domingo, 14 de agosto de 2016

Animais Militares



Por Eloize Cristine Batista dos Santos
Graduada em Ciências Biológicas e discente do curso de especialização Conservação da Natureza e Educação Ambiental

No dia 24 de abril de 2016 o site Agencia de Notícia de Direitos Animais (ANDA) publicou uma reportagem sobre o Dayko, cachorro da raça labrador do Corpo de Bombeiros da cidade do norte do Equador de Ibarra Fogo. Dayko ajudou os soldados a resgatar sobreviventes do terremoto que atingiu o Chile, salvando 7 vítimas em escombros. O cão teve vários  ferimentos e  devidas as exaustivas atividades de resgate, que segundo uma nota emitida pelos bombeiros equatorianos, o cão apresentou fadiga extrema e desidratação que teve como consequência uma parada cardíaca, o que levou o labrador a óbito.


A necessidade humana levou  Dayko  ao  falecimento  e  uma  geração inteira de animais alterados geneticamente pela domesticação. Os cães são pertencentes ao grupo dos canídeos, possuem ancestralidade com os lobos, comprovado a partir de evidências arqueológicas, morfológicas, comportamentais, vocalização e aspectos moleculares (Silva, 2011). Com isso percebeu-se que os lobos e cães se distinguiram, tais mudanças que condicionam os animais a desempenhar atividades de acordo com a necessidade humana.
A domesticação dos cães levou-os a utilização para fins militares na Primeira Guerra Mundial, no qual a Bélgica e Alemanha foram as pioneiras em utiliza-los como cães de guarda. Já no século XVIII a polícia europeia os utilizava como cães farejadores. A prática estendeu-se até a Segunda Guerra Mundial e foi disseminada em ambos os lados. A partir disso os programas de animais para fins militares passaram a ser utilizados com maior frequência. Em alguns lugares seu uso tornou-se tradição e hoje possuem atribuições importantes dentro de uma organização militar (Miranda, 2011).   Além dos cães, outros animais foram cruelmente selecionados a executar atividades nas quais o homem é incapaz de executar.
Na guerra do oriente médio utilizam-se IED- Dispositivo explosivo improvisado, segundo Journal of Military and Veterans são explosivos com pequenos fragmentos metálicos que causam fraturas profundas nos membros e no dorso, causando hemorragia. No campo de batalha é uma das principais causas de morte. Médicos militares utilizam um método conhecido como “treinamento de traumas e tecido vivo” (ou treinamento de cirurgia em combate) em que usam, geralmente, cabras e porcos com o propósito de aumentar a experiência, rapidez e eficácia desses dispositivos.
De acordo com o site Hype Science, o uso dos animais são ainda mais diversos, como as bombas de morcego utilizadas na Segunda Guerra Mundial a fim de usá-los para atirar bombas incendiárias contra exército do Japão; cavalarias de camelo usavam o cheiro dos mesmos para espantar cavalarias dos inimigos, mas só eram úteis no ambiente natural dos camelos; abelhas zangadas eram utilizadas para deter tropas nas quais jogavam colmeias em direção ao inimigo afim de que elas os atacassem e hoje ainda são usadas para detectar minas terrestres; patrulha de leões marinhos, tem uma visão excelente com pouca luz, além de ouvirem muito bem debaixo da agua e nadam quilômetros de distâncias, são treinados para localizarem e marcarem minas e carregam cintos com  câmeras  para  observação  ao  vivo  do  fundo  do  mar;  pombos correio tiverem grande participação principalmente nas guerras mundiais entregando mensagens de posto de comando ao outro chegando a salvar até batalhões inteiros devido ao conteúdo das mensagens; golfinhos da marinha seu sistema sonar funciona  para detectar  minas pelo mecanismo  de  resposta  “sim”  ou “não”, foram muito utilizados na Guerra do Golfo e do Iraque; elefantes de guerra usaram de seu tamanho e força para atropelar, perfurar e lançar cavalos e humanos pelos gregos, romanos, cartaginenses e persas, hoje substituído por canhões; mulas militares carregam suprimentos para tropas mais afastadas principalmente na região do Oriente Médio; cachorros de guerra eram equipados com coleira perfurante e armaduras, hoje em dia sendo usado como farejadores e detectores e os cavalos são as mais antigas armas de guerra ainda utilizadas nos dias de hoje, desenvolvendo papéis como transporte de tropas, suprimentos, ataques.
Eu como bióloga vejo que é necessário rever os direitos dos animais tanto na constituição, quanto nos conselhos de ética. Além disso, é preciso analisar a real necessidade da utilização dos animais, principalmente para fins militares, visto que é uma atividade criada estritamente para o homem em seu benefício próprio além de desrespeitar e violar os direitos dos animais em prol de bens comuns, da intolerância cultural e do egoísmo.


Este ensaio foi elaborado para disciplina de ética no uso de animais e bem estar animal, tendo como base as obras:

ANDA- Agência de notícia de direitos dos animais. Cachorro morre de exaustão após ajudar a socorrer vítimas de terremoto no Equador. Disponível em: <http://www.anda.jor.br/24/04/2016/cachorro-morre-de- exaustao-apos-ajudar-a-socorrer-vitimas-de-terremoto-no-equador>.   Acesso em 20 de julho de 2016.

BRITANNICA ESCOLA CAPES. Oriente Médio. . Acesso em 12 de agosto de 2016.

ESTADAO. O conflito que mudou o mundo. Disponível em: < http://infograficos.estadao.com.br/especiais/100-anos-primeira-guerra-mundial/>. Acesso em 11 de agosto de 2016.

ESTUDO PRÁTICO. Guerra do Golfo. Disponível em: Acesso 11 de agosto de 2016.

ÉTICA ANIMAL. Uso militar de animais. Disponível em: <http://www.animal- ethics.org/uso-militar-de-animais/>. Acesso em 21 de julho de 2016.

HYPE  SCIENCE.  10  animais  recrutados  para  guerra.  Disponível  em:


JOURNAL  OF  MILITARY  AND  VETERANS’  HEALTH. Military  ‘live  tissue trauma training’ using animals in the US – its purpose, importance and commentary  on  military  medical  research  and  the  debate  on  use  of animals in military training. Disponível em <http://jmvh.org/article/military-live- tissue-trauma-training-using-animals-in-the-us-its-purpose-importance-and- commentary-on-military-medcal-research-and-the-debate-on-use-of-animals-in- military-training>. Acesso em 22 de julho de 2016.

MIRANDA, J. J. T. O emprego do cão de polícia e o uso seletivo da força,

2011.                 Biblioteca                 policial.                 Disponível                 em:

2016.

SUA PESQUISA. Iraque. Disponível em: . Acesso em 12 de agosto de 2016.

SIL VA,  D.   P.   Canis   familiaris:   Aspecto   da   domesticação   (origem, conceitos, hipotéses). Faculdade de agronomia e veterinária. Brasília, 2011. Disponível em: <http://bdm.unb.br/bitstream/10483/3053/1/2011_DaniloPereiradaSilva.pdf>. Acesso em 22 de julho de 2016.

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