por Cristiano Chiaramonti
Mestre em Sustentabilidade, Mestrando em Bioética
De forma complementar, o pensamento complexo propõe uma rearticulação entre os saberes, reconhecendo que os fenômenos não se deixam apreender fora das tramas que os constituem, de seus contextos e de suas múltiplas dimensões. Trata-se de um convite à ampliação do olhar, não para alcançar uma totalidade fechada, mas para habitar a incompletude, acolher a incerteza e reconhecer o entrelaçamento como condição que sustenta a vida. Conhecer deixa de ser separar para tornar-se relacionar. Um modo de pensar, menos ruidoso, menos imediato, que reconhece o tempo como condição da vida, que pondera e medita. Um pensamento que não se apressa em responder porque compreende que nenhuma pergunta nasce isolada. Cada questão carrega histórias, contextos, pertencimentos, memórias e futuros possíveis. Pensar de forma mais ampla exige reconhecer que o conhecimento não é linha reta, ele é tecido, é relação, é enraizamento. A árvore pensa com o corpo inteiro, suportando os seus galhos que competem entre si e que, em suas divergências, se espalham e coexistem em suas próprias verdades, sem que isso rompa a unidade que as sustenta.
Quando se opera apenas pela lógica da fragmentação, produzem-se soluções funcionais e, não raro, contextos adoecidos. Quando se amplia o horizonte da escuta, torna-se possível sustentar contradições, acolher divergências e reconhecer que ordem e desordem não se anulam, mas se entrelaçam. Talvez o desafio contemporâneo para as universidades, laboratórios, salas de aula e espaços de mentoria não consista em acelerar ainda mais o crescimento dos galhos, mas em fortalecer o enraizamento que sustenta o conjunto. Não se trata de abandonar a especialização, a técnica ou o rigor. Trata-se de reconectá-los à complexidade da vida que os torna possíveis. Entre galhos e raízes pode residir o futuro do pensamento, não aquele que cresce mais rápido, mas aquele que aprende a permanecer vivo. Que se cultivem modos de pensar que incluam, escutem e permaneçam.


O Rio Belém evidencia, de forma irônica, a visão egocêntrica e antropocêntrica da sociedade, para que um rio tenha seus direitos reconhecidos, é necessário que ele seja representado por humanos, seus guardiões. Embora tais medidas sejam essenciais para reduzir os impactos ambientais, o direito à existência e à manutenção do rio, garantidos pela Declaração Universal dos Direitos dos Rios, nos leva a refletir. Aquilo que muitas vezes é visto como “mero recurso” convive com 37 bairros, desempenhando funções biológicas, culturais e sociais. Será que a sociedade realmente precisa “humanizar” o vivo para que ele seja respeitado? Apenas os humanos necessitam de direitos, de respeito e de proteção à vida? Esses questionamentos são fundamentais, especialmente quando a sociedade se diz cada vez mais consciente de seus atos perante o ecossistema, mas continua degradando a natureza de forma gradual e contínua.
ResponderExcluirO rio, muitas vezes tratado apenas como recurso, na verdade se relaciona com diversos bairros e cumpre funções ecológicas, culturais e sociais. O comentário questiona se apenas os seres humanos merecem direitos e proteção, destacando a incoerência de uma sociedade que afirma ter consciência ambiental, mas continua degradando a natureza de forma contínua.
ResponderExcluirO documentário sobre o Rio Belém junto com a tese de Rios como sujeito de direito mostra a necessidade urgente de superarmos a visão utilitarista da natureza em favor de uma ética biocêntrica, enquanto o documentário mostra a degradação do Rio Belém óleo crescimento urbano desordenado, a proposta jurídica de conferir direitos aos rios oferece um caminho para sua proteção. Portanto, tratar o Rio Belém como sujeito de direitos, e não apenas um recurso explorável é um paso fundamental da Bioética para garantir a dignidade ambiental, saúde e o bem-estar das gerações futuras.
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