesquisadora e da aranha que inspirou avanços técnicos e científicos ao longo de três décadas.
Mais do que registrar uma história de pesquisa, a obra representa uma oportunidade de devolver a Curitiba um conjunto de conhecimentos construídos coletivamente, que poderá ser apropriado por novos olhares, novas gerações e novas abordagens. Acredito que compreender a relação entre seres humanos e natureza é um passo fundamental para superar medos, reduzir preconceitos e fortalecer uma convivência mais harmoniosa com o ambiente. Essa reflexão é particularmente importante em Curitiba, cidade reconhecida nacional e internacionalmente por sua vocação sustentável e por sua relação histórica com as questões ambientais. Ao longo desse caminho, aprendi que o verdadeiro legado da ciência não está apenas nos artigos publicados ou nos dados produzidos, mas também na formação de profissionais e cidadãos, na construção de pontes entre universidade e sociedade e na capacidade de devolver conhecimento em benefício da comunidade.Recebo esta homenagem não como uma conquista individual, mas como o resultado de uma caminhada compartilhada com estudantes, colegas, colaboradores, instituições e com todos aqueles que acreditam na ciência como instrumento de transformação social.

 


 

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